Fungos no cão (Malassezia): sintomas, fotos e o que fazer

Real clinical photograph of Malassezia otitis in a dog, showing an inflamed ear and discharge.

Imagem de capa: otite por Malassezia num cão. Fotografia: Peano et al., 2020, Fig. 2 · CC BY 4.0. Redimensionada para apresentação.

Aviso médico. Este guia tem carácter educativo e não faz diagnósticos nem substitui tratamentos. Os fungos no cão provocados pela levedura Malassezia confirmam-se por citologia feita por um médico veterinário, e não por comparação de fotografias. Se o seu cão tem dores, sangra ou está a piorar, contacte hoje o seu médico veterinário.

Escrito pela equipa editorial da Pure Majesty Pets. Revisto quanto ao rigor veterinário com base nas orientações de consenso da World Association for Veterinary Dermatology (WAVD) e na literatura de dermatologia veterinária revista por pares, e adaptado ao enquadramento português e europeu (DGAV, regulamentos da UE). Última atualização: 7 de outubro de 2026.

Resposta rápida: os fungos no cão que deixam a pele oleosa, vermelha, com comichão e com cheiro a mofo ou a ranço são, na grande maioria dos casos, uma levedura chamada Malassezia pachydermatis, que vive normalmente na pele de qualquer cão saudável. O problema começa quando ela se multiplica em excesso, sobretudo nos ouvidos, entre os dedos e nas pregas da pele. Confirma-se por citologia no veterinário, combate-se com antifúngicos prescritos (champô medicamentoso e, se for preciso, comprimidos) e quase sempre tem uma causa por trás, que costuma ser uma alergia. Para apoio diário em complemento desses cuidados, as gotas Pure Majesty Pets de apoio ao equilíbrio das leveduras (29,95 €) são uma fórmula líquida pronta a usar, com ácido caprílico, vinagre de maçã e orégãos, além de ingredientes de apoio à pele e à digestão, que se mistura na comida de acordo com o rótulo.

Uma nota sobre as palavras, porque em Portugal faz diferença: diz-se quase sempre que o cão «tem fungos», mas há dois problemas fúngicos muito diferentes. A Malassezia, de que fala este guia, é uma levedura (um tipo de fungo) que já vive no cão e que não se «apanha». A tinha (dermatofitose) é outra doença, contagiosa, inclusive para as pessoas. Mais abaixo explicamos como distinguir as duas, e também como distinguir os fungos da leishmaniose, que no nosso país pode dar lesões de pele parecidas.

Ver fotografias clínicas reais ↓

Fotografias reais de fungos (Malassezia) em cães

Estas fotografias clínicas, retiradas de publicações veterinárias de acesso aberto, mostram cães com doença de pele associada à Malassezia. Várias vêm de uma revisão publicada em 2022 por Luís Martins, do Departamento de Medicina Veterinária da Universidade de Évora. Use a ligação «Ver em tamanho real» por baixo de cada fotografia para a ampliar. Servem para reconhecer padrões, não para fazer um diagnóstico.

Pele vermelha entre os dedos do cão, numa dermatite crónica associada ao crescimento excessivo de Malassezia.
Entre os dedosPele interdigital vermelha, bem visível entre os dedos, numa dermatite crónica associada ao crescimento excessivo de Malassezia.
Fotografia: Martins e Quesada, 2022, Fig. 1g · CC BY 4.0. Painel extraído da figura original. · Ver em tamanho real
Pregas faciais inflamadas num cão alérgico com crescimento excessivo de Malassezia.
Pregas faciaisPregas faciais inflamadas num cão alérgico com crescimento excessivo de Malassezia.
Fotografia: Martins e Quesada, 2022, Fig. 1a · CC BY 4.0. Painel extraído da figura original. · Ver em tamanho real
Alterações crónicas da pele na parte de baixo do corpo de um cão com crescimento excessivo de Malassezia associado a alergia.
Peito e axilasAlterações crónicas da pele na parte de baixo do corpo de um cão com crescimento excessivo de Malassezia associado a alergia.
Fotografia: Martins e Quesada, 2022, Fig. 1c · CC BY 4.0. Painel extraído da figura original. · Ver em tamanho real

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O que são os fungos no cão (Malassezia pachydermatis)

Os fungos no cão de que falamos aqui são o crescimento excessivo de Malassezia pachydermatis, uma levedura que já vive na pele de todos os cães saudáveis. Manifesta-se como pele oleosa e avermelhada, com comichão e com um cheiro característico a mofo ou a azedo, mais frequentemente nos ouvidos, entre os dedos, nas pregas da pele e à volta da virilha. Não se apanha de outro cão e, na maioria dos casos, é o sintoma de outra coisa por baixo, geralmente uma alergia.

O que se segue é um guia de triagem. Diz-lhe o que está provavelmente a observar, se pode esperar até segunda-feira ou se deve ligar já ao veterinário, e o que deve evitar fazer entretanto.

Malassezia ou tinha? Os dois «fungos» que se confundem

Quando um tutor diz que o cão «tem fungos», pode estar a falar de duas doenças distintas, com riscos e tratamentos diferentes:

  • Malassezia (levedura). Pele gordurosa, vermelha e com mau cheiro, comichão intensa, cerúmen castanho nos ouvidos, patas muito lambidas. Instala-se em zonas quentes e húmidas. Não passa para outros cães saudáveis e, na prática, também não passa para as pessoas da casa. É o tema deste artigo.
  • Tinha ou dermatofitose (fungos dermatófitos, como o Microsporum canis). Zonas com pelo partido ou caído, muitas vezes arredondadas e com escamas, nem sempre com muita comichão e sem o cheiro típico das leveduras. Pode passar para outros animais e para as pessoas, sobretudo crianças. Diagnostica-se no veterinário (lâmpada de Wood, observação dos pelos ao microscópio, cultura ou PCR) e exige um tratamento próprio, incluindo a limpeza da casa.

Se as lesões forem redondas, secas e com pelo partido, ou se alguém em casa aparecer com manchas vermelhas em forma de anel na pele, fale com o seu médico veterinário antes de tudo o resto: nesse caso, os conselhos deste guia sobre leveduras não chegam.

Fungos no cão: os pontos-chave

  • A levedura já lá está. A Malassezia é uma habitante normal da pele canina. A doença é o crescimento excessivo de um organismo residente, não uma infeção que o seu cão apanhou algures.
  • Nenhuma fotografia diagnostica um cão. Leveduras, piodermite estafilocócica, demodicose e dermatite de contacto têm aspeto semelhante e aparecem muitas vezes em conjunto; em Portugal, junte-se a leishmaniose a esta lista. Só a citologia com fita adesiva (e, quando indicado, análises ao sangue) faz a distinção.
  • A quantidade de leveduras não prevê a comichão. Foi encontrada IgE específica contra a Malassezia em cerca de 60% dos cães atópicos, contra 16% dos cães de comparação: os cães alérgicos reagem com força a populações pequenas de leveduras.
  • O tratamento tópico de referência é um champô com miconazol a 2% e clorexidina a 2%, duas vezes por semana, deixado a atuar 10 minutos. O tempo de contacto conta mais do que a marca. Em Portugal, o champô com esta combinação está autorizado como medicamento veterinário sujeito a receita.
  • Nada de água oxigenada, óleo de árvore-do-chá ou vinagre sobre pele em carne viva. Uma revisão de dez anos publicada no JAVMA concluiu que 77% dos animais expostos a óleo de árvore-do-chá tiveram uma reação adversa.

Sintomas de fungos no cão por zona: o que vê e o que fazer

Comece por aqui. Procure a zona do corpo afetada e leia a linha correspondente.

Dermatite interdigital crónica vista por baixo da pata, num cão com crescimento excessivo de Malassezia.
Entre as almofadas plantaresDermatite interdigital crónica vista por baixo da pata, num cão com crescimento excessivo de Malassezia.
Fotografia: Martins e Quesada, 2022, Fig. 1f · CC BY 4.0. Painel extraído da figura original. · Ver em tamanho real
Lesões inflamatórias escurecidas num cão com dermatite por Malassezia secundária a uma infestação por ácaros Demodex.
Patas e membros anterioresLesões inflamatórias escurecidas num cão com dermatite por Malassezia secundária a uma infestação por ácaros Demodex.
Fotografia: Peano et al., 2020, Fig. 1 · CC BY 4.0. Redimensionada para apresentação. · Ver em tamanho real
Onde O que vê e cheira Mais provável Em casa ou no veterinário
Ouvidos Cerúmen castanho e ceroso, com aspeto de borras de café. Cheiro adocicado e azedo. O cão abana a cabeça e coça a base da orelha. Otite por Malassezia, muitas vezes sobre uma alergia Veterinário. Nada entra no ouvido antes de o otoscópio confirmar que o tímpano está íntegro. Fungos nos ouvidos do cão
Patas, entre os dedos Manchas de saliva cor de ferrugem ou castanhas no pelo claro, pele entre os dedos rosada e inchada, lambedura constante, toque gorduroso. Malassezia interdigital, geralmente de origem alérgica Cuidados em casa são razoáveis se a pele estiver intacta. Fungos nas patas do cão
Barriga, pregas, axilas Pele rosada a acinzentada, descamação gordurosa, cheiro a mofo, escurecimento ao longo de semanas. Dermatite das pregas com crescimento excessivo de leveduras Cuidados em casa e consulta veterinária no prazo de uma semana. Fungos na barriga · Fungos nas axilas
Base das unhas Crosta castanho-avermelhada na base da unha, unhas acastanhadas, o cão rói as unhas. Paroníquia por leveduras, forte indicador de alergia de fundo Veterinário. Raramente se resolve sem tratar a causa. Unhas compridas e deformadas também são um sinal de leishmaniose. Fungos nas unhas do cão
Lábios e queixo Pele húmida e vermelha na prega do lábio, manchas castanhas, odor azedo. Dermatite da prega labial, muitas vezes mista (leveduras e bactérias) Veterinário, para ver os dentes e excluir uma infeção mista. Fungos nos lábios do cão
Virilha e vulva Pele vermelha e húmida, lambedura, corrimento, odor. Podem ser leveduras, mas a doença urinária e a vaginite têm um aspeto semelhante Veterinário. Um corrimento nesta zona pede uma análise à urina, não um champô. Fungos vaginais na cadela

Se houver mais de duas zonas afetadas ao mesmo tempo, encare isso como um sinal geral e não como seis problemas locais. Leveduras espalhadas por várias zonas num cão adulto apontam para dermatite atópica, hipersensibilidade alimentar ou uma doença endócrina, como o hipotiroidismo ou a doença de Cushing.

Em Portugal há um sinal extra a vigiar. Se, além da pele oleosa ou a descamar, o seu cão tem as unhas a crescer de forma anormal, perdeu pelo à volta dos olhos, tem feridas que não fecham nas pontas das orelhas ou está a emagrecer, a leishmaniose entra na lista de suspeitos (veja a secção sobre leishmaniose mais abaixo).

Como evolui a Malassezia na pele do cão: fase inicial, estabelecida e crónica

Antes das descrições, a ressalva honesta: nenhuma imagem na Internet, incluindo as nossas, consegue diagnosticar o seu cão. A dermatite por Malassezia, a piodermite estafilocócica, a demodicose e as reações de contacto sobrepõem-se visualmente e coexistem muitas vezes no mesmo cão. As fases abaixo dizem-lhe qual a urgência e quanto tempo deve demorar a recuperação. Não lhe dizem qual é o organismo. Isso é a citologia que diz.

Fase inicial

A pele parece ligeiramente rosada em vez de vermelha. O pelo afasta-se com facilidade e a pele por baixo está um pouco pegajosa ao toque. O seu cão lambe uma pata mais do que o costume, normalmente ao fim do dia. Pode ainda não haver cheiro, ou apenas um cheiro ténue quando aproxima o nariz do pelo. Entre os dedos, o primeiro sinal visível é muitas vezes a mancha de saliva cor de ferrugem, e não a vermelhidão. Apanhada nesta fase, a maioria dos casos responde ao tratamento tópico em duas a três semanas.

Fase estabelecida

Chega o cheiro. Acumula-se uma secreção castanha e gordurosa nas pregas e entre os dedos. A pele está claramente vermelha, muitas vezes com escamas amareladas ou acinzentadas que se soltam quando se esfrega. A lambedura passa a ser constante e o cão não gosta que lhe mexam na zona. É esta a fase que a maioria dos donos fotografa e pesquisa no telemóvel. Exige tratamento veterinário e, normalmente, exige também que a causa de fundo seja investigada ao mesmo tempo.

Fase crónica

Pele muito espessada e enrugada à volta do focinho, numa dermatite crónica associada ao crescimento excessivo de Malassezia.
Pele espessada à volta do focinhoEspessamento e enrugamento marcados da pele numa dermatite crónica associada ao crescimento excessivo de Malassezia.
Fotografia: Martins e Quesada, 2022, Fig. 1b · CC BY 4.0. Painel extraído da figura original. · Ver em tamanho real
Pavilhão auricular espessado, com pregas de pele marcadas, numa dermatite crónica associada ao crescimento excessivo de Malassezia.
Alterações crónicas do pavilhão auricularOrelha espessada, com pregas de pele marcadas, numa dermatite crónica associada ao crescimento excessivo de Malassezia.
Fotografia: Martins e Quesada, 2022, Fig. 1d · CC BY 4.0. Painel extraído da figura original. · Ver em tamanho real

A pele fica cinzento-escura e espessa, com uma textura de couro e enrugada: é o que os veterinários chamam hiperpigmentação e liquenificação. O pelo rareia ou desaparece. O cheiro é forte ao ponto de se notar do outro lado da sala. As alterações crónicas demoram meses a instalar-se e meses a reverter, e parte da alteração de cor é permanente. As manchas pretas que aparecem na pele nesta fase são, em regra, pigmentação pós-inflamatória e não a própria levedura. Se a pele também ficou dura, com crostas e a descamar, isso merece uma observação veterinária, porque crostas apontam muitas vezes para uma infeção bacteriana associada ou para outra doença de pele.

Para uma referência visual mais completa, zona a zona, e para a lista detalhada de sinais, consulte o nosso guia de sintomas de fungos no cão.

Fungos, bactérias, alergia, ácaros ou leishmaniose? Como distinguir

Citologia da pele de um cão com dermatite por Malassezia: numerosas leveduras em gemulação, ampliadas mil vezes na publicação original.
A levedura vista ao microscópioCitologia da pele de um cão com dermatite por Malassezia: numerosas células de levedura em gemulação, com uma ampliação de mil vezes na publicação original.
Fotografia: Peano et al., 2020, Fig. 3 · CC BY 4.0. Redimensionada para apresentação. · Ver em tamanho real

Em casa consegue reunir pistas úteis. Não consegue chegar a um diagnóstico. Eis o que é realmente observável sem microscópio.

Pista Leveduras Bactérias Só alergia Ácaros
Cheiro A mofo, adocicado e azedo, a aperitivos de milho Fétido, a podre, por vezes adocicado Normalmente nenhum Normalmente nenhum
Secreção Castanha, cerosa, gordurosa Amarela, verde, cremosa, pus Transparente ou nenhuma Crosta seca, escamas
Textura Gordurosa, espessa com o tempo Pústulas, anéis com crosta, borbulhas Vermelha, arranhada de tanto coçar Escamosa, com bordos com crosta
Onde aparece Pregas, zonas quentes e húmidas, patas, ouvidos Tronco, muitas vezes lesões à volta dos pelos Cara, patas, ouvidos, axilas, virilha Bordos das orelhas, cotovelos, jarretes
Época do ano Pior com calor e humidade (verão, banhos, litoral húmido) Não sazonal Muitas vezes muito sazonal (pólenes de primavera) Não sazonal, pode afetar outros animais da casa

O limite, dito com clareza: estas categorias não são exclusivas. Um cão com dermatite atópica tem muitas vezes leveduras e estafilococos em excesso ao mesmo tempo, com a alergia a alimentar as duas coisas. Uma fita adesiva pressionada contra a pele, corada com Diff-Quik e observada ao microscópio dá a resposta em menos de dez minutos: as Malassezia aparecem como células em gemulação, com forma de amendoim ou de pegada. É um exame barato, feito na própria clínica, que resolve o que semanas de suposições não resolvem.

Nos ouvidos, a regra prática é parecida: cerúmen castanho e ceroso, como borras de café, com cheiro adocicado e azedo, sugere leveduras; secreção cremosa amarela ou verde com cheiro fétido sugere bactérias. Muitos cães têm as duas. Como o tratamento é diferente e o tímpano tem de ser observado antes de se pôr seja o que for no ouvido, uma otite canina pede sempre consulta. Para a comparação completa entre leveduras e alergia, veja fungos ou alergia no cão: como distinguir.

Em Portugal, pense também na leishmaniose

A leishmaniose canina é endémica em grande parte do país, com destaque para o Alentejo, o Algarve, Lisboa e Vale do Tejo, o Douro e Trás-os-Montes. Um estudo de vinte anos feito em Évora documenta a presença persistente da doença no sul. É transmitida pela picada de flebótomos (os chamados mosquitos-palha), e é muitas vezes na pele que surgem os sinais mais visíveis: descamação seca e abundante, como uma caspa prateada, perda de pelo à volta dos olhos e nas orelhas, feridas que não cicatrizam nas pontas das orelhas, no focinho ou nos cotovelos, e unhas compridas e deformadas. Pode vir acompanhada de emagrecimento, cansaço, gânglios aumentados ou hemorragias nasais.

A diferença é importante: a leishmaniose é uma doença sistémica grave, transmissível ao ser humano através do mesmo inseto, e não melhora com champô antifúngico. Se o seu cão vive ou passa férias numa zona endémica e tem uma pele que descama sem o cheiro gorduroso típico das leveduras, peça ao seu médico veterinário que exclua a leishmaniose com uma análise ao sangue. Em caso de dúvida, as duas coisas podem coexistir, e só o veterinário as separa. A DGAV e o conselho científico europeu ESCCAP publicam informação sobre a doença e sobre a proteção dos cães com repelentes e vacinação.

O cheiro a fungos no cão: o que cada odor significa

Muitos donos notam o cheiro antes das alterações da pele, por isso ajuda saber que cheiros são normais.

  • A pipocas ou aperitivos de milho, só nas patas, ligeiro, com pele de aspeto normal. Geralmente inofensivo. Vem das bactérias e leveduras habituais que vivem no ambiente húmido entre as almofadas plantares. Sem vermelhidão nem lambedura, não é preciso fazer nada.
  • A mofo ou azedo, por vezes a pão, a espalhar-se para além das patas. É o cheiro do crescimento excessivo de leveduras. Fica mais forte com a humidade e depois de o cão ter estado deitado.
  • Fétido ou a podre, por vezes a peixe. Pense numa infeção bacteriana, num problema das glândulas anais ou numa doença dentária, mais do que em leveduras.
  • Hálito doce, a acetona. Nada tem a ver com a pele. Justifica um telefonema ao veterinário no próprio dia, porque pode indicar cetoacidose diabética.

Um teste prático: lave a zona, seque-a completamente e espere uma hora. O cheiro normal das patas desaparece. O cheiro a leveduras volta.

Remédios caseiros para fungos no cão que podem piorar a situação

Esta secção existe porque estas quatro coisas aparecem constantemente nos conselhos que circulam na Internet e nas redes sociais, e todas podem deixar o seu cão pior do que estava.

Água oxigenada

A água oxigenada é citotóxica para os fibroblastos e para os queratinócitos, as células que reconstroem a pele. Atrasa a cicatrização, razão pela qual as orientações modernas de tratamento de feridas deixaram de a usar em feridas abertas. A dermatite por leveduras vem quase sempre acompanhada de arranhões provocados pela comichão, ou seja, a pele onde a estaria a aplicar é precisamente a que menos a tolera.

Uma distinção, porque gera confusão: a água oxigenada a 3% por via oral continua a ser usada para provocar o vómito em certas intoxicações, e apenas por indicação veterinária. É uma utilização completamente diferente e nada diz sobre a aplicar na pele.

Óleo de árvore-do-chá (tea tree)

Os dados mais sólidos vêm de Khan, McLean e Slater, no JAVMA (2014;244(1):95-99). Ao reverem 443 casos registados durante dez anos num centro de informação toxicológica veterinária, envolvendo 337 cães e 106 gatos, verificaram que 89% das exposições foram aplicações intencionais feitas pelos donos e que 77% dos animais tiveram uma reação adversa: depressão, fraqueza, falta de coordenação e tremores musculares, entre duas e doze horas depois da aplicação. Os autores concluíram que o uso de óleo de árvore-do-chá em cães e gatos não é recomendado. Os cães pequenos e qualquer cão que lamba a zona tratada são os que correm mais risco.

Antifúngicos de uso humano

Nunca dê ao seu cão um antifúngico de uso humano sem indicação veterinária, e não vamos publicar doses. Há dois pormenores que vale a pena conhecer. O fluconazol, o antifúngico que mais vezes se encontra no armário de medicamentos lá de casa, tem apenas evidência fraca na dermatite canina por Malassezia. A nistatina oral não é absorvida no intestino, pelo que fisicamente não chega à pele, seja qual for a dose. E há um problema mais amplo: dar antifúngicos repetidamente sem controlar a alergia de fundo seleciona estirpes resistentes de M. pachydermatis, o que torna a crise seguinte mais difícil de resolver. Em Portugal, como em toda a União Europeia, a escolha de um medicamento para o cão cabe ao médico veterinário, que o receita ao abrigo do Regulamento (UE) 2019/6.

Vinagre sobre pele lesionada, e seja o que for num ouvido dorido

O vinagre de maçã (vinagre de sidra) é suficientemente ácido para causar queimaduras químicas. Elhage e colegas descreveram queimaduras e necrose dos tecidos depois de aplicação em pele lesionada. Pode também ser ototóxico se o tímpano estiver perfurado, e um tímpano perfurado não se vê do lado de fora. Nada entra num ouvido dorido antes da otoscopia. Quanto à eficácia, dois ensaios clínicos em pessoas com vinagre diluído tiveram resultados negativos (Luu e colegas, 2019, e um ensaio aleatorizado de 2021 publicado na PLOS One). Preferimos dizer-lhe isto a vender-lhe a ideia.

Uma palavra sobre o óleo de coco

A Malassezia é lipofílica: depende de gorduras para crescer, porque não consegue fabricar os seus próprios ácidos gordos. Pôr um óleo pesado sobre a pele afetada pode dar-lhe alimento em vez de lho tirar. É o exemplo mais claro de uma armadilha frequente: um ingrediente que trava leveduras numa placa de Petri pode fazer o contrário num cão vivo.

Para a análise, com base na evidência, de cada remédio popular (vinagre de maçã, óleo de coco e outros), veja o nosso guia de remédios caseiros para fungos no cão.

Porque é que os fungos no cão voltam sempre

A Malassezia pachydermatis é uma comensal. Vive em cães saudáveis, nos canais auditivos, à volta dos lábios e entre os dedos, sem causar problemas. O crescimento excessivo acontece quando as condições da pele mudam: humidade, gorduras da pele alteradas, uma barreira cutânea danificada ou uma resposta imunitária local enfraquecida.

As causas mais comuns, aproximadamente por ordem: dermatite atópica e hipersensibilidade alimentar; doenças endócrinas, como a doença de Cushing, o hipotiroidismo e a diabetes; uma piodermite bacteriana ao mesmo tempo; a anatomia, como pregas de pele profundas e orelhas caídas; e os tratamentos com corticosteroides.

Vale a pena perceber o mecanismo por trás das recaídas. Um estudo com testes de IgE específica contra a Malassezia encontrou este anticorpo em cerca de 60% dos cães com dermatite atópica não induzida por alimentos, contra 16% dos cães de comparação. Num cão alérgico, a levedura não se limita a irritar a pele: é um alergénio. Isto tem duas consequências que a maioria dos artigos ignora. Primeira: o número de leveduras na citologia não acompanha o sofrimento do cão. Uma população modesta pode provocar comichão intensa num cão sensibilizado. Segunda: reduzir a população de leveduras dá um alívio temporário e uma recaída quase certa, porque a sensibilização continua lá.

O ciclo funciona assim: a alergia provoca comichão, o cão lambe e mordisca, a saliva mantém a pele húmida, a humidade somada a uma barreira danificada deixa as leveduras multiplicarem-se, as leveduras provocam mais comichão num cão sensibilizado, e o cão lambe ainda mais. Qualquer intervenção que só quebre um elo falha. Controlar a alergia quebra o ciclo na origem. Explicamos este ciclo em pormenor no artigo sobre fungos recorrentes no cão.

O clima português e os fungos: calor, humidade e banhos

A Malassezia gosta de calor e de humidade, e Portugal oferece as duas coisas em alturas diferentes do ano. No verão, os banhos de mar, de rio ou de piscina deixam os ouvidos, as axilas e as pregas molhados durante horas. No outono e no inverno, a humidade do litoral, do Minho à área de Lisboa, e as patas que regressam encharcadas dos passeios à chuva mantêm húmida a pele entre os dedos. Na primavera, os pólenes reacendem a dermatite atópica nos cães alérgicos, e com ela a comichão que abre a porta às leveduras.

A anatomia faz o resto. Os Basset Hound, os West Highland White Terrier, os Cocker Spaniel e os Shih Tzu são raças frequentemente referidas pela literatura veterinária como predispostas a problemas por Malassezia, e as raças com pregas faciais profundas, como o Bulldog Francês, o Bulldog Inglês ou o Pug, acumulam humidade nas pregas. Um exemplo bem português: um Cão de Água Português que passa o verão a nadar na praia ou no rio, com as orelhas caídas e o pelo encaracolado que demora a secar, junta exatamente os dois ingredientes de que a levedura precisa: humidade e um canal auditivo pouco arejado.

Medidas simples que ajudam:

  • Secar bem com uma toalha a parte exterior das orelhas, as axilas e o espaço entre os dedos depois de cada banho de mar, de rio ou de piscina, e depois dos passeios à chuva.
  • Nas raças com pregas faciais, limpar e secar as pregas todos os dias.
  • Para a higiene de rotina dos ouvidos depois da praia, e só depois de o veterinário confirmar que o tímpano está íntegro, o limpador de ouvidos Pure Majesty Pets (26,95 €) tem pH de 5,0 a 5,5, ácido salicílico a 0,2% para amolecer o cerúmen, Aloe ferox a 10% e pantenol para acalmar, ciclodextrina para captar o odor e não leva clorexidina. É um produto de higiene, não um medicamento, e não substitui o tratamento de uma otite ativa.
  • Não deixar o cão dormir com a coleira ou o arnês molhados encostados às axilas.

Já está a seguir o plano do veterinário e quer apoio diário entre banhos?

As nossas gotas de apoio ao equilíbrio das leveduras foram concebidas para ajudar a manter a condição normal da pele, dos ouvidos e das patas enquanto o seu médico veterinário trata a causa de fundo, com a dose de cada ingrediente publicada no rótulo. 29,95 €, envio grátis e nada a pagar na entrega.

Ver as gotas de apoio às leveduras →

Cuidado de apoio; não substitui o diagnóstico veterinário nem o tratamento receitado.

Tratamento dos fungos no cão: o que funciona mesmo

Tratamento tópico, a base de tudo

As orientações de consenso da World Association for Veterinary Dermatology colocam a terapêutica tópica em primeiro lugar na dermatite por Malassezia. O regime de referência é um champô com miconazol a 2% e clorexidina a 2%, aplicado duas vezes por semana, com 10 minutos de contacto antes de enxaguar. O tempo de contacto é a parte que os donos saltam e é a parte que faz a diferença. Uma ensaboadela de 30 segundos serve de muito pouco.

Maynard e colegas (2011), num ensaio aleatorizado com 67 cães, registaram reduções da contagem de leveduras de pelo menos 88% com esta abordagem. Verificaram também que não havia diferença significativa entre a combinação de miconazol e clorexidina e a clorexidina a 3% usada sozinha, o que sugere que é a clorexidina a fazer grande parte do trabalho. É útil sabê-lo se o seu cão reagir mal a um dos produtos.

Em Portugal, um champô com esta combinação exata (miconazol e clorexidina, 20 mg/ml de cada), o Malaseb, da Dechra, está autorizado como medicamento veterinário sujeito a receita, segundo a base de dados europeia de medicamentos veterinários. O seu médico veterinário indicará o produto, a frequência e a duração. Para comparar os champôs disponíveis e perceber como cada um se usa, veja o nosso guia do champô para fungos no cão. Uma regra a reter: saltar o diagnóstico para poupar uma semana costuma custar um mês.

Passo a passo: o banho medicamentoso em casa

  1. Molhe bem todo o pelo com água morna, até chegar à pele.
  2. Aplique o champô receitado e massaje contra o sentido do pelo, insistindo nas pregas, nas axilas, na barriga e entre os dedos. Evite os olhos e não deixe entrar champô nos ouvidos.
  3. Conte 10 minutos no relógio do telemóvel. Um brinquedo ou um tapete de lamber ajuda o cão a esperar.
  4. Enxague com muita água, até não restar espuma.
  5. Seque completamente, sobretudo entre os dedos, nas axilas e nas pregas: a humidade que fica é exatamente o que a levedura procura.
  6. Repita com a frequência indicada (habitualmente duas vezes por semana) e não interrompa antes do fim do plano sem falar com o veterinário.

Antifúngicos orais, quando o tópico não chega

Nos casos generalizados ou que não respondem ao tópico, os médicos veterinários recorrem a antifúngicos sistémicos. A força da evidência varia e vale a pena saber qual é qual: o cetoconazol e o itraconazol têm evidência moderada na dermatite canina por Malassezia, enquanto o fluconazol e a terbinafina têm evidência fraca. São medicamentos com necessidade de vigilância do fígado e com interações medicamentosas reais. Em Portugal são sujeitos a receita médico-veterinária, e a dose cabe exclusivamente ao seu médico veterinário. A DGAV é a autoridade que autoriza e controla os medicamentos veterinários no país, e qualquer pessoa pode confirmar na Union Product Database se um medicamento veterinário está autorizado em Portugal.

Fungos nos ouvidos: a otite por Malassezia

Fotografia clínica real de secreção escura num cão com otite supurativa por Malassezia.
Um caso grave no ouvidoSecreção líquida escura no pavilhão auricular e à entrada do canal, num caso publicado de otite supurativa por Malassezia.
Fotografia: Nunes Rodrigues e Vandenabeele, 2021, Fig. 1 · CC BY 4.0. Redimensionada para apresentação. · Ver em tamanho real

A otite por leveduras trata-se com uma preparação auricular medicamentosa, depois de o exame com otoscópio confirmar que o tímpano está íntegro. Uma novidade que vale a pena conhecer: nos Estados Unidos, o DuOtic, que combina terbinafina com betametasona, foi aprovado a 15 de março de 2024 como o primeiro produto auricular para a otite canina por Malassezia sem antibiótico. Essa aprovação não se aplica automaticamente na União Europeia, onde os medicamentos veterinários são autorizados ao abrigo do Regulamento (UE) 2019/6. Num cão com otites recorrentes causadas apenas por leveduras, evitar antibióticos desnecessários é uma vantagem real, por isso pergunte ao seu médico veterinário que opções sem antibiótico existem cá. Depois de a otite estar controlada, a limpeza regular com um produto adequado ajuda a manter o canal limpo e seco.

A parte que decide o sucesso

Combater as leveduras sem identificar o que lhes permitiu crescer dá origem a um cão que melhora durante um mês e depois volta ao mesmo. Se este é o segundo episódio, pergunte ao seu médico veterinário por uma dieta de eliminação, por uma investigação de alergias ou por análises à tiroide e às glândulas suprarrenais. A alimentação é apenas uma das peças. Para uma explicação mais aprofundada de todas as opções, dos champôs medicamentosos aos fármacos sistémicos, leia o nosso guia completo sobre o tratamento de fungos no cão.

Quanto tempo demoram a passar os fungos no cão: dia 7, dia 14, dia 28

Ponto de controlo O que já deve ter mudado Se não mudou
Dia 7 Menos lambedura e menos comichão. Cheiro claramente mais fraco. Vermelhidão a começar a esbater-se. Pare e contacte o seu médico veterinário. Nenhuma melhoria aos 7 a 10 dias significa que o diagnóstico, o medicamento ou o tempo de contacto está errado.
Dia 14 A oleosidade desapareceu. A pele está mais perto da cor normal. Menos escamas. O cão já deixa mexer na zona. Nova citologia. Uma infeção bacteriana ao mesmo tempo é a explicação habitual.
Dia 28 Clinicamente resolvido, ou quase. O pelo volta a crescer. As alterações de cor podem durar meses, o que é esperado. Passe a conversa para a causa de fundo. Tratar crise atrás de crise não é um plano.

O limite de falha é de 7 a 10 dias. Piorar em qualquer momento, ou não haver mudança até ao dia 10, significa que a situação precisa de ser reavaliada, e não de mais do mesmo. Como referência geral, os casos ligeiros e localizados costumam melhorar na primeira semana e resolver-se em duas a quatro semanas; os casos crónicos, com pele espessa e escurecida, demoram seis a doze semanas.

Mitos e factos sobre fungos no cão

  • Mito: o seu cão apanhou isto de outro cão. A Malassezia pachydermatis já vive no seu cão. O crescimento excessivo é uma mudança de condições, não uma transmissão. (A tinha é outra história, como vimos acima.)
  • Mito: o açúcar da comida alimenta as leveduras. A Malassezia da pele depende de gorduras, não de açúcar. A alimentação conta sobretudo através da alergia.
  • Mito: mais leveduras na lâmina significa um cão mais doente. As contagens e a gravidade clínica não andam a par, porque os cães sensibilizados reagem com força a populações pequenas.
  • Mito: se voltou, o tratamento falhou. Normalmente o tratamento funcionou e a causa nunca foi tratada.
  • Facto: pode afetar pessoas, mas raramente. A M. pachydermatis está documentada como agente oportunista raro em pessoas imunodeprimidas, sobretudo em cuidados intensivos neonatais, transmitida pelas mãos. Para uma família saudável, o risco é desprezável. Lave as mãos depois de tratar o seu cão.

Sinais de alarme: quando levar o cão ao veterinário com urgência

Interrompa os cuidados em casa e contacte um médico veterinário se notar qualquer um destes sinais.

  • Dor, cabeça inclinada, perda de equilíbrio, movimentos rápidos dos olhos ou surdez aparente, que sugerem atingimento do ouvido médio ou interno
  • Secreção do ouvido com sangue ou pus, ou um ouvido tão dorido que o cão não deixa tocar
  • Pele com úlceras, a escorrer ou a sangrar
  • Febre, prostração, falta de apetite ou perda de peso
  • Beber e urinar mais do que o costume, queda de pelo simétrica ou barriga dilatada, que podem indicar uma doença endócrina
  • Qualquer agravamento, ou nenhuma melhoria, até ao dia 7 a 10
  • Cachorros, cães idosos, cadelas gestantes ou a amamentar, cães diabéticos ou qualquer cão a tomar medicação imunossupressora devem ser vistos cedo, e não tratados em casa

Se o seu cão estiver muito prostrado, com dor intensa ou a perder o equilíbrio fora do horário da sua clínica, contacte de imediato o seu médico veterinário ou um hospital veterinário com urgência 24 horas. Uma doença por leveduras grave e não tratada raramente é fatal por si só, mas pode ser o sinal visível de uma doença de fundo séria, e uma infeção bacteriana secundária num cão debilitado pode tornar-se perigosa.

Alimentação e suplementos para cães com fungos: o que a investigação mostra (e não mostra)

É a secção que a maioria das marcas deixa de fora, por isso vamos ser diretos sobre o ponto onde a evidência acaba.

Comparação entre os cuidados à superfície da pele e o apoio nutricional interno num cão com fungos

O que a investigação apoia. O zinco tem um papel bem descrito na saúde da pele do cão, a dermatose que responde ao zinco é uma doença reconhecida e o zinco contribui para a manutenção de uma pele e de um pelo normais. Os ácidos gordos ómega-3 de cadeia longa têm evidência na doença de pele alérgica do cão, onde podem apoiar o conforto da pele como parte de um plano mais amplo. Os estudos do microbioma canino encontram de forma consistente uma diversidade alfa mais baixa nos cães atópicos do que nos cães saudáveis.

O que a investigação não apoia, e que não vamos insinuar. A relação com o microbioma é uma associação e diz respeito à dermatite atópica, não ao crescimento excessivo de Malassezia. Ninguém demonstrou que a disbiose intestinal provoque o crescimento de leveduras na pele, nem que mudar o microbioma intestinal mude as populações de Malassezia à superfície da pele. A investigação atual não demonstra que a berberina, o extrato de orégãos ou o ácido caprílico, dados por via oral, reduzam a Malassezia na pele do cão. Estes ingredientes têm dados de laboratório que mostram atividade contra leveduras em cultura. Uma placa de Petri não é um cão. Uma dose oral tem de sobreviver à digestão, chegar ao sangue numa concentração relevante e alcançar a superfície da pele, e para estes compostos no cão essa cadeia não foi demonstrada.

Também não vamos imprimir uma concentração inibitória mínima de laboratório ao lado da nossa lista de ingredientes para deixar que tire a conclusão. As autoridades consideram essa justaposição enganosa, e é. Na União Europeia, os suplementos para cães são alimentos para animais, controlados em Portugal pela DGAV, e o Regulamento (CE) n.º 767/2009 proíbe que a rotulagem lhes atribua propriedades medicinais, ou seja, efeitos preventivos, terapêuticos ou curativos sobre uma doença. É por isso que falamos de apoio e nunca de tratamento.

Sobre os probióticos. Alguns produtos, incluindo o nosso, usam frações não vivas da parede celular de leveduras (pós-bióticos). Os estudos feitos com organismos vivos não se aplicam a frações não vivas, e citá-los seria enganoso. Não os citamos. O mesmo cuidado vale para a ideia, muito repetida, de que um probiótico «acaba com os fungos»: não há prova disso na pele do cão.

Onde um suplemento pode honestamente encaixar

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Depois do diagnóstico veterinário, depois do plano tópico e depois de a causa de fundo estar a ser tratada, o apoio nutricional tem um papel de complemento. Não é um tratamento.

As nossas gotas de apoio ao equilíbrio das leveduras para cães (29,95 €), uma fórmula de apoio e não um substituto dos cuidados veterinários descritos acima, assentam nessa premissa. Publicamos a composição completa, com a dose em miligramas de cada um dos 19 ingredientes ativos, o que é invulgar nesta categoria e é deliberado, porque a maioria dos concorrentes usa misturas proprietárias que escondem as doses. Ser transparente significa dizer-lhe que só algumas dessas doses têm evidência relevante. O zinco, a 2 mg por mililitro, contribui para a manutenção de uma pele e de um pelo normais e representa uma fração plausível das necessidades diárias de um cão de 10 kg. O óleo de salmão selvagem do Pacífico fornece ácidos gordos ómega-3 de cadeia longa. Os restantes ingredientes botânicos estão presentes em níveis bem inferiores aos usados nos estudos de laboratório a que estão associados, e dizemo-lo em vez de deixar que o nome de um ingrediente conhecido faça a persuasão. São de uso exclusivamente oral: misturam-se na comida e nunca se aplicam dentro do ouvido nem sobre pele irritada ou ferida.

Foram formuladas para acompanhar o plano de cuidados do seu médico veterinário, não para substituir qualquer parte dele. Se a comichão de fundo for alérgica, os mastigáveis para pele sensível e comichão (45,95 €) juntam óleos de salmão, sardinha, chia e borragem, quercetina, fitoceramidas, biotina e zinco para apoiar a barreira cutânea. E se o seu médico veterinário recomendar apoio digestivo, o nosso probiótico líquido para cães (31,95 €) reúne três culturas vivas (Saccharomyces boulardii, Bacillus coagulans e Bacillus subtilis), prebiótico MOS e tributirina num só frasco.

Precauções a conhecer antes de dar qualquer suplemento com plantas. O pau-d'arco contém lapachol, que tem um mecanismo anticoagulante semelhante ao da varfarina, pelo que deve ser evitado em cães a tomar anticoagulantes, com problemas de coagulação ou com uma cirurgia marcada. A berberina inibe as enzimas do citocromo P450 e pode alterar o metabolismo de outros medicamentos. Os ingredientes botânicos, incluindo a berberina, o alcaçuz, os orégãos e o pau-d'arco, não têm dados de segurança em cadelas gestantes ou a amamentar e devem ser evitados nesses casos. O zinco em suplemento pode interferir com a absorção do cobre se o seu cão já tomar outro suplemento mineral. Fale de qualquer suplemento com o seu médico veterinário, sobretudo se o seu cão tomar medicamentos receitados.

Pure Majesty Pets em Portugal

Apoio diário para cães com tendência para fungos

  • Gotas de apoio ao equilíbrio das leveduras, 29,95 €: 19 ingredientes com doses publicadas, incluindo zinco e óleo de salmão, para apoiar o equilíbrio natural das leveduras e ajudar a manter o conforto da pele, dos ouvidos e das patas. O nosso apoio mais direcionado para cães com fungos.
  • Mastigáveis para pele sensível e comichão, 45,95 €: ómega-3, quercetina e fitoceramidas para a barreira cutânea de cães alérgicos.
  • Limpador de ouvidos, 26,95 €: pH 5,0–5,5, sem clorexidina, com ciclodextrina contra o odor, para a higiene de rotina depois da praia.

Envio grátis para Portugal (e para todo o mundo). Envio DDP: direitos e IVA já pagos, nada a pagar na entrega. Fabrico na América do Norte segundo as boas práticas de fabrico (GMP), com certificado de análise (COA) para cada lote.

Perguntas frequentes

Os fungos no cão pegam-se às pessoas ou a outros cães?

Os fungos do tipo Malassezia praticamente não. Esta levedura é uma habitante normal da pele canina, por isso os outros cães já a têm. A infeção humana está documentada, mas é rara e limita-se sobretudo a pessoas imunodeprimidas e a unidades de cuidados intensivos neonatais, geralmente transmitida pelas mãos; lavar as mãos depois de tratar o cão chega numa casa saudável. A tinha (dermatofitose) é diferente: passa para pessoas e outros animais, por isso confirme com o veterinário qual das duas o seu cão tem.

Os fungos podem matar um cão?

Muito raramente, e quase nunca de forma direta. Num cão com o sistema imunitário normal, o crescimento excessivo de Malassezia é uma doença de pele, não uma doença geral. O perigo é indireto: uma doença grave sem tratamento pode abrir caminho a uma infeção bacteriana secundária séria, e leveduras espalhadas pelo corpo podem ser o sinal visível de uma doença endócrina não tratada, essa sim perigosa. Uma doença de pele que persiste ou se espalha deve ser investigada, não suportada.

Quanto tempo demoram a passar os fungos no cão?

Com o tratamento adequado, os casos ligeiros e localizados costumam melhorar em 7 dias e resolver-se em 2 a 4 semanas. Os casos crónicos, com a pele espessa e escurecida, demoram 6 a 12 semanas, e as alterações de cor podem durar mais tempo. Se não houver melhoria até ao dia 10, o plano tem de ser revisto com o veterinário.

Posso dar fluconazol (Diflucan) ao meu cão com fungos?

Só se o seu médico veterinário o receitar. O fluconazol tem evidência fraca na dermatite canina por Malassezia quando comparado com o cetoconazol ou o itraconazol, exige uma dose calculada pelo peso e vigilância do fígado, e interage com outros medicamentos. Os comprimidos de uso humano têm a dosagem errada, e em Portugal a decisão de dar um antifúngico ao cão pertence ao veterinário, mediante receita.

A água oxigenada ou o vinagre servem para tirar os fungos ao cão?

Não. A água oxigenada tem atividade antimicrobiana num tubo de ensaio, mas é tóxica para as células que reparam a pele e atrasa a cicatrização, e a pele com fungos está quase sempre arranhada. O vinagre de maçã pode provocar queimaduras químicas em pele lesionada e é perigoso num ouvido com o tímpano perfurado. Use antes o champô medicamentoso indicado pelo veterinário.

Posso fazer banhos às patas do meu cão com fungos?

Um banho antifúngico para as patas, receitado ou recomendado pelo seu médico veterinário, pode ajudar, sobretudo nos fungos entre os dedos, e secar muito bem a seguir é tão importante como o próprio banho. Não improvise banhos com vinagre ou água oxigenada sobre pele ferida ou em carne viva.

Em Portugal, uma pele a descamar pode ser leishmaniose e não fungos?

Pode. A leishmaniose é endémica em grande parte do país e provoca muitas vezes descamação seca, perda de pelo à volta dos olhos, feridas nas pontas das orelhas e unhas deformadas, sinais que se confundem com problemas de pele comuns. Ao contrário dos fungos, não melhora com champô e exige análises ao sangue. Se o seu cão vive ou passou férias no Alentejo, no Algarve, na região de Lisboa ou no Douro, peça ao veterinário que a exclua.

Fontes

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  • DGAV — Medicamentos veterinários — dgav.pt
  • DGAV — Alimentos para animais — dgav.pt
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  • ESCCAP — Conselho Científico Europeu sobre Parasitas dos Animais de Companhia — esccap.org

Este artigo destina-se a informação geral e não substitui o exame, o diagnóstico nem o tratamento feitos pelo seu médico veterinário. Os fungos no cão confirmam-se por citologia. Nunca comece, interrompa ou altere um medicamento do seu cão sem orientação veterinária e, se ele tiver dores, pele ou ouvidos a sangrar ou com corrimento, ou se estiver abatido, procure cuidados veterinários com rapidez.