Terceira pálpebra visível no cão: causas, olho de cereja e conselho veterinário

Close-up of a beagle's face illustrating a dog third eyelid showing in the inner corner of the eye

Se a terceira pálpebra do seu cão está visível, a membrana fina e pálida no canto interno do olho tornou-se visível quando normalmente fica escondida. Um breve aparecimento num cão relaxado ou sonolento é, em regra, inofensivo. Mas uma terceira pálpebra que se mantém levantada indica muitas vezes um problema no próprio olho ou nos nervos que o controlam — e algumas dessas causas exigem um médico veterinário no próprio dia. Este guia explica o que faz a membrana nictitante, porque se torna visível (incluindo o olho de cereja e a síndrome de Horner), como distinguir as causas de um só olho das causas dos dois olhos, o que o veterinário vai verificar e como são os cuidados seguros em casa depois de o olho ter sido avaliado.

Resposta rápida: um aparecimento ocasional da terceira pálpebra num cão sonolento é normal. Uma terceira pálpebra que se mantém levantada — sobretudo com o olho semicerrado, vermelhidão, secreção, um olho afundado ou saliente, ou uma massa vermelha no canto — justifica um exame veterinário. Alterações súbitas num só olho, ou as duas terceiras pálpebras levantadas num cão que parece doente, devem ser vistas rapidamente.

O que é a terceira pálpebra do cão (membrana nictitante)?

A terceira pálpebra, em termos médicos a membrana nictitante, fica no canto interno de cada olho — o canto medial, mais perto do focinho — e desliza pela superfície como um limpa-para-brisas quando o globo ocular recua. Raramente a vê, a não ser quando o cão está sonolento, mas trabalha constantemente para proteger e lubrificar a córnea (Merck Veterinary Manual).

Produz uma grande parte das lágrimas do seu cão

Na sua base há uma glândula lacrimal que produz uma parte significativa das lágrimas aquosas do olho — habitualmente cita-se cerca de um terço. Este facto é importante mais à frente: é por isso que os oftalmologistas veterinários reposicionam uma glândula prolapsada em vez de a remover.

Porque é que a terceira pálpebra do meu cão está visível?

A terceira pálpebra torna-se visível por duas grandes razões: a própria membrana muda — incha, ou a sua glândula sai do lugar — ou o globo ocular recua ou diminui de tamanho, e a membrana sobe passivamente para cobrir o espaço. Estas são as causas que os veterinários mais veem.

Olho de cereja (prolapso da glândula da terceira pálpebra)

«Olho de cereja» é o nome corrente do prolapso da glândula da membrana nictitante: a glândula lacrimal sai da posição e forma uma massa lisa, vermelha ou rosada, no canto interno. É a doença da terceira pálpebra mais frequente nos cães e aparece normalmente em animais jovens. Num estudo de cuidados primários no Reino Unido com mais de 905 000 cães, a prevalência a um ano foi de cerca de 0,2% e a idade mediana ao diagnóstico foi inferior a oito meses (O'Neill et al., 2022). Algumas raças são muito mais propensas do que outras: esse estudo encontrou probabilidades muito mais elevadas no Mastim Napolitano, no Bulldog Inglês, no Cane Corso, no Lhasa Apso e no Cocker Spaniel Americano, entre outros. Em Portugal, o Bulldog Francês, o Shih Tzu e outras raças braquicéfalas muito populares merecem a mesma atenção. O olho de cereja raramente é uma urgência, mas deve ser examinado e corrigido — veja abaixo porque é que a glândula é reposicionada e não removida, e o nosso guia completo sobre o olho de cereja no cão.

Um olho doloroso que recua para dentro da órbita

Quando um olho dói, o cão recolhe ligeiramente o globo ocular para dentro da órbita e a terceira pálpebra sobe para o proteger. Os desencadeantes comuns incluem um arranhão, um corpo estranho como uma espiga de gramínea — muito frequente nos passeios pelo campo português entre a primavera e o verão — ou uma úlcera da córnea. Se o seu cão também está a semicerrar ou a manter um olho fechado, a lacrimejar ou a fugir da luz, trate a situação como dolorosa e urgente — este padrão costuma ser num só olho e surge depressa.

Síndrome de Horner e outros problemas nervosos

A síndrome de Horner é uma perturbação da inervação simpática do olho. Produz um conjunto clássico de sinais do lado afetado: terceira pálpebra levantada, pupila mais pequena, pálpebra superior ligeiramente descaída e um olho com aspeto afundado (Zwueste e Grahn, 2019). É muitas vezes idiopática — nunca se encontra uma causa, e muitos cães recuperam ao fim de semanas a meses — mas também pode surgir após doença do ouvido médio, traumatismo ou problemas ao longo do pescoço e do tórax, por isso merece uma avaliação adequada em vez de esperar para ver em casa.

Um olho afundado, pequeno ou a diminuir

Tudo o que faz o olho ficar mais fundo ou parecer mais pequeno deixa a terceira pálpebra subir passivamente: desidratação, perda de peso rápida, perda da almofada de gordura atrás do olho em cães idosos, atrofia dos músculos da mastigação, ou um globo ocular naturalmente pequeno ou encolhido. Aqui a terceira pálpebra é um mensageiro de um problema de saúde mais geral, não uma doença ocular em si.

As duas terceiras pálpebras levantadas num cão doente — e a questão da «síndrome de Haw»

Quando as duas membranas estão levantadas ao mesmo tempo, olhe para o cão como um todo. A protrusão bilateral nos cães acompanha sobretudo desidratação, perda de peso, sedação ou doença geral — é por isso que os tutores notam muitas vezes a terceira pálpebra levantada quando o cão está doente. Pode ver o termo «síndrome de Haw» usado para as duas terceiras pálpebras levantadas num animal jovem e saudável; em rigor, essa condição que se resolve sozinha está descrita nos gatos, muitas vezes com perturbações digestivas, e não está bem documentada nos cães. Num cão, as duas terceiras pálpebras levantadas com apatia, vómitos, rigidez ou recusa em comer significam ir ao veterinário — raramente, um cão rígido com as duas membranas levantadas pode até indicar tétano. Em Portugal, uma doença sistémica como a leishmaniose — endémica no Alentejo, no Algarve, em Lisboa e Vale do Tejo e no Douro — pode também manifestar-se com perda de peso, olhos afundados e lesões oculares, mais uma razão para fazer análises a um cão que emagrece.

Um olho ou os dois? Uma forma rápida de ler a situação

O que vêCausas mais prováveisUrgência
Terceira pálpebra visível num olho, com olho semicerrado, lacrimejo ou o cão a coçar com a pataArranhão ou úlcera da córnea, corpo estranho, dor ocularConsulta veterinária no próprio dia
Um olho, com uma massa vermelha lisa no canto internoOlho de cereja (prolapso da glândula)Veterinário em 24–48 horas; antes se estiver vermelho, seco ou esfolado
Um olho, com pupila pequena, pálpebra descaída e aspeto afundadoSíndrome de HornerVeterinário em 24–48 horas para avaliação
Os dois olhos, cão bem-disposto, por momentos enquanto dormitaRelaxamento normal durante a sonolênciaVigiar; deve recolher quando o cão desperta
Os dois olhos, cão abatido, apático ou a comer malDesidratação, doença sistémica, perda de peso; raramente tétanoConsulta veterinária no próprio dia
Qualquer olho, após uma pancada, luta ou acidenteTraumatismo, lesão retrobulbarNo próprio dia, tratar como urgente

Olho de cereja: porque é que a glândula é reposicionada e não removida

Como o olho de cereja é tão frequente — e o velho atalho de «cortar e pronto» ainda circula — vale a pena dizê-lo com clareza. O nódulo prolapsado é uma glândula lacrimal que funciona. Removê-la pode deixar o olho cronicamente com falta de lágrimas: um estudo controlado em cães mostrou que a excisão da glândula da terceira pálpebra reduziu a produção de lágrimas e alterou a superfície ocular (Saito et al., 2001), aumentando o risco, para toda a vida, de queratoconjuntivite seca (olho seco). O padrão de cuidados é o reposicionamento cirúrgico, que volta a colocar a glândula no lugar (Cornell Riney Canine Health Center). Se alguma vez lhe sugerirem a remoção, pergunte primeiro pelo reposicionamento ou peça referência para um oftalmologista veterinário — em Portugal há médicos veterinários com prática dedicada à oftalmologia em vários hospitais de referência.

Sinais de alarme: quando uma terceira pálpebra visível exige o veterinário já

  • O olho parece doloroso — semicerrado, fechado, o cão a coçar com a pata ou a fugir da luz
  • Vermelhidão, opacidade ou secreção colorida (amarela ou verde)
  • Uma massa vermelha ou rosada saliente no canto interno
  • O olho parece afundado, saliente ou de tamanho diferente do outro
  • As duas terceiras pálpebras estão levantadas e o cão parece doente, sem apetite, rígido ou apático
  • Início súbito, ou qualquer alteração após uma pancada, queda ou briga

Se notar algum destes sinais, marque uma consulta para o próprio dia. Os olhos podem piorar depressa, e problemas como úlceras ou glaucoma são muito mais fáceis de tratar cedo. Para uma visão mais ampla, veja os nossos guias sobre a infeção ocular bacteriana no cão e a conjuntivite em cães.

Erros comuns a evitar

  • Empurrar a membrana ou a massa do olho de cereja com o dedo. Pode magoar a glândula e introduzir uma infeção.
  • Usar colírios para pessoas. As gotas descongestionantes e com corticoides formuladas para humanos podem agravar seriamente uma córnea canina arranhada ou ulcerada.
  • Esperar «mais uns dias» com um olho doloroso. Uma úlcera pode aprofundar-se depressa; olho semicerrado mais terceira pálpebra levantada é um problema para o próprio dia.
  • Deixar o cão esfregar o olho. Até à consulta, impeça-o de coçar e esfregar — um colar isabelino de uma intervenção anterior é útil aqui.

O que o médico veterinário vai verificar

Médico veterinário a examinar com uma luz oftálmica um cão com a terceira pálpebra visível

O exame da terceira pálpebra é rápido e indolor. O veterinário compara o tamanho das pupilas de cada lado, avalia a dor e faz normalmente dois testes simples: uma coloração com fluoresceína para detetar um arranhão ou úlcera da córnea, e um teste de Schirmer para medir a produção de lágrimas. Inspeciona também a própria membrana à procura de uma glândula prolapsada ou de cartilagem enrolada e, quando suspeita de síndrome de Horner, examina os ouvidos e a via neurológica ao longo do pescoço e do tórax. O seu médico veterinário está inscrito na Ordem dos Médicos Veterinários (OMV), e os colírios e pomadas de que o olho possa precisar são medicamentos veterinários de receita, regulados pelo Regulamento (UE) 2019/6.

O que anotar ou fotografar antes da consulta

  • Uma fotografia nítida do olho com boa luz, e outra do olho normal para comparação
  • Quando começou, se aparece e desaparece, e se é um ou os dois olhos
  • Olho semicerrado, secreção, alteração do apetite, vómitos, rigidez ou traumatismo recente
  • Qualquer produto já aplicado no olho — leve o frasco

Cuidados seguros em casa depois de o olho estar saudável

Os cuidados em casa não resolvem o olho de cereja, a síndrome de Horner nem uma lesão da córnea — estes precisam de tratamento veterinário, e nada do que se segue deve atrasar essa consulta. O que pode fazer com segurança, depois de um veterinário confirmar que o olho está saudável e confortável, é manter o canto interno limpo no dia a dia, o que importa sobretudo nas raças propensas a lacrimejar e a manchas. Limpe suavemente as crostas com uma compressa limpa e húmida e enxagúe o pó ou o pólen visível com uma solução ocular estéril e isotónica feita para cães — útil na primavera portuguesa, quando o pólen e as espigas abundam. Para uma rotina passo a passo, veja o nosso guia do limpador de olhos para cães.

Tutor a limpar suavemente a zona do olho do cão com uma compressa depois de o veterinário avaliar a terceira pálpebra

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Mitos e factos

  • Mito: o olho de cereja desaparece se o ignorar. Facto: a glândula pode voltar ao lugar temporariamente, mas o prolapso quase sempre reaparece e precisa normalmente de reposicionamento cirúrgico.
  • Mito: remover a glândula do olho de cereja é uma solução simples. Facto: a excisão reduz a produção de lágrimas e aumenta o risco de olho seco para toda a vida (Saito et al., 2001).
  • Mito: uma terceira pálpebra visível significa sempre que o olho está doente. Facto: problemas nervosos, desidratação e doença geral podem levantar a membrana sobre um globo ocular perfeitamente normal.
  • Mito: suplementos ou gotas conseguem pôr a terceira pálpebra no lugar. Facto: nenhum suplemento, solução de lavagem ou remédio caseiro reposiciona a terceira pálpebra ou a sua glândula; o diagnóstico e o tratamento cabem ao seu veterinário.

Perguntas frequentes sobre a terceira pálpebra visível no cão

A terceira pálpebra visível no cão é uma urgência?

Nem sempre. Um breve aparecimento num cão relaxado ou a dormir é normal. Torna-se urgente quando o olho parece doloroso, vermelho, opaco, afundado ou saliente, quando há secreção colorida ou uma massa vermelha no canto, ou quando as duas membranas estão levantadas e o cão parece doente.

Porque é que a terceira pálpebra do meu cão está visível só num olho?

As causas de um só lado incluem uma córnea dolorosa (arranhão, úlcera, corpo estranho), o olho de cereja e a síndrome de Horner. Uma única terceira pálpebra levantada com olho semicerrado ou lacrimejo sugere dor e deve ser examinada no próprio dia.

Porque é que a terceira pálpebra do meu cão sobe quando está doente?

A doença, a desidratação e a perda de peso podem fazer o globo ocular ficar mais fundo na órbita, deixando as duas terceiras pálpebras subir passivamente. As membranas costumam baixar à medida que o cão recupera, mas um cão doente com as duas terceiras pálpebras levantadas deve ser visto por um veterinário.

O olho de cereja desaparece sozinho?

Raramente de forma definitiva. A glândula pode voltar ao lugar por pouco tempo, mas precisa normalmente de reposicionamento cirúrgico. Deixá-la exposta arrisca secura e inflamação, por isso mande examiná-la mesmo que pareça melhor em alguns dias.

Posso empurrar eu próprio o olho de cereja do meu cão?

Não. A manipulação em casa pode lesionar a glândula delicada e introduzir uma infeção. Mantenha a zona limpa, impeça o cão de a esfregar e deixe o veterinário reposicioná-la corretamente.

A terceira pálpebra do meu cão só aparece quando tem sono — é normal?

Normalmente sim. Muitos cães mostram a membrana quando adormecem ou relaxam por completo, e ela recolhe assim que ficam alerta. Se continuar visível quando o cão está acordado e ativo, mande verificar.

Referências científicas

  1. O'Neill DG, Yin Y, Tetas Pont R, Brodbelt DC, Church DB, Pegram C, Mustikka M. Breed and conformational predispositions for prolapsed nictitating membrane gland (PNMG) in dogs in the UK: A VetCompass study. PLoS One. 2022;17(1):e0260538. PMID: 35081121.
  2. Zwueste DM, Grahn BH. A review of Horner's syndrome in small animals. Canadian Veterinary Journal. 2019;60(1):81–88. PMID: 30651655.
  3. Saito A, Izumisawa Y, Yamashita K, Kotani T. The effect of third eyelid gland removal on the ocular surface of dogs. Veterinary Ophthalmology. 2001;4(1):13–18. PMID: 11397314.
  4. Eye Structure and Function in Dogs. Merck Veterinary Manual, Dog Owners edition.
  5. Cherry eye in dogs. Riney Canine Health Center, Cornell University College of Veterinary Medicine.
  6. Regulamento (UE) 2019/6 relativo aos medicamentos veterinários; Regulamento (CE) n.º 767/2009 relativo à colocação no mercado e à utilização de alimentos para animais.

Este artigo é informativo e não substitui o aconselhamento, o diagnóstico nem o tratamento veterinário profissional. Se a terceira pálpebra do seu cão estiver visível com dor, secreção ou alterações no olho, contacte o seu médico veterinário. Os produtos Pure Majesty Pets apoiam a higiene ocular de rotina e o conforto diário; não são medicamentos e não tratam, curam nem previnem o olho de cereja, a síndrome de Horner, as infeções oculares nem qualquer outra doença.