O cetoconazol é um comprimido antifúngico de receita que os veterinários usam no cão sobretudo contra a Malassezia pachydermatis — a levedura por trás dos ouvidos com mau cheiro, da pele oleosa e das patas roídas. A dose mais citada nas referências veterinárias para as leveduras da pele é de 10 mg/kg por via oral, uma vez por dia, durante cerca de três semanas, dada com comida e apenas sob orientação do veterinário. Os seus dois inconvenientes reais são a sobrecarga do fígado e uma longa lista de interações com outros medicamentos, e é por isso que já não é a primeira escolha automática que era há vinte anos. Para um apoio diário a par desses cuidados, as gotas de apoio ao equilíbrio das leveduras Pure Majesty Pets são um líquido pronto a usar com ácido caprílico, vinagre de maçã e orégãos, mais ingredientes de apoio à pele e à digestão, a juntar à comida segundo o rótulo — por 29,95 €, com envio grátis para Portugal e envio DDP (direitos e IVA incluídos, nada a pagar na entrega).
Este guia explica para que serve realmente o cetoconazol no cão, as doses publicadas por doença, os efeitos secundários a vigiar, como se compara com o itraconazol e a terbinafina e a parte que quase nenhuma ficha de medicamento aborda: porque é que as leveduras voltam tantas vezes poucas semanas depois do último comprimido.
Para que se usa o cetoconazol no cão?
O cetoconazol é um antifúngico imidazólico (da classe dos azóis). Bloqueia a síntese de ergosterol pelos fungos, o esterol que mantém íntegra a membrana da célula fúngica. Sem ele, a membrana deixa de ser estanque e o organismo deixa de se multiplicar — o fármaco é sobretudo fungistático, ou seja, mantém a população controlada enquanto a imunidade do próprio cão e a barreira da pele eliminam o resto. Este mecanismo tem consequências práticas: o cetoconazol não esteriliza a pele, pelo que tudo o que permitiu o crescimento excessivo das leveduras continuará lá quando o tratamento terminar.
Segundo o Merck Veterinary Manual, o cetoconazol é usado no cão para:
- Crescimento excessivo de Malassezia pachydermatis — a levedura responsável pela maioria dos casos de dermatite por leveduras no cão, de otite externa e de pododermatite por leveduras
- Dermatofitose (tinha) — ativo contra o Microsporum canis, o Trichophyton mentagrophytes e espécies afins
- Candidíase — infeções por Candida da pele ou das mucosas
- Micoses sistémicas e profundas — blastomicose, histoplasmose, coccidioidomicose e criptococose, normalmente a par de outros fármacos
- Hiperadrenocorticismo hipófise-dependente (doença de Cushing) — uma utilização fora das indicações aprovadas que aproveita a supressão da síntese de cortisol pelo fármaco
Vale a pena parar na última entrada. O cetoconazol reduz a produção de cortisol como efeito secundário da forma como interage com as enzimas do citocromo P450 dos mamíferos. Útil quando se pretende esse efeito. Um problema quando não se pretende.
Dose de cetoconazol para o cão
A dose é uma decisão do seu médico veterinário e muda com o organismo, a localização e a função do fígado e dos rins do cão. Os valores abaixo são os intervalos de referência publicados no Merck Veterinary Manual, apresentados para que perceba a receita que tem à frente — não para que passe a escrever uma.
| Doença | Dose publicada | Duração habitual |
|---|---|---|
| Malassezia pachydermatis (leveduras da pele e dos ouvidos) | 10 mg/kg, por via oral, de 24 em 24 h | ~3 semanas |
| Dermatofitose (tinha) | 10 mg/kg, por via oral, de 24 em 24 h | 4–8 semanas |
| Candidíase | 10 mg/kg, por via oral, de 24 em 24 h | 6–8 semanas |
| Manutenção crónica (casos selecionados) | 2,5–5 mg/kg, por via oral | Definida pelo veterinário |
| Dose geral em doenças da pele | 10 mg/kg de 24 em 24 h, ou 20 mg/kg de 48 em 48 h | Conforme a doença |
O Merck refere explicitamente que doses acima de 10 mg/kg uma vez por dia são raramente administradas em doenças da pele. Os valores mais altos do manual pertencem às micoses sistémicas, em que o fármaco é associado à anfotericina B e o cão é monitorizado de perto.
Como fica 10 mg/kg com um comprimido de 200 mg
O cetoconazol para cães é normalmente dispensado sob a forma de comprimidos de 200 mg rotulados para uso humano e utilizados fora das indicações aprovadas, ou manipulado numa suspensão para cães pequenos. Em Portugal, o médico veterinário pode fazê-lo ao abrigo da chamada cascata prescritiva do Regulamento (UE) 2019/6, sob a sua responsabilidade. Pontos de referência aproximados a 10 mg/kg, uma vez por dia:
| Peso do cão | Dose diária aproximada | Forma prática |
|---|---|---|
| 4,5 kg | ~45 mg | Suspensão manipulada — as frações de comprimido são pouco fiáveis em doses tão pequenas |
| 11 kg | ~110 mg | Meio comprimido de 200 mg |
| 20 kg | ~200 mg | Um comprimido de 200 mg |
| 32 kg | ~320 mg | 1½ comprimidos |
| 41 kg | ~410 mg | 2 comprimidos |
São conversões ilustrativas de um intervalo publicado, não uma receita. Partir comprimidos para atingir uma dose exata em miligramas é muito menos rigoroso do que os tutores imaginam, e é uma das razões pelas quais os veterinários manipulam muitas vezes a medicação para cães com menos de cerca de 7 kg.
Dois pormenores de administração que decidem se funciona
Dê-o com comida. O cetoconazol precisa de um ambiente gástrico ácido para ser bem absorvido, e a comida atenua o desconforto gastrointestinal, que é o seu efeito secundário mais comum.
Suspenda os antiácidos. Como a absorção depende do pH, dar o cetoconazol a par de omeprazol, famotidina ou qualquer antiácido pode reduzir a absorção o suficiente para que uma dose correta se comporte como uma dose baixa. O Merck indica os antagonistas H2 e os antiácidos concomitantes como algo a evitar. Se o seu cão já toma um medicamento para o estômago, é uma conversa a ter antes do primeiro comprimido, e não depois de um tratamento falhado.
Comprimidos, creme ou champô: o que faz cada forma
| Forma | Mais adequada para | O que saber |
|---|---|---|
| Comprimidos orais (200 mg) | Leveduras generalizadas da pele, doença em vários locais, infeção profunda ou sistémica | Maior exposição sistémica — e a única forma com risco relevante para o fígado e de interações |
| Creme de cetoconazol (1–2%) | Lesões pequenas e bem delimitadas; pregas dos lábios; um único espaço interdigital | Absorção sistémica mínima. Os cães lambem-no, por isso a localização e uma breve distração contam mais do que a concentração |
| Champô de clorexidina + cetoconazol | Pele oleosa e malcheirosa generalizada | Reduz a carga de organismos à superfície e remove o sebo de que as leveduras se alimentam; o que o faz funcionar é um tempo de contacto de cerca de 10 minutos |
| Gotas auriculares medicamentosas com um azol | Malassezia do ouvido | Levam o fármaco aonde a dose oral penetra mal — veja o guia de otite fúngica ou bacteriana no cão |
A coluna dos tratamentos tópicos merece mais peso do que costuma ter. Numa revisão sistemática das intervenções para a dermatite canina por Malassezia (Negre, Bensignor e Guillot, Veterinary Dermatology, 2009), os autores analisaram 35 artigos e 14 ensaios clínicos e só puderam recomendar uma intervenção com boa evidência: um champô tópico com 2% de miconazol + 2% de clorexidina, duas vezes por semana durante três semanas. O cetoconazol sistémico a 10 mg/kg/dia e o itraconazol a 5 mg/kg/dia durante três semanas tinham evidência razoável — um degrau abaixo. Os tutores partem geralmente do princípio de que o comprimido é a opção forte e o banho um extra opcional. A evidência publicada classifica-os ao contrário. Ambas as metades desse champô têm um perfil que vale a pena conhecer: veja o guia da clorexidina para cães, que explica também que concentração escolher e como diluir em segurança. Em Portugal, os champôs veterinários com miconazol e clorexidina (por exemplo, o Malaseb, da Dechra) devem ser escolhidos com o seu médico veterinário; para saber o que procurar no rótulo, leia o guia do champô para fungos no cão.
Efeitos secundários do cetoconazol no cão
| Frequência | O que pode observar | O que fazer |
|---|---|---|
| Comum | Diminuição do apetite e vómitos | Confirme que dá o comprimido com comida; ligue à clínica se persistir além das 48 h |
| Sinal de toxicidade | Diarreia, febre, depressão, anorexia | O Merck inclui-os nos sinais de toxicidade e não nos efeitos secundários de rotina — ligue ao veterinário |
| Comum, cosmético | Comichão, rarefação do pelo, aclaramento reversível do pelo | Resolve-se depois do tratamento; convém saber para não se alarmar |
| Pouco comum, grave | Enzimas hepáticas elevadas, colangio-hepatite | Pare e ligue ao veterinário — as elevações das enzimas costumam melhorar depois de o fármaco ser retirado, mas essa é uma avaliação veterinária, não uma decisão a tomar em casa |
| Pouco comum, grave | Febre, letargia marcada, icterícia, urina escura, fezes pálidas | Atenção veterinária no próprio dia |
| Raro, dependente da dose | Supressão da produção de cortisol | Documentada com doses elevadas; foi descrito um caso de presumível hipoadrenocorticismo iatrogénico no JVIM (2019) |
Uma perspetiva sobre a questão do fígado: o risco é real, mas gerível quando o fármaco é usado em doses dentro do intervalo recomendado e com monitorização. Nas pessoas, em julho de 2013 a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) recomendou a suspensão das autorizações dos comprimidos orais de cetoconazol para uso humano — deixaram de ser primeira linha para qualquer infeção fúngica — devido a lesão hepática potencialmente fatal, efeitos nas glândulas suprarrenais e interações medicamentosas, e as autoridades norte-americanas tomaram medidas semelhantes. A utilização veterinária implica outra dose e outro doente, mas é precisamente esse historial regulamentar que leva muitos dermatologistas a preferirem hoje o itraconazol ou a terbinafina, e que torna razoável pedir valores hepáticos de base e de seguimento em qualquer tratamento com mais de algumas semanas.
Interações medicamentosas e cães que exigem mais cuidado
O cetoconazol é um potente inibidor das enzimas do citocromo P450 e da glicoproteína P. Esta única propriedade explica a maior parte da sua lista de interações: abranda a eliminação de outros fármacos, pelo que uma dose normal do outro medicamento pode comportar-se como uma sobredosagem.
- Ciclosporina — os níveis plasmáticos aumentam substancialmente; alguns veterinários usam isto de propósito, mas apenas com ajuste da dose
- Antiácidos, omeprazol, famotidina — reduzem a absorção do cetoconazol
- Ivermectina e lactonas macrocíclicas afins — a inibição da glicoproteína P é uma preocupação particular nas raças de pastoreio portadoras da variante ABCB1 (MDR1)
- Outros fármacos hepatotóxicos — soma da carga sobre o fígado
- Doença hepática pré-existente — muitas vezes uma razão para escolher outro antifúngico
Dê ao seu veterinário a lista completa — receitas, antiparasitários, suplementos — antes da primeira dose, e não na reavaliação.
Cetoconazol vs itraconazol, fluconazol e terbinafina
| Fármaco | Dose canina publicada | Atividade contra a Malassezia | Principal compromisso |
|---|---|---|---|
| Cetoconazol | 10 mg/kg de 24 em 24 h | Boa | Menor potência, maior toxicidade e espetro mais estreito do que o itraconazol; absorção dependente do pH |
| Itraconazol | 5–10 mg/kg de 24 em 24 h | Boa | Dermatite ulcerativa dependente da dose, por vasculite, em 5–10% dos cães acima de 10 mg/kg; mais caro |
| Fluconazol | 2,5–10 mg/kg de 24 em 24 h | Geralmente considerado pouco adequado para as leveduras da pele | O seu papel veterinário principal é nas micoses sistémicas e do sistema nervoso central |
| Terbinafina | 10–30 mg/kg de 24 em 24 h (tabela de doses do Merck; o texto específico da espécie cita 30 mg/kg para o cão) | Usada em casos de Malassezia | Não se acumula na pele do cão como acontece no gato e nas pessoas |
O Merck afirma com clareza que o cetoconazol tem menor potência, maior toxicidade e um espetro de atividade mais estreito do que o itraconazol, cujas doses, custo e compromissos de vasculite estão descritos no nosso guia sobre o tratamento das leveduras no cão. Então porque continua a ser prescrito? Sobretudo pelo custo — os comprimidos genéricos de 200 mg são baratos e fáceis de encontrar, e num tratamento simples de três semanas num cão com o fígado saudável a relação risco-benefício continua a funcionar. Há também uma vertente de frequência de administração: Pinchbeck e colegas (JAVMA, 2002) mostraram que o itraconazol dado em pulsos — dois dias consecutivos por semana durante três semanas — igualou a administração diária na doença cutânea por M. pachydermatis, com menos exposição ao fármaco e melhor adesão dos tutores. Uma ressalva dos mesmos autores importa se o problema do seu cão estiver nos ouvidos: os cães com Malassezia auricular podem continuar a precisar de tratamento tópico complementar, porque a citologia do ouvido não melhorou de forma significativa em nenhum dos grupos. Pergunte se um protocolo em pulsos se adequa ao seu cão, caso o objetivo seja o controlo a longo prazo.
Porque é que as leveduras voltam depois de os comprimidos acabarem
Esta é a secção que as monografias dos medicamentos saltam, e é a que decide se vai fazer um tratamento ou cinco.
A Malassezia pachydermatis é comensal. Vive na pele normal do cão e nos canais auditivos normais, em pequeno número. A citologia de um cão saudável mostra muitas vezes alguns organismos. Não é um invasor que chega de fora — é um residente que se multiplica quando as condições locais mudam. O cetoconazol reduz a população. Não altera as condições.
Essas condições são normalmente uma de quatro coisas:
- Uma alergia de fundo. A dermatite atópica e a doença cutânea que responde à dieta danificam a barreira e aumentam a humidade da pele — o ideal para as leveduras. Se a alergia for o motor e não for tratada, a recaída é quase inevitável. O seu veterinário distingue-as com citologia e, se necessário, com uma dieta de eliminação.
- Humidade retida e anatomia. Pregas de pele, orelhas pesadas, membranas interdigitais, um cão que nada. A liquenificação e a hiperpigmentação de episódios anteriores tornam a pele ainda mais acolhedora. Em Portugal, o verão de praia e piscina e a humidade do inverno no litoral agravam este quadro, sobretudo em raças como o Cocker Spaniel, o Labrador e o Cão de Água Português.
- Doença endócrina. O hipotiroidismo e a doença de Cushing alteram a renovação da pele e a vigilância imunitária.
- Alteração da barreira e do intestino. Os tratamentos repetidos com antibióticos e corticosteroides alteram as comunidades microbianas da pele e do intestino, e uma barreira lipídica comprometida deixa a colonização recomeçar mais depressa. Se o surto começou logo depois de um tratamento com antibióticos, o nosso guia dos sinais de leveduras no cão ajuda a perceber o que essa alteração significa na prática.
Se o seu cão já precisou de cetoconazol mais do que uma vez, a pergunta útil não é «que antifúngico a seguir», mas «o que é que não estamos a tratar». Em zonas endémicas de leishmaniose (Alentejo, Algarve, Lisboa e Vale do Tejo, Douro), lesões de pele persistentes, descamação e queda de pelo também podem ter essa origem, e não ser leveduras — mais uma razão para a citologia e, se necessário, análises, antes de repetir um antifúngico. Cobrimos o padrão completo no guia sobre as leveduras recorrentes no cão.
O que o apoio diário pode e não pode fazer
Nada que se compre sem receita substitui um antifúngico quando o cão tem um crescimento excessivo de Malassezia ativo e confirmado por citologia. Diga-se isto com clareza, porque muito do marketing de suplementos não o faz.
Onde o apoio diário tem um papel defensável é no trabalho de intervalo — depois do tratamento, do lado da barreira e do intestino, para que o terreno que permitiu o crescimento excessivo seja menos acolhedor na próxima época. É essa a missão para que foram concebidas as nossas gotas de apoio ao equilíbrio das leveduras, e vale a pena ser concreto sobre a formulação em vez de falar vagamente em «natural»:
- Líquido, não um mastigável de tamanho fixo. A dose ajusta-se a um terrier de 4 kg ou a um pastor de 38 kg com o mesmo frasco, o que importa porque os formatos de mastigável rígido obrigam a arredondar.
- Cerca de 292 mg de ativos de apoio por mililitro na formulação padrão — uma concentração publicada na página do produto e não escondida numa mistura proprietária.
- Um pós-biótico, não um probiótico de UFC vivas. O componente de Saccharomyces boulardii é uma preparação pós-biótica, pelo que o seu contributo não depende de organismos vivos que sobrevivam ao prazo de validade, ao ácido do estômago e a uma carrinha de entregas quente — o ponto de falha que mina muitas alegações de contagem de UFC.
- Multieixo por conceção — ácido caprílico de MCT C8, carvacrol derivado do orégão, berberina, Pau d'Arco, vinagre de maçã, MSM, quercetina, zinco, óleo de salmão, mais um grupo de apoio à mucosa intestinal com L-glutamina, abóbora, olmo-americano, raiz de malvavisco e DGL.
Limites honestos: grande parte do trabalho antifúngico sobre o ácido caprílico, o carvacrol e a berberina é in vitro ou noutras espécies. A investigação atual não estabelece que qualquer destes elimine uma infeção por Malassezia já instalada no cão. Trate-os como apoio ao terreno a par dos cuidados veterinários, nunca em vez deles. Os complementos alimentares para animais são alimentos para animais regulados pelo Regulamento (CE) n.º 767/2009 e fiscalizados em Portugal pela DGAV (Direção-Geral de Alimentação e Veterinária); não são medicamentos. O resto da gama de alívio das leveduras para cães enquadra-se na mesma lógica, e tudo o que a Pure Majesty Pets publica é escrito segundo esse critério.
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Complemento alimentar de apoio; não substitui o diagnóstico nem o tratamento veterinário.
Cinco erros que desperdiçam um tratamento com cetoconazol
- Parar quando o cheiro desaparece. O odor e a comichão melhoram muito antes de a contagem de organismos normalizar. Terminar ao dia 10 de um tratamento de 21 dias é a razão mais comum para uma recaída poucas semanas depois.
- Dá-lo em jejum, com um antiácido a bordo. Dois erros de absorção que fazem uma dose correta render menos.
- Saltar o banho. O tratamento tópico tem o grau de evidência mais forte na revisão publicada. Não é o extra opcional.
- Reutilizar os comprimidos que sobraram no surto seguinte. Outro local, outro organismo, outro peso do cão — e sem citologia para confirmar sequer que desta vez o problema são leveduras.
- Usar produtos humanos de cetoconazol sem orientação. Os comprimidos orais humanos estão restringidos por boas razões, e as concentrações e os veículos dos champôs humanos não são formulados para a pele do cão.
Quando ligar ao veterinário em vez de esperar
- Vómitos, perda de apetite ou letargia que surjam depois de começar o fármaco
- Amarelecimento das gengivas ou do branco dos olhos, urina escura ou fezes invulgarmente pálidas
- Nenhuma melhoria visível ao fim de cerca de duas semanas de tratamento
- Dor no ouvido com cabeça inclinada, perda de equilíbrio ou secreção com sangue
- Pele ulcerada, a sangrar ou a alastrar depressa
- Um segundo episódio de leveduras em menos de seis meses — é uma questão de diagnóstico, não de renovação de receita
Em Portugal, o seu médico veterinário, inscrito na Ordem dos Médicos Veterinários (OMV), é quem pode fazer a citologia, pedir as análises e prescrever o antifúngico adequado; os antifúngicos orais são medicamentos de receita ao abrigo do Regulamento (UE) 2019/6.
Perguntas frequentes
Quanto tempo demora o cetoconazol a fazer efeito no cão?
Os tutores notam normalmente menos odor e menos comichão na primeira semana, mas os protocolos publicados para a doença cutânea por Malassezia duram cerca de três semanas, e os tratamentos de tinha ou de Candida duram de quatro a oito semanas. Melhorar não é o mesmo que resolver — termine o tratamento que o seu veterinário prescreveu.
Posso dar ao meu cão comprimidos de cetoconazol para humanos?
Só se o seu médico veterinário o indicar. A utilização veterinária de comprimidos de 200 mg rotulados para uso humano é uma prescrição legítima fora das indicações aprovadas, mas a dose depende do peso do cão, da função do fígado e de outros medicamentos. Dosear a partir de uma receita humana que sobrou é assim que acontecem as lesões hepáticas.
Qual é a dose de cetoconazol para um cão com leveduras?
As referências veterinárias citam 10 mg/kg por via oral, uma vez por dia, durante cerca de três semanas, para a Malassezia pachydermatis, dado com comida. O seu veterinário define a dose real e pode reduzi-la num cão com a função do fígado ou dos rins diminuída.
O cetoconazol é pesado para o fígado do cão?
Pode aumentar as enzimas hepáticas, e foi descrita colangio-hepatite em cães. As alterações das enzimas costumam estabilizar depois de o fármaco ser retirado, mas essa decisão pertence ao seu veterinário — nunca pare nem continue um tratamento por conta própria. Análises de base e uma reavaliação são sensatas em tratamentos mais longos, e essenciais se o cão tiver doença hepática conhecida.
Porque é que o pelo do meu cão mudou de cor com o cetoconazol?
O aclaramento reversível do pelo é um efeito cosmético reconhecido, indicado entre os efeitos adversos comuns do fármaco no cão. Costuma resolver-se depois de o tratamento terminar.
O cetoconazol pode ser usado a longo prazo?
Para alguns casos crónicos é descrita uma dose de manutenção reduzida de 2,5–5 mg/kg, mas o uso indefinido levanta preocupações cumulativas de fígado e de supressão do cortisol. Se o seu cão parecer precisar de cobertura antifúngica contínua, a causa de fundo merece primeiro investigação. Um protocolo em pulsos também pode ser uma opção a discutir.
Cetoconazol ou itraconazol — qual é melhor para as leveduras do cão?
A revisão sistemática de 2009 encontrou evidência razoável para ambos nas doses habituais durante três semanas e não estabeleceu a superioridade de um sobre o outro na dermatite por Malassezia. O itraconazol é geralmente descrito como mais potente e com espetro mais amplo; o cetoconazol é mais barato. A escolha cabe ao seu veterinário, ponderando o estado do fígado, outros medicamentos e o custo. O nosso guia de opções para as leveduras no cão compara o conjunto mais vasto de alternativas.
O cetoconazol serve para as leveduras nas patas do cão?
É usado por via sistémica na pododermatite por leveduras, normalmente combinado com tratamento tópico, como banhos ou toalhetes antifúngicos, porque a pele entre os dedos é difícil de manter seca.
Quanto custam as gotas para leveduras Pure Majesty Pets em Portugal?
Custam 29,95 €, com envio grátis para Portugal e envio DDP: direitos e IVA incluídos, nada a pagar na entrega.
Referências científicas
- Shipstone M. Antifungals for Integumentary Disease in Animals. Merck Veterinary Manual, revisto em abril de 2022. merckvetmanual.com
- Negre A, Bensignor E, Guillot J. Evidence-based veterinary dermatology: a systematic review of interventions for Malassezia dermatitis in dogs. Veterinary Dermatology. 2009;20(1):1–12. PMID: 19152584. DOI: 10.1111/j.1365-3164.2008.00721.x
- Pinchbeck LR, Hillier A, Kowalski JJ, Kwochka KW. Comparison of pulse administration versus once daily administration of itraconazole for the treatment of Malassezia pachydermatis dermatitis and otitis in dogs. Journal of the American Veterinary Medical Association. 2002;220(12):1807–1812. DOI: 10.2460/javma.2002.220.1807
- Hernandez-Bures A, et al. Presumptive iatrogenic hypoadrenocorticism induced by high-dose ketoconazole administration in a dog. Journal of Veterinary Internal Medicine. 2019;33(5):2235–2238. DOI: 10.1111/jvim.15604
- Agência Europeia de Medicamentos (EMA). Comunicado: a EMA recomenda a suspensão das autorizações de introdução no mercado do cetoconazol oral. 26 de julho de 2013.
- Regulamento (UE) 2019/6 relativo aos medicamentos veterinários; Regulamento (CE) n.º 767/2009 relativo à colocação no mercado e à utilização de alimentos para animais.
Aviso veterinário: este artigo é informativo e não substitui o diagnóstico nem o tratamento veterinário. O cetoconazol é um medicamento de receita. As doses indicadas são intervalos de referência publicados, destinados a ajudá-lo a compreender a receita do seu cão — nunca a iniciar, interromper ou ajustar o tratamento por conta própria. Confirme sempre as leveduras com citologia e siga as instruções do seu médico veterinário. Os complementos alimentares Pure Majesty Pets não se destinam a diagnosticar, tratar, curar ou prevenir qualquer doença.