Pibble: o que significa, raças incluídas e factos reais

Pibble dog: smiling brindle American Pit Bull Terrier sitting in a park at sunset

Um cão pibble não é uma raça: «pibble» é a alcunha carinhosa dos cães do tipo pit bull, e nenhum clube canino regista um pibble. A palavra é uma deformação afetuosa de «pit bull», popularizada por associações de resgate e de defesa dos animais que achavam que o rótulo oficial carregava um estigma que estes cães não mereciam. Quando alguém diz pibble, refere-se normalmente a um American Pit Bull Terrier, a um American Staffordshire Terrier, a um Staffordshire Bull Terrier, a um American Bully ou, na maioria dos casos, a um cão cruzado de cabeça larga e pelo curto que se parece com um deles. Em Portugal há um pormenor que muda tudo: três dessas raças constam da lista oficial de cães potencialmente perigosos, a DGAV considera a quarta, o American Bully, também potencialmente perigosa, e a lei estende-se aos cruzamentos com tipologia semelhante, com licença, seguro e açaime obrigatórios.

Resposta rápida: um cão pibble é qualquer cão do tipo pit bull, normalmente um American Pit Bull Terrier, um American Staffordshire Terrier, um Staffordshire Bull Terrier, um American Bully ou um cruzado parecido com eles. A palavra é uma versão carinhosa de «pit bull» usada pelas comunidades de resgate. Descreve um aspeto e um estilo, não uma raça registada. Em Portugal, o pit bull terrier, os dois Staffordshire e os cruzamentos com tipologia semelhante são legalmente cães potencialmente perigosos, e a DGAV trata o American Bully da mesma forma.

É nesse grupo de cruzados que vive a maior parte da confusão, e é a coisa mais útil a perceber sobre os pibbles antes de adotar um.

Porque é que «pibble» descreve um aspeto e não uma linhagem

«Pit bull» funciona como uma categoria visual, não genética. Um estudo de 2015 publicado na The Veterinary Journal testou isto diretamente: os investigadores pediram aos funcionários de abrigos para animais, incluindo quatro médicos veterinários, que identificassem cães pelo aspeto, e compararam depois essas classificações com perfis de raça obtidos por ADN. Os funcionários classificaram coletivamente 62 dos cães (52%) como tipo pit bull, enquanto os perfis de ADN identificaram apenas 25 (21%). A concordância entre observadores variou entre fraca e moderada, e a sensibilidade para reconhecer um cão realmente do tipo pit bull foi de 33% a 75%, consoante quem observava (Olson et al., The Veterinary Journal, 2015).

Daqui resultam duas consequências práticas. Primeiro, o cão identificado como «cruzado de pit bull» na ficha de um canil pode ter pouca ou nenhuma ascendência pit bull. Segundo, e isto pesa muito mais do que devia, um cão pode ser tratado como raça restrita por um senhorio, por uma seguradora ou por uma autarquia com base num palpite. Em Portugal, onde a lei abrange os cruzamentos «com tipologia semelhante» às raças da lista, esse palpite visual pode decidir se o seu cão precisa de licença especial, seguro obrigatório e açaime.

Que raças abrange o termo pibble?

Quatro raças reconhecidas cabem no termo, mais uma enorme população de cruzados. Os padrões dos respetivos registos são realmente diferentes entre si. Para um leitor português, contam ainda duas perguntas: a raça é reconhecida pela FCI, a federação a que pertence o Clube Português de Canicultura (CPC)? E a lei portuguesa considera-a potencialmente perigosa?

Raça Registo Tamanho segundo o padrão Em Portugal (Portaria n.º 422/2004 e DGAV) Notas
American Pit Bull Terrier UKC; não reconhecido pela AKC nem pela FCI, por isso sem registo no LOP do CPC Machos 15,9–27,2 kg e 46–53 cm; fêmeas 13,6–22,7 kg e 43–51 cm Consta da lista como «pit bull terrier»: cão potencialmente perigoso O padrão do UKC afirma que o equilíbrio importa mais do que o tamanho absoluto e penaliza os cães «excessivamente grandes ou demasiado maciços»
American Staffordshire Terrier AKC (grupo dos terriers) e FCI, padrão n.º 286 (Grupo 3, Secção 3, terriers de tipo bull) Machos 46–48 cm; fêmeas 43–46 cm à cernelha Consta da lista como «Staffordshire terrier americano» Padrão aprovado em 1936; partilha raízes históricas com o APBT
Staffordshire Bull Terrier AKC (grupo dos terriers) e FCI, padrão n.º 76 (Grupo 3, Secção 3) FCI: 35,5–40,5 cm; machos 12,7–17 kg, fêmeas 11–15,4 kg. AKC: 36–41 cm; machos 12,7–17,2 kg, fêmeas 10,9–15,4 kg Consta da lista como «Staffordshire bull terrier» Claramente mais pequeno: muitas vezes confundido, já adulto, com um «pibble» cachorro
American Bully UKC (reconhecido em 2013); não reconhecido pela FCI Variedades Pocket, Standard e XL Não consta da lista da portaria, mas a DGAV considera-o cão potencialmente perigoso Desenvolvido a partir do APBT com influência de bulldog; constituição mais pesada e maciça
«Cruzado de pit bull» Nenhum Muito variável Abrangido se resultar de cruzamento destas raças e tiver tipologia semelhante De longe o maior grupo, e o mais vezes mal identificado

Repare no que a tabela não contém: uma linha «pibble». Não há padrão, nem registo, nem tamanho adulto previsível para a palavra em si. Repare também numa consequência muito portuguesa: o American Pit Bull Terrier e o American Bully não são reconhecidos pela FCI, por isso não podem ter registo no Livro de Origens Português (LOP), gerido pelo CPC. Um anúncio que venda em Portugal um «pit bull com pedigree» refere-se, na melhor das hipóteses, ao registo de um clube estrangeiro, e isso tem consequências diretas nas regras de esterilização explicadas mais abaixo.

Pibble ou pit bull: há alguma diferença?

Tecnicamente, nenhuma. «Pibble» e «pit bull» apontam para o mesmo grupo difuso de cães; a diferença está no tom, não na taxonomia. «Pit bull» é o termo que se encontra nas leis, nas apólices de seguro e nos relatórios de mordeduras; em Portugal, é literalmente «pit bull terrier» que se lê na Portaria n.º 422/2004. «Pibble» é o termo dos anúncios de adoção e das salas de estar: surgiu como uma mudança de imagem deliberada, o mesmo instinto que criou «doggo» e «floof» na internet de língua inglesa, aplicado a cães cuja imagem pública precisava de ajuda. Se uma lei ou um contrato de arrendamento menciona pit bulls, abrange o seu pibble. Mudar o nome ao cão não muda a papelada.

Temperamento do pibble: o que a evidência sustenta

A descrição do UKC para o American Pit Bull Terrier é invulgarmente franca, e vale a pena citá-la em vez de a parafrasear. Apresenta as características essenciais da raça como «força, confiança e alegria de viver», refere que os APBT «são excelentes companheiros de família e sempre foram conhecidos pelo seu amor às crianças» e acrescenta depois a parte que os textos publicitários costumam omitir: «como a maioria dos APBT manifesta algum grau de agressividade para com outros cães, e devido ao seu físico poderoso, o APBT exige um dono que o socialize cuidadosamente e lhe dê treino de obediência».

O padrão da FCI para o Staffordshire Bull Terrier, que é o que vale em Portugal, vai no mesmo sentido. Descreve um cão «tradicionalmente de coragem e tenacidade indomáveis», «muito inteligente e afetuoso, especialmente com crianças», e classifica como falta desqualificante os cães «agressivos ou excessivamente tímidos». Ou seja: o padrão europeu pede estabilidade, não ferocidade.

A reatividade dirigida a outros cães e a agressividade dirigida a pessoas não são a mesma coisa, e é ao confundi-las que a maioria das discussões na internet se perde. Muitos cães tipo pibble são calorosos e tolerantes com as pessoas, mas seletivos, por vezes muito seletivos, em relação a outros cães. Planeie essa possibilidade em vez de ser apanhado de surpresa.

Cão atlético a correr a toda a velocidade num trilho de floresta: o exercício diário de que um cão pibble precisa

São também cães genuinamente atléticos. Um pibble bem exercitado e um pibble com pouco exercício comportam-se como dois animais diferentes, e as saídas estruturadas, como passeios longos a farejar, a flirt pole (uma vara com um isco preso a uma corda) e desportos de corrida adequados ao peso, fazem mais pela harmonia em casa do que qualquer truque de treino. Em Portugal há duas adaptações a fazer. No verão, deixe o exercício intenso para o início da manhã ou para o fim do dia, porque um cão compacto e musculado aquece depressa. E, se o seu cão for legalmente potencialmente perigoso, na via pública tem de andar de açaime funcional e trela curta, pelo que boa parte do gasto de energia se faz em espaço privado bem vedado, com jogos de tração, farejo e treino. Alguns donos de cães com muita energia acabam por passar aos desportos de tração canina; o nosso guia sobre as melhores raças de cão para bikejoring explica como funcionam estes desportos de corrida e como proteger as articulações de um cão de trabalho enquanto os pratica.

Mordeduras: o que as estatísticas dizem e o que não dizem

Os números de mordeduras atribuídos a raças circulam constantemente e merecem uma leitura cuidadosa. A revisão da literatura da associação veterinária americana (AVMA) sobre o papel da raça no risco de mordedura concluiu que não é adequado prever a propensão de um cão para a agressividade apenas com base na raça, e apontou dois problemas estruturais nos dados. O primeiro é o problema do denominador: as contagens de mordeduras por raça quase nunca são divididas pelo número de cães dessa raça que existem, pelo que as raças populares e grandes acabam inevitavelmente no topo da lista. O segundo é a identificação: como mostra a investigação com ADN descrita acima, a raça registada num relatório de mordedura é muitas vezes um palpite visual. Os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) deixaram, aliás, de registar a raça nas mortes causadas por mordeduras de cão, invocando os mesmos problemas de fiabilidade.

Nada disto significa que as mordeduras não aconteçam, ou que um cão de constituição poderosa não possa causar lesões graves. Significa que a raça é um preditor fraco, e que a supervisão, o treino, o facto de o cão estar ou não esterilizado, a contenção e o comportamento do dono são preditores mais fortes. É também por isso que a lei portuguesa, além da lista de raças, prevê que qualquer cão que tenha mordido ou atacado uma pessoa, ou ferido gravemente outro animal fora da propriedade do detentor, possa ser classificado como perigoso, seja qual for a raça.

Mitos e factos sobre o cão pibble

Mito Facto
Os cães tipo pit bull têm uma «mandíbula que tranca» Nenhuma raça de cão tem um mecanismo de bloqueio da mandíbula. A mandíbula de um cão tipo pit bull tem a mesma articulação em charneira que a de qualquer outro cão: o exame anatómico veterinário não encontrou qualquer mecanismo de bloqueio, e especialistas confirmaram-no em depoimentos em tribunal. Mordida forte, sim; mandíbula que tranca, não.
O «pibble» é uma raça à parte, mais dócil Pibble e pit bull descrevem os mesmos cães. Nenhum registo reconhece o pibble, e a alcunha não muda nada na forma como as leis, os contratos de arrendamento ou as seguradoras classificam o cão.
Consegue-se identificar um pit bull só de olhar No estudo de 2015 da The Veterinary Journal, os funcionários de abrigos classificaram 52% dos cães como tipo pit bull; o ADN identificou 21%. A identificação visual da raça é pouco fiável, mesmo para médicos veterinários.
As estatísticas de mordeduras provam que a raça é perigosa por natureza A revisão da literatura da AVMA concluiu que a raça, por si só, é um mau preditor de agressividade, porque as contagens de mordeduras não têm denominadores populacionais e dependem de palpites visuais sobre a raça.
Um lar carinhoso garante um cão sociável no parque canino O próprio UKC refere que a maioria dos APBT mostra algum grau de agressividade para com outros cães, seja qual for a educação. Afeto pelas pessoas e seletividade com outros cães coexistem com frequência.
Sem pedigree de pit bull, a lei portuguesa não se aplica O Decreto-Lei n.º 315/2009 abrange também os cruzamentos de primeira geração destas raças e os cruzamentos com outras raças que resultem numa tipologia semelhante. Um rafeiro com ar de pit bull pode ser tratado como cão potencialmente perigoso.

Saúde do cão pibble: rastreios, displasia da anca e pele

Como «pibble» abrange várias raças e inúmeros cruzados, o risco de saúde varia. A forma do corpo determina os cuidados em todo o mundo canino: as raças de focinho achatado têm uma rotina centrada nas vias respiratórias (veja o nosso guia de cuidados para raças de cães braquicéfalas), e as constituições musculadas de tipo bully têm o seu próprio padrão. Há duas coisas concretas: o que os criadores responsáveis rastreiam e o que os médicos veterinários veem com frequência.

O programa de saúde CHIC do Staffordshire Terrier Club of America, o clube da raça nos Estados Unidos, exige que os reprodutores participantes sejam rastreados para displasia da anca (OFA aos dois anos, ou PennHIP a partir das dezasseis semanas), displasia do cotovelo, doença cardíaca por exame Doppler feito por um cardiologista diplomado, função da tiroide, doenças oculares avaliadas por um oftalmologista diplomado pelo ACVO, e que façam dois testes de ADN: NCL-A, a mutação responsável pela ataxia cerebelar de início tardio observada no American Staffordshire Terrier, e ALPP (paralisia laríngea juvenil e polineuropatia). A NCL-A é uma doença autossómica recessiva; os cães afetados começam normalmente a mostrar ataxia e alterações da marcha entre os três e os cinco anos de idade, aproximadamente.

Em Portugal, onde se aplicam as regras da FCI, a displasia da anca dos reprodutores é classificada numa escala que vai de A (sem sinais de displasia) a E (displasia grave). Se comprar um American Staffordshire Terrier ou um Staffordshire Bull Terrier com pedigree, peça os resultados oficiais de anca e de cotovelo dos pais, os testes de ADN acima e o pedigree emitido pelo CPC.

Cão grande e musculado a trotar num prado: o rastreio da anca e das articulações conta muito nos cães tipo pibble

As articulações merecem atenção precoce em qualquer morfotipo muito musculado. Peça ao criador a documentação OFA/CHIC, ou os resultados oficiais FCI, com o número de registo, e não apenas garantias de boca; para um cão resgatado de ascendência desconhecida, um exame de base e um orçamento honesto para cuidados ortopédicos são o substituto realista. Os donos de cães mais pesados costumam achar útil ler o nosso guia sobre o melhor condroprotetor para cães de raça grande, para reconhecerem cedo alterações na marcha ou a relutância em saltar. Muitos donos juntam ainda um suplemento para a anca e as articulações do cão à rotina de um cão atlético: os mastigáveis articulares Pure Majesty Pets (49,95 €) reúnem 17 ingredientes ativos num mastigável macio, entre eles glucosamina, condroitina, MSM, mexilhão-verde e colagénio tipo II não desnaturado, com a lista completa publicada na página do produto. Um suplemento não é tratamento para a displasia nem para qualquer outra doença diagnosticada: um cão que coxeia precisa de um médico veterinário, não de um mastigável.

A pele é o outro tema frequente. Os cães de tipo bully de pelo curto são muitas vezes levados à consulta por doença alérgica da pele e comichão recorrente, embora os números de prevalência variem consoante a população e o estudo, e nenhum valor isolado deva ser tomado como definitivo para os «pibbles» enquanto grupo. Se o seu cão se coça de forma persistente, mordisca as patas ou tem otites repetidas, isso é antes de mais uma questão de diagnóstico veterinário: as causas alérgicas, parasitárias, endócrinas e infeciosas parecem semelhantes vistas de fora. O nosso guia de alívio da comichão no cão, baseado na evidência, explica como os médicos veterinários investigam um cão com comichão e o que os donos podem gerir em casa.

Em Portugal, há duas causas que convém descartar antes de falar em alergia. A primeira é a leishmaniose, endémica em grande parte do país, do Douro e Trás-os-Montes ao Algarve, passando por Lisboa e Vale do Tejo e pelo Alentejo, onde um estudo de vinte anos em Évora documenta a sua presença persistente. Pode manifestar-se com descamação, perda de pelo à volta dos olhos e feridas que não cicatrizam, e um cão de pelo curto que passa as noites ao ar livre fica mais exposto aos flebótomos que a transmitem. A segunda são as carraças e as doenças que transmitem, como a erliquiose e a babesiose. Pergunte ao seu médico veterinário que proteção antiparasitária faz sentido na sua região. E se o seu pibble for branco, ou tiver a barriga rosada e com pouco pelo, lembre-se de que de maio a setembro o índice ultravioleta publicado pelo IPMA atinge com frequência níveis muito elevados: sombra e passeios fora das horas de maior calor protegem a pele clara e reduzem o risco de golpe de calor num cão tão musculado.

Para o dia a dia, a par dos cuidados veterinários, um suplemento para cães com pele sensível e comichão que combine apoio à barreira cutânea e às defesas naturais pode ajudar a manter o conforto normal da pele. Os mastigáveis Pure Majesty Pets para pele sensível (45,95 €) juntam óleos de salmão, sardinha, chia e borragem, quercetina, fitoceramidas, biotina, zinco, colostro e probióticos. A gama completa de suplementos Pure Majesty Pets inclui mastigáveis e formatos líquidos, para cães que aceitam melhor um ou outro.

Pit bull e pibble em Portugal: o que exige a lei dos cães potencialmente perigosos

A legislação específica por raça designa as leis que regulam ou proíbem cães em função da raça ou do aspeto. Nos Estados Unidos, onde a palavra «pibble» nasceu, estas regras são municipais e por vezes estaduais, e muito inconsistentes: há jurisdições que proíbem os cães tipo pit bull, outras que exigem açaime, seguro especial ou registo, e estados que impedem as proibições locais por raça. A AVMA e os CDC recomendam abordagens neutras quanto à raça, ou seja, aplicar as leis sobre trela e sobre cães perigosos e concentrar a atenção nos cães que já morderam, em vez de regras baseadas na raça.

Em Portugal, a situação é diferente: a regra é nacional e a lista de raças está definida por portaria. O Decreto-Lei n.º 315/2009, de 29 de outubro, na redação em vigor (alterado, entre outros, pela Lei n.º 46/2013, de 4 de julho), regula a criação, a reprodução e a detenção de animais perigosos e potencialmente perigosos como animais de companhia, e a Portaria n.º 422/2004, de 24 de abril, enumera as raças consideradas potencialmente perigosas: cão de fila brasileiro, dogue argentino, pit bull terrier, rottweiler, Staffordshire terrier americano, Staffordshire bull terrier e tosa inu. Três das quatro raças que o termo «pibble» abrange estão nesta lista, incluindo o pequeno Staffordshire Bull Terrier, com 11 a 17 kg, e a quarta, o American Bully, é também considerada potencialmente perigosa pela DGAV.

A lei vai além das raças puras. Abrange também «os cruzamentos de primeira geração destas, os cruzamentos destas entre si ou cruzamentos destas com outras raças, obtendo assim uma tipologia semelhante». Na prática, um cão sem pedigree, de cabeça larga, pelo curto e corpo musculado pode ser tratado como potencialmente perigoso pelo aspeto, exatamente o tipo de classificação visual que o estudo de Olson mostrou ser pouco fiável. O American Bully não aparece na lista da portaria, mas a página da DGAV sobre o licenciamento na junta de freguesia afirma expressamente que o considera potencialmente perigoso. Se o seu cão for um cruzado de origem incerta, confirme por escrito, junto da junta de freguesia e do médico veterinário municipal, como vai ser classificado antes de o levar para casa.

O que tem de estar em ordem com um cão potencialmente perigoso

  • Licença da junta de freguesia. O detentor tem de ser maior de 16 anos e pedir uma licença específica à junta de freguesia da área de residência quando o cão tem entre 3 e 6 meses de idade. A licença só é atribuída depois de comprovada a idoneidade do detentor, vale no máximo um ano e tem de ser renovada anualmente.
  • Documentos. Termo de responsabilidade, certificado do registo criminal do detentor, comprovativo do seguro, comprovativo da esterilização (quando aplicável), boletim sanitário atualizado com a vacina antirrábica e comprovativo de aprovação na formação do detentor, além do microchip registado no Sistema de Informação de Animais de Companhia (SIAC). A DGAV explica as regras de identificação que valem para todos os cães.
  • Seguro de responsabilidade civil. Obrigatório, com um capital mínimo de 50 000 € por anuidade (Portaria n.º 585/2004, de 29 de maio).
  • Esterilização. Obrigatória entre os 4 e os 6 meses de idade, salvo para cães inscritos num livro de origens oficialmente reconhecido, como o LOP do CPC; os cruzamentos não têm esta exceção. A DGAV dá precisamente o pit bull terrier e o American Bully como exemplos de cães sem livro de origens oficialmente reconhecido, que por isso têm de ser esterilizados; um American Staffordshire Terrier ou um Staffordshire Bull Terrier inscrito no LOP pode beneficiar da exceção. Qualquer cão classificado como perigoso tem também de ser esterilizado.
  • Formação do detentor e treino do cão. O detentor tem de ser aprovado numa formação específica para detentores de cães perigosos e potencialmente perigosos (4 horas, seguidas de uma prova escrita), ministrada pela GNR e pela PSP ou por entidades certificadas para o efeito (Portaria n.º 317/2015); a inscrição na formação permite obter uma licença provisória de 3 meses. O cão tem de iniciar um treino de socialização e obediência entre os 6 e os 12 meses de idade, com um treinador que tenha o título profissional emitido pela DGAV.
  • Na rua. Na via pública, em lugares públicos e nas partes comuns dos prédios, o cão nunca pode circular sozinho: tem de usar açaime funcional, que não lhe permita comer nem morder, e trela curta até 1 metro presa a coleira ou peitoral, e ser conduzido pelo detentor, que deve trazer a licença consigo. Os municípios podem ainda proibir a circulação ou a permanência destes cães em determinadas zonas e definir horários.
  • Em casa. O alojamento tem de impedir a fuga do cão, com vedações de pelo menos 2 metros de altura em material resistente, um espaçamento máximo de 5 cm entre as grades ou entre estas e os portões ou muros, e placas de aviso bem visíveis no exterior do alojamento e da residência.

Há também regras privadas, que não dependem da lei. Senhorios, regulamentos de condomínio e seguradoras de habitação podem ter cláusulas próprias sobre cães de determinadas raças, e os Staffordshire e os «cruzados de pit bull» aparecem muitas vezes nessas listas. Nos Estados Unidos, alguns estados chegaram a limitar o uso da raça como critério de subscrição dos seguros; em Portugal, confirme diretamente com a sua seguradora se a apólice de habitação ou de responsabilidade civil cobre o cão e em que condições. Verifique por escrito o contrato de arrendamento, o regulamento do condomínio e a apólice antes de assumir o compromisso, e leia este artigo como informação geral, não como aconselhamento jurídico.

Lista honesta para quem pensa adotar um pibble em Portugal

  • Classificação legal. Confirme se o cão, ou o cruzamento, será considerado potencialmente perigoso. Em caso de dúvida, peça uma resposta por escrito à junta de freguesia ou ao médico veterinário municipal.
  • Licença, seguro e formação. Conte com a licença anual, o seguro obrigatório, a formação do detentor e o treino do cão antes de assinar a adoção, seja num centro de recolha oficial (CRO), numa associação ou num criador.
  • Contrato de arrendamento e condomínio. Obtenha a cláusula sobre animais por escrito. «O senhorio disse que não havia problema» não resiste a uma mudança de proprietário.
  • Seguro. Contacte a sua seguradora antes da adoção e pergunte especificamente como classifica os cães tipo pit bull e os rafeiros.
  • Viagens e hotéis para cães. Algumas companhias aéreas, hotéis caninos e alojamentos locais têm restrições próprias.
  • Plano para conviver com outros cães. Parta do princípio de que pode ter de gerir os encontros com outros cães e reserve orçamento para um treinador qualificado que use métodos baseados em recompensa.
  • Realidade do exercício. São cães atléticos e fortes. Um pibble cansado e um pibble aborrecido são animais diferentes.
  • Contenção. Uma vedação segura e uma chamada fiável não são opcionais para um cão com esta força; no caso de um cão potencialmente perigoso, a vedação tem de ter pelo menos 2 metros.
  • Orçamento de saúde. Os cuidados ortopédicos e dermatológicos são os dois custos recorrentes mais prováveis.
  • Médico veterinário. Escolha um cedo, antes de precisar dele com urgência. Uma lista de cuidados com o cão, do diário ao anual, ajuda a transformar boas intenções numa rotina real.

Apoio diário a um cão pibble

Resolvida a papelada, viver com um cão pibble é sobretudo a rotina comum de exercício, treino, vigilância da pele e atenção às articulações. Quando um suplemento faz sentido nessa rotina, a Pure Majesty Pets torna a decisão transparente: todas as fórmulas são fabricadas na América do Norte, em instalações que seguem as boas práticas de fabrico (GMP), cada lote tem um certificado de análise (COA), a lista completa de ingredientes está publicada em cada página de produto e todas as encomendas seguem com envio grátis para Portugal e para todo o mundo. É informação verificável que pode pesar, e não uma promessa de que um mastigável substitui os cuidados veterinários, porque não substitui. Na União Europeia, aliás, um alimento complementar para animais não pode reivindicar propriedades de tratamento de doenças (Regulamento (CE) n.º 767/2009, artigo 13.º).

Pure Majesty Pets em Portugal

Articulações e pele: o kit do pibble atlético

  • Mastigáveis articulares para cães, 49,95 €: 17 ingredientes ativos, incluindo glucosamina, condroitina, MSM, mexilhão-verde e colagénio tipo II não desnaturado (UC-II), num mastigável macio para apoiar a mobilidade de um cão musculado.
  • Mastigáveis para pele sensível e comichão, 45,95 €: óleos ricos em ómega-3, quercetina, fitoceramidas, biotina e zinco para apoiar a barreira cutânea.
  • Colagénio líquido para cães, 29,95 €: o nosso produto mais popular, com péptidos de colagénio dos tipos I e III, colagénio tipo II, óleo de salmão e ácido hialurónico, para apoiar a pele e as articulações; mistura-se na comida.

Envio grátis para Portugal (e para todo o mundo). Envio DDP: direitos e IVA já pagos, nada a pagar na entrega. Fabrico na América do Norte segundo as boas práticas de fabrico (GMP), com certificado de análise (COA) para cada lote.

Perguntas frequentes

O pibble é uma raça de cão?

Não. Pibble é uma alcunha carinhosa, não uma raça. Abrange informalmente o American Pit Bull Terrier (UKC), o American Staffordshire Terrier e o Staffordshire Bull Terrier (ambos reconhecidos pela AKC e pela FCI), o American Bully (UKC) e os muitos cruzados que se parecem com eles. Nenhum clube canino regista um pibble.

Qual é a diferença entre pibble e pit bull?

Não há diferença técnica. Pibble é uma forma mais suave e carinhosa de dizer pit bull, popularizada pelas comunidades de resgate e de defesa dos animais. Os dois termos descrevem o mesmo grupo difuso de cães tipo pit bull, e não uma única raça registada.

Os pibbles são bons cães de família?

Muitos são. O UKC descreve o American Pit Bull Terrier como um excelente companheiro de família, conhecido pelo seu amor às crianças, mas nota também que a maioria manifesta algum grau de agressividade para com outros cães e precisa de socialização cuidadosa e de treino de obediência. O temperamento individual e a supervisão importam muito mais do que o rótulo.

Os pibbles têm a mandíbula que tranca?

Não. Os anatomistas veterinários não encontraram nenhum mecanismo de bloqueio na mandíbula de qualquer raça, incluindo os cães tipo pit bull. A mandíbula funciona com a mesma articulação em charneira de todos os outros cães. Mordida forte, sim; mandíbula que tranca, não.

Um médico veterinário ou um canil consegue saber se o meu cão é um pibble só de olhar?

Não de forma fiável. Num estudo de 2015 publicado na The Veterinary Journal, os funcionários de abrigos classificaram 52% dos cães como tipo pit bull, enquanto os perfis de ADN identificaram apenas 21%, com concordância fraca a moderada entre observadores. Um teste de ADN é a única forma fiável de conhecer a ascendência do cão.

A que problemas de saúde são propensos os cães pibble?

Os clubes de raça rastreiam a displasia da anca e do cotovelo, as doenças cardíacas, da tiroide e dos olhos, além de testes de ADN para a ataxia cerebelar NCL-A e para a paralisia laríngea juvenil. A pele alérgica e com comichão é também uma apresentação clínica frequente nos cães tipo bully de pelo curto. O risco varia muito nos cruzados, e em Portugal a leishmaniose deve ser descartada quando surgem lesões de pele persistentes.

Em Portugal, um pibble é considerado cão potencialmente perigoso?

Na maioria dos casos, sim. A Portaria n.º 422/2004 inclui o pit bull terrier, o Staffordshire terrier americano e o Staffordshire bull terrier, o Decreto-Lei n.º 315/2009 estende o regime aos cruzamentos com tipologia semelhante e a DGAV considera o American Bully potencialmente perigoso. Nesse caso, o detentor, maior de 16 anos, precisa de licença anual da junta de freguesia, de seguro de responsabilidade civil com capital mínimo de 50 000 €, de aprovação na formação de detentores e, salvo inscrição no LOP, de esterilizar o cão; na rua, o cão anda com açaime funcional e trela curta até 1 metro.

Fontes

  • UKC, American Pit Bull Terrier breed standard — ukcdogs.com
  • UKC, American Bully breed standard — ukcdogs.com
  • AKC, Official Standard of the Staffordshire Bull Terrier — akc.org
  • FCI-Standard N° 76, Staffordshire Bull Terrier — fci.be
  • FCI-Standard N° 286, American Staffordshire Terrier — fci.be
  • Olson KR, Levy JK, Norby B et al., "Inconsistent identification of pit bull-type dogs by shelter staff," The Veterinary Journal, 2015, PMID 26403955 — ScienceDirect
  • AVMA, Literature Review: The Role of Breed in Dog Bite Risk and Prevention — avma.org
  • AVMA, Why breed-specific legislation is not the answer — avma.org
  • ASPCA, What is Breed-Specific Legislation — aspca.org
  • ASPCA, Position Statement on Pit Bulls — aspca.org
  • Olby N et al., "Cerebellar cortical degeneration in adult American Staffordshire Terriers," Journal of Veterinary Internal Medicine, 2004 — PubMed
  • Decreto-Lei n.º 315/2009, de 29 de outubro, regime jurídico da criação, reprodução e detenção de animais perigosos e potencialmente perigosos (versão consolidada) — Diário da República
  • Lei n.º 46/2013, de 4 de julho, segunda alteração ao Decreto-Lei n.º 315/2009 — Diário da República
  • Portaria n.º 422/2004, de 24 de abril, raças de cães potencialmente perigosas — Diário da República
  • Portaria n.º 585/2004, de 29 de maio, capital mínimo do seguro de responsabilidade civil — Diário da República
  • Portaria n.º 317/2015, de 30 de setembro, formação dos detentores e certificação dos treinadores de cães perigosos e potencialmente perigosos (GNR e PSP) — Diário da República
  • DGAV, licenciamento na junta de freguesia (cães perigosos e potencialmente perigosos, American Bully) — dgav.pt
  • DGAV, animais perigosos e potencialmente perigosos: informações gerais e esterilização — dgav.pt
  • DGAV, identificação de cães, gatos e furões — dgav.pt
  • SIAC, Sistema de Informação de Animais de Companhia — siac.pt
  • Clube Português de Canicultura (CPC), membro da FCI — cpc.pt
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  • Regulamento (CE) n.º 767/2009, colocação no mercado e utilização de alimentos para animais — EUR-Lex

Este artigo destina-se a informação geral e não substitui o aconselhamento do seu médico veterinário nem aconselhamento jurídico. Fale com o seu médico veterinário sobre a saúde do seu cão e confirme junto da junta de freguesia, da câmara municipal, do senhorio e da seguradora as regras que se aplicam onde vive.