Uma infeção ocular bacteriana no cão é uma proliferação de bactérias à superfície do olho, geralmente na conjuntiva e por vezes na córnea, que provoca vermelhidão, inchaço e uma secreção espessa, amarela ou esverdeada. Precisa de um exame veterinário, porque o gesto mais útil do médico veterinário não é receitar umas gotas: é excluir primeiro uma úlcera da córnea. E há um dado que quase nenhum artigo refere: na maior série publicada de cães observados por suspeita de queratite bacteriana, 46,2% das culturas da córnea não deixaram crescer nada (Hewitt et al., Frontiers in Veterinary Science, 2020).
Esse número muda a forma de olhar para o problema. Quase metade dos olhos com aspeto suficientemente infetado para justificar uma cultura não tinha uma população bacteriana detetável. Se está na cozinha a pensar se deve pegar numa bisnaga de pomada que sobrou de outra vez, é esta a estatística a reter. Em Portugal, colírios e pomadas com antibiótico ou corticoide são medicamentos veterinários sujeitos a receita, e há boas razões para isso, como vai ver. Para o apoio diário e não medicamentoso aos olhos entre episódios, as nossas gotas Visão avançada para cães são um suplemento antioxidante à base de plantas: uma rotina de bem-estar, não um tratamento para uma infeção ativa.
Que bactérias crescem num olho de cão infetado
Hewitt e colegas analisaram 476 cães com queratite ulcerativa num centro de referência do Midwest norte-americano e isolaram 465 bactérias. A distribuição é mais estreita do que a maioria dos tutores imagina.
| Microrganismo | Percentagem dos isolados | Porque importa |
|---|---|---|
| Staphylococcus (género) | 32,3% | O mais frequente; só o S. pseudintermedius representou 26,7% |
| Streptococcus (género) | 19,1% | S. canis 12%; as estirpes beta-hemolíticas estão associadas às úlceras que «derretem» |
| Pseudomonas (género) | 12,5% | P. aeruginosa 7,5%; o exemplo clássico de úlcera com destruição rápida da córnea |
| Sem crescimento | 46,2% das culturas | Olhos clinicamente suspeitos que não deram qualquer resultado |
Nessa série, dois grupos de raças estavam sobrerrepresentados em comparação com os cães sem raça definida: os braquicéfalos e os terriers de pequeno porte. Os autores destacam o Boston Terrier, o Cavalier King Charles Spaniel, o Pinscher miniatura, o Pug, o Rat Terrier, o São Bernardo, o Shih Tzu e o Silky Terrier. Pugs e Shih Tzus são hoje muito comuns nas casas portuguesas; se o seu cão está nesta lista, o limiar para marcar consulta deve ser mais baixo do que a média.
Cultura positiva não é igual a infeção: olhos saudáveis também têm bactérias
Uma zaragatoa da conjuntiva de um cão perfeitamente saudável dá positivo com uma frequência surpreendente. Prado e colegas cultivaram 120 amostras de cães clinicamente normais e isolaram microrganismos em 47 delas, ou seja, 39% (Veterinary Ophthalmology, 2005). No conjunto da literatura baseada em culturas, o valor para olhos caninos saudáveis situa-se aproximadamente entre 29% e 45%, dominado por residentes Gram-positivos como Staphylococcus, Streptococcus, Bacillus e Micrococcus.
Assim, uma cultura positiva, por si só, não prova uma infeção. O que diz a um médico veterinário que as bactérias são o problema é a combinação dos sinais clínicos, da citologia de uma raspagem da conjuntiva, do teste de fluoresceína e, quando o olho não responde, de uma cultura com teste de sensibilidade aos antibióticos (antibiograma). É exatamente por isso que «o olho do meu cão parece infetado, que antibiótico compro?» é a pergunta errada, e porque comparar o olho do seu cão com fotografias na internet só o leva até meio caminho.
Resistência aos antibióticos em subida rápida: o que muda nos cuidados em casa
Na mesma série de 476 cães, a multirresistência, isto é, resistência a três ou mais classes de antibióticos, foi encontrada em cerca de 20% de todos os isolados e em 33% dos estafilococos. O mais impressionante é a tendência ao longo do período estudado: a proporção de isolados da córnea multirresistentes passou de 5% em 2016 para 34% em 2020. Os autores descreveram-na como alarmante e crescente.
Essa curva é o argumento mais forte contra três hábitos domésticos muito comuns: acabar um frasco antigo de gotas antibióticas de um episódio anterior, usar um colírio receitado para outro animal da casa e parar o tratamento mais cedo porque o olho «já parece melhor». É também a lógica da regulamentação europeia: o Regulamento (UE) 2019/6, relativo aos medicamentos veterinários, reserva os antimicrobianos à receita veterinária, e em Portugal a DGAV é a autoridade que autoriza e controla estes medicamentos.
Sensibilidade dos isolados a preparações oftálmicas habituais, segundo o mesmo estudo:
| Preparação oftálmica | Isolados sensíveis |
|---|---|
| Cloranfenicol | 83% |
| Ceftiofur | 79% |
| Amicacina | 77% |
| Neomicina–polimixina B–bacitracina (antibiótico triplo) | 77% |
| Gentamicina | 74% |
Estes valores são publicados para orientar os médicos veterinários quando escolhem uma terapêutica empírica enquanto esperam pelo resultado de uma cultura. Não são uma lista de compras. Nada nesta tabela deve ser comprado ao balcão e pingado no olho de um cão sem exame prévio, pela razão explicada na secção seguinte.
A regra das 24 horas: porque o teste de fluoresceína vem primeiro
O Merck Veterinary Manual é direto. As úlceras profundas e as úlceras que «derretem» (queratomalacia), associadas sobretudo a espécies de Pseudomonas ou a estreptococos beta-hemolíticos, envolvem proteases e colagenases libertadas pelas bactérias, pelos próprios neutrófilos do cão e pelas células da córnea em degeneração. Essa destruição do colagénio da córnea pode evoluir para um descematocelo e para a perfuração da córnea em 24 horas.
O mesmo manual assinala o sinal visual que vale a pena memorizar: um infiltrado branco e denso na margem ou no leito da úlcera indica forte atração de leucócitos e envolvimento bacteriano. Se vê uma mancha branca ou cinzenta na parte transparente do olho do seu cão, isso é uma consulta no próprio dia, não um «vamos ver como acorda amanhã». O nosso artigo sobre a úlcera na córnea do cão descreve os sintomas e o tratamento em pormenor.
Daqui decorre a regra que protege mais olhos de cães do que qualquer outra. Os corticoides tópicos inibem a regeneração do epitélio e podem potenciar a atividade das colagenases, transformando uma erosão superficial numa úlcera em queratomalacia. É por isso que nenhuma gota com corticoide deve entrar no olho de um cão antes de ser feito um teste de fluoresceína. Muitos colírios humanos e veterinários que ficam esquecidos no armário contêm um corticoide, e o rótulo raramente o torna evidente para um tutor às nove da noite. A análise completa do que é seguro e do que não é está no nosso guia de gotas para os olhos do cão sem receita.
Infeção bacteriana, alergia ou outra coisa? Tabela de triagem
A cor e a espessura da secreção são os sinais em que os tutores mais confiam, e valem menos do que a sua fama. O Merck afirma claramente que o aspeto da conjuntiva não é, em regra, suficientemente característico para sugerir o agente causal. Um sistema de graduação da conjuntivite alérgica canina, desenvolvido em 122 cães, inclui expressamente a «secreção seromucosa a mucopurulenta» entre os sinais da doença: uma secreção espessa e colorida é perfeitamente compatível com alergia (BMC Veterinary Research, 2023).
O que mais se aproxima de uma regra de previsão pela cor vem da medicina humana. Rietveld e colegas, num estudo de coorte com 184 adultos, verificaram que uma vermelhidão completa da conjuntiva, a ponto de esconder os vasos da pálpebra, tinha uma razão de verosimilhança de 4,6 para causa bacteriana; a secreção purulenta observada, 3,9; e os dois olhos colados de manhã, 3,6 (BMJ, 2004). São números humanos. Não existe um conjunto de dados equivalente para cães, e não vamos fingir o contrário.
| Padrão | Aponta para | O que não esclarece |
|---|---|---|
| Só um olho, início súbito, doloroso, cão a semicerrar o olho | Corpo estranho (por exemplo, uma pragana), úlcera, dacriocistite | Se há ou não bactérias envolvidas |
| Os dois olhos, comichão, sazonal, cão a esfregar a cara | Conjuntivite alérgica | A secreção pode ser mucopurulenta na mesma |
| Secreção espessa, pegajosa, recorrente, filme lacrimal pobre | Olho seco (QCS) com infeção secundária | É preciso um teste de Schirmer para confirmar |
| Mancha branca ou cinzenta na córnea | Úlcera com envolvimento bacteriano | Nada: é uma urgência em qualquer caso |
Em Portugal, dois contextos sazonais encaixam bem nesta tabela. Entre o fim da primavera e o verão, as praganas (espiguetas de gramíneas secas) dos campos, das bermas e dos terrenos baldios entram com facilidade no saco conjuntival e são uma causa clássica de olho único, doloroso e semicerrado. Na primavera, os pólenes de gramíneas, oliveira e parietária desencadeiam conjuntivites alérgicas nos dois olhos. Se o quadro do seu cão está mais perto da comichão do que da dor, comece pelo nosso artigo sobre alergia nos olhos do cão ou infeção. Uma secreção dominante, vermelhidão sem secreção ou um cão que mantém um olho fechado são sinais que, por si sós, não identificam a causa: a tabela acima e o exame veterinário continuam a ser o ponto de partida.
A causa por trás da infeção ocular recorrente: o olho seco
Quando um cão tem a mesma «infeção no olho» três vezes por ano, a infeção é geralmente o sintoma e a queratoconjuntivite seca (QCS) é a doença. Um filme lacrimal demasiado fino deixa de lavar a superfície do olho, e as bactérias que lá vivem normalmente ficam com o caminho livre.
O'Neill e colegas analisaram os registos de 363 898 cães seguidos em clínicas de cuidados primários no Reino Unido e encontraram 1456 casos de QCS: uma prevalência global de 0,40%, com um risco de incidência a um ano de 0,12% (Journal of Small Animal Practice, 2021). É no risco por raça que o estudo se torna realmente útil:
| Raça | Probabilidade de QCS face a cães sem raça definida |
|---|---|
| Cocker Spaniel Americano | 52,3× |
| Bulldog Inglês | 38,0× |
| Pug | 22,1× |
| Lhasa Apso | 21,6× |
| Labrador Retriever | 0,23× (protetor) |
| Border Collie | 0,30× (protetor) |
O exame é o teste de Schirmer: uma tira de papel colocada na pálpebra inferior durante 60 segundos. Abaixo de 15 mm/min o valor é subnormal; entre 11 e 14 mm/min a resposta ao tratamento costuma ser boa; abaixo de 11 mm/min é preciso um controlo mais intensivo. Custa muito pouco e demora um minuto; se o seu cão está nesta lista de raças, vale a pena pedi-lo pelo nome na próxima consulta. Em Portugal há outra causa a ter em conta nos olhos que «nunca ficam bons»: a leishmaniose, endémica no Alentejo, no Algarve, em Lisboa e Vale do Tejo e no Douro e Trás-os-Montes, pode manifestar-se com blefarite, conjuntivite, queratoconjuntivite ou uveíte. Um cão com problemas oculares recorrentes, sobretudo se também emagrecer, perder pelo à volta dos olhos ou tiver as unhas muito compridas, deve ser testado. Muitos cães com este padrão acabam por ter olho seco e não uma infeção primária.
Erros comuns dos tutores perante um olho de cão infetado
- Usar colírios humanos «para olhos vermelhos». Os vasoconstritores do grupo das imidazolinas, como a tetrahidrozolina e a nafazolina, são tóxicos para os cães, com registo de vómitos, bradicardia, hipotensão, letargia, ataxia e colapso. Além disso, branqueiam o olho e escondem precisamente o sinal que o médico veterinário precisa de ver.
- Pegar num colírio com corticoide que sobrou. Explicado acima. É o erro que transforma uma erosão tratável numa cirurgia.
- Esperar que passe o fim de semana. A janela de perfuração publicada para uma úlcera em queratomalacia é de 24 horas. Em Portugal há hospitais veterinários com urgência 24 horas nas principais cidades; ao sábado à noite, um olho com mancha branca justifica a deslocação.
- Tratar um olho e ignorar o outro. Sinais nos dois olhos afastam a hipótese de corpo estranho e apontam para alergia, olho seco ou uma causa sistémica.
- Limpar em direção ao olho. Limpe sempre do canto interno para fora, com uma compressa nova para cada olho.
- Esperar que um suplemento resolva uma infeção. Não resolve, e nenhuma marca honesta dirá o contrário.
O que pode esperar, semana a semana
| Prazo | O que é realista |
|---|---|
| 0–24 horas | Exame veterinário, teste de fluoresceína e início do tratamento. A dor e o olho semicerrado devem começar a aliviar depois de iniciada a terapêutica. |
| 48–72 horas | A secreção fica mais fluida e em menor quantidade. Ausência de melhoria às 72 horas é motivo para voltar à clínica, não para insistir. |
| 1–2 semanas | Uma conjuntivite simples está geralmente resolvida. A cicatrização de uma úlcera superficial é acompanhada pela redução da retenção de fluoresceína, não pelo aspeto do olho visto do outro lado da sala. |
| Mais de 2 semanas, ou terceiro episódio | Peça um teste de Schirmer e, se ainda não foi feita, uma cultura com antibiograma. Há algo subjacente a manter o problema. |
Mitos e factos sobre a infeção ocular no cão
| Mito | O que dizem os dados |
|---|---|
| «Secreção verde significa bactérias.» | O verde vem da mieloperoxidase dos neutrófilos. Indica a intensidade da resposta imunitária, não o que a desencadeou. A secreção mucopurulenta também está documentada na conjuntivite alérgica canina. |
| «Uma cultura positiva prova a infeção.» | Cerca de 29–45% dos olhos de cães saudáveis dão cultura positiva. |
| «Lavar com soro resolve.» | O soro fisiológico estéril sem conservantes é uma medida razoável enquanto espera pela consulta. Não é um tratamento. |
| «A pomada de antibiótico triplo é inofensiva, por isso experimento.» | Uma sensibilidade de 77% na série de 2020 é razoável, mas a razão para ir ao veterinário é a úlcera que não se vê sem fluoresceína. E em Portugal essa pomada só se obtém com receita. |
| «Um suplemento para os olhos combate a infeção.» | Nenhum suplemento trata, cura ou previne uma infeção ocular bacteriana. Não há qualquer prova em cães que sustente essa alegação, e nós não a fazemos. |
Limpar à volta do olho durante o tratamento
A higiene da superfície é a única coisa que o tutor controla verdadeiramente entre consultas. Limpe do canto interno para fora, com uma compressa nova para cada olho, nunca em direção ao olho, e use uma solução estéril em vez de um pano humedecido na torneira. As nossas gotas para os olhos do cão são uma solução estéril de grau oftálmico, com pH 7,0–7,2 ajustado às lágrimas, que ajuda a soltar as remelas e secreções secas das pálpebras e do pelo à volta do olho, com hialuronato de sódio, camomila, aloé vera, fitato de sódio e pró-vitamina B5. Não são um colírio medicamentoso e não substituem nada do que o seu médico veterinário receitar; se estiver a aplicar um colírio prescrito, pergunte-lhe quanto tempo deve esperar entre os dois.
Onde um suplemento diário para os olhos faz realmente sentido
Não durante uma infeção aguda, e não em vez do veterinário. O papel honesto é o período tranquilo entre episódios: apoio antioxidante continuado a um olho que envelhece, a par de uma boa higiene, enquanto o problema médico é tratado medicamente.
A base de evidência em cães para nutrientes orais destinados aos olhos é escassa e merece ser descrita como escassa. Um estudo de 2016 no Journal of Nutritional Science, com 12 Beagles saudáveis de 6 a 8 anos durante 6 meses, observou respostas maiores no eletrorretinograma e uma alteração menor do erro refrativo nos cães que receberam um complexo antioxidante: um estudo pequeno, com marcadores eletrofisiológicos e não resultados clínicos, que testou uma mistura de vários ingredientes e não um nutriente isolado (Wang et al., PMID 27293555). A luteína demonstrou, num estudo separado, estimular a resposta imunitária sistémica em cães (Kim et al., PMID 10802297): um estudo sobre imunidade, não sobre olhos, que só referimos porque é muitas vezes citado noutros sítios como prova ocular. A investigação atual não prova de forma sólida que algum suplemento oral melhore a evolução de uma infeção ocular canina.
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Se está a comparar suplementos para os olhos do cão, leia o rótulo antes da promessa. Em Portugal encontra também suplementos oculares e soluções de limpeza em lojas de animais como a zooplus.pt, a Kiwoko ou a Tiendanimal e nas clínicas veterinárias; o critério é o mesmo para qualquer marca: ingredientes identificados pelo nome, dose ajustável ao peso e nenhuma promessa de «tratar» uma infeção.
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Quando ir ao veterinário de imediato
- O seu cão mantém o olho fechado, pisca com força ou leva a pata ao olho
- Qualquer mancha branca, cinzenta ou turva na superfície transparente do olho
- O olho parece azulado, enevoado ou com uma depressão
- Alteração súbita do tamanho da pupila ou aparente perda de visão
- Sinais que pioram de hora para hora e não de dia para dia
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Nestes casos, contacte de imediato o seu médico veterinário ou um hospital veterinário com urgência 24 horas. A Ordem dos Médicos Veterinários regula a profissão em Portugal, e muitos centros de referência têm consulta de oftalmologia veterinária.
Perguntas frequentes
Como sei se a infeção no olho do meu cão é bacteriana?
Não é possível saber em casa, nem por uma fotografia. O Merck Veterinary Manual afirma que o aspeto da conjuntiva não é, em regra, suficientemente característico para identificar a causa. O diagnóstico assenta na história clínica, no exame, em raspagens e culturas da conjuntiva, no teste de Schirmer e no teste de fluoresceína.
Uma infeção ocular bacteriana no cão pode passar sozinha?
Uma irritação ligeira da superfície às vezes resolve-se. O risco é que aquilo que parece uma conjuntivite seja uma úlcera, e uma úlcera em queratomalacia pode perfurar em 24 horas. Essa assimetria de risco é a razão pela qual esperar é uma má aposta.
Que antibiótico se usa numa infeção no olho do cão?
É uma decisão veterinária, tomada depois de um teste de fluoresceína. Na série de 2020, o antibiótico triplo (neomicina–polimixina B–bacitracina) foi eficaz contra 77% dos isolados e o cloranfenicol contra 83%, mas 20% dos isolados eram multirresistentes e essa proporção subiu fortemente ao longo do período estudado.
Posso comprar colírio antibiótico para o cão na farmácia sem receita?
Não. Em Portugal e no resto da União Europeia, os colírios e pomadas com antibiótico ou corticoide para animais são medicamentos veterinários sujeitos a receita, ao abrigo do Regulamento (UE) 2019/6. Sem receita pode usar soro fisiológico estéril sem conservantes ou uma solução de limpeza ocular para retirar secreções enquanto espera pela consulta.
Posso pôr gotas para os olhos humanas no meu cão?
Soro fisiológico estéril sem conservantes para lavar, sim, como medida provisória. As gotas para olhos vermelhos com imidazolinas são tóxicas para os cães. Qualquer gota com corticoide nunca deve ser usada antes de um teste de fluoresceína excluir uma úlcera.
Porque é que o meu cão tem sempre infeções nos olhos?
A recorrência aponta geralmente para uma causa subjacente, na maioria das vezes o olho seco. Peça um teste de Schirmer, sobretudo se o seu cão for um Cocker Spaniel Americano, um Bulldog Inglês, um Pug ou um Lhasa Apso, raças com uma probabilidade de QCS 22 a 52 vezes superior à dos cães sem raça definida.
Um suplemento para os olhos ajuda um cão com infeção ocular?
Nenhum suplemento trata, cura ou previne uma infeção ocular. O Visão avançada é um suplemento antioxidante diário de bem-estar para o apoio ocular continuado e foi concebido para acompanhar os cuidados veterinários, nunca para os substituir.
Fontes
- Hewitt JS, Allbaugh RA, Kenne DE, Sebbag L. "Prevalence and Antibiotic Susceptibility of Bacterial Isolates From Dogs With Ulcerative Keratitis in Midwestern United States," Front Vet Sci (2020), DOI 10.3389/fvets.2020.583965 — frontiersin.org
- Prado MR et al. "Survey of bacterial microorganisms in the conjunctival sac of clinically normal dogs and dogs with ulcerative keratitis," Vet Ophthalmol (2005), DOI 10.1111/j.1463-5224.2005.04061.x — Wiley
- Merck Veterinary Manual, "The Cornea in Animals" — merckvetmanual.com
- Merck Veterinary Manual, "The Conjunctiva in Animals" — merckvetmanual.com
- O'Neill DG et al. "Keratoconjunctivitis sicca in dogs under primary veterinary care in the UK," J Small Anim Pract (2021), DOI 10.1111/jsap.13382 — Wiley
- "Diagnostic approach and grading scheme for canine allergic conjunctivitis," BMC Vet Res (2023), DOI 10.1186/s12917-022-03561-5 — Springer
- Rietveld RP et al. "Predicting bacterial cause in infectious conjunctivitis," BMJ (2004), PMID 15201195 — PubMed
- Wang W et al. "Antioxidant supplementation increases retinal responses and decreases refractive error changes in dogs," J Nutr Sci (2016), PMID 27293555 — PubMed
- Kim HW et al. "Dietary lutein stimulates immune response in the canine," Vet Immunol Immunopathol (2000), PMID 10802297 — PubMed
- "Imidazolines Are Toxic To Pets" (toxicidade das imidazolinas) — petpoisonhelpline.com
- Regulamento (UE) 2019/6, relativo aos medicamentos veterinários — EUR-Lex
- DGAV, Medicamentos veterinários — dgav.pt
- Ordem dos Médicos Veterinários — omv.pt
Nota veterinária: este artigo tem fins informativos e não substitui o aconselhamento do seu médico veterinário. Os suplementos Pure Majesty Pets são produtos nutricionais e não se destinam a diagnosticar, tratar, curar ou prevenir qualquer doença. Os problemas oculares no cão podem agravar-se depressa: consulte sempre o seu médico veterinário perante vermelhidão, secreção, turvação, olho semicerrado ou qualquer alteração súbita nos olhos do seu cão.