O que faz a pele do cão
A pele do cão é muito mais do que a superfície por baixo do pelo. Ajuda a limitar a perda de água, protege os tecidos subjacentes e sente o toque e a temperatura; também trabalha em conjunto com o pelo e as glândulas. O seu aspeto varia com a idade, a raça, a zona do corpo e cada animal. Por isso, não há uma única cor ou textura que todos os cães saudáveis devam ter. Conhecer o essencial da anatomia ajuda a reparar numa alteração sem tentar fazer um diagnóstico em casa.
A epiderme: a camada de superfície
A epiderme é a camada mais externa. As suas células amadurecem e são substituídas continuamente. A queratina e os lípidos da pele ajudam a formar uma barreira protetora que retém a humidade e limita a entrada de substâncias irritantes. Não é uma cobertura impermeável: a fricção repetida, produtos inadequados ou uma doença podem afetá-la. A cor e a textura visíveis quando se afasta o pelo vêm desta camada e das que ficam por baixo.
A derme: apoio e sensibilidade
Por baixo da epiderme encontra-se a derme, uma camada mais resistente de tecido conjuntivo que contém colagénio, vasos sanguíneos, nervos e estruturas associadas ao pelo. Os vasos apoiam os tecidos e os nervos permitem ao cão sentir o contacto e outras sensações. Os folículos e vários tipos de glândulas prolongam-se até à derme ou estão ligados a ela. Por isso, a pele é um órgão ativo, não apenas um revestimento.
O tecido subcutâneo: amortecimento profundo
A camada subcutânea mais profunda contém tecido conjuntivo e quantidades variáveis de gordura. Amortece, armazena energia e contribui para o isolamento térmico. A espessura varia com a zona do corpo e a constituição do cão. Uma prega macia ou alguma pele solta pode ser normal naquele cão; uma zona recentemente inchada, dolorosa ou que muda rapidamente deve ser avaliada por um veterinário.
Folículos, pelo e glândulas
Cada pelo cresce a partir de um folículo, uma pequena estrutura enraizada na pele. Os folículos ligam-se às glândulas sebáceas, que libertam sebo sobre a pele e o pelo. O sebo ajuda a manter a superfície flexível e contribui para o brilho do pelo. A pelagem também pode proteger a pele do sol, da fricção e das variações de temperatura. O comprimento, a densidade e a muda variam bastante; a pelagem normal de um cão não serve de referência para outro.
Uma observação entre passeios e tosquias
Retire o peitoral depois do passeio e observe as zonas de contacto. Se recorrer a uma tosquia profissional, comunique áreas sensíveis e produtos prescritos. Uma alteração persistente deve ser avaliada pelo médico veterinário, não tapada com perfume.
Sebo, suor e temperatura
Os cães têm glândulas sebáceas e sudoríparas, mas a transpiração não é o principal meio de arrefecimento, como acontece nas pessoas. As almofadas das patas são um local conhecido com glândulas sudoríparas; os cães controlam sobretudo o calor através da respiração ofegante e ajustando o comportamento ou o ambiente. A atividade das glândulas pode influenciar a sensação ou o cheiro da pelagem, mas o cheiro, por si só, não identifica um problema específico. Observe o conjunto e as alterações ao longo do tempo.
Como pode ser a pele normal
A pigmentação pode ser escura, manchada ou clara; a pele visível por baixo do pelo não tem de ser cor-de-rosa. A densidade e a textura da pelagem variam entre zonas do corpo, estações e fases da vida. Num momento tranquilo, afastar delicadamente o pelo em alguns pontos ajuda a conhecer o que é habitual no seu cão: cor, pequenas marcas, condição da pelagem e se aceita o toque com conforto. Uma nova zona com textura diferente, vermelhidão persistente, feridas, crostas, perda invulgar de pelo ou desconforto repetido não deve ser descartada como uma variação normal.
A alimentação faz parte do quadro geral
A pele e a pelagem são apoiadas por uma alimentação completa, equilibrada e adequada à fase de vida e à saúde do cão. Um pelo brilhante não prova, por si só, que a alimentação seja ideal; os suplementos não substituem uma dieta equilibrada nem uma avaliação quando existe um problema. Se estiver a considerar um suplemento, um produto como o colagénio líquido para cães deve ser analisado com o veterinário com base na lista completa de ingredientes e no rótulo atual; não substitui uma alimentação completa nem os cuidados de uma condição diagnosticada.
Observar a pele com calma em casa
Escolha um momento descontraído e deixe o cão cheirar a escova ou a sua mão antes de começar. Afaste delicadamente o pelo em alguns pontos, sem procurar em cada centímetro, e pare se o cão se afastar, ficar tenso, se assustar ou parecer preocupado. Registe onde está a alteração, quando a notou, se se está a alargar e se o cão lambe ou coça a zona. Uma fotografia nítida ou uma nota breve pode ajudar a descrever a evolução na consulta veterinária. Não retire crostas nem aperte nódulos.
Banho e escovagem adaptados ao cão
Não existe um calendário de banhos universal. O tipo de pelagem, o estilo de vida, a idade, o estado da pele e o grau de sujidade contam. Quando for necessário dar banho, use um champô formulado para cães, siga as instruções e enxague bem; os produtos para pessoas podem não ser adequados à pele canina. Escove de acordo com a pelagem e mantenha as sessões agradáveis. Se parecer necessário dar banho com muita frequência ou a pele ficar repetidamente irritada após os cuidados, peça orientação ao veterinário em vez de acrescentar produtos mais fortes.
Quando deve consultar o veterinário
Peça aconselhamento veterinário perante uma erupção persistente ou que se alarga, feridas, crostas, perda súbita de pelo, um novo nódulo, lambidelas ou comichão repetidas, dor ao toque ou um problema que regressa. Procure assistência rapidamente se a zona piorar depressa, inchar muito, sangrar, causar dor significativa ou se o cão parecer doente. Muitas doenças da pele são semelhantes; o historial, a evolução e o exame são importantes, e o veterinário pode recomendar testes em vez de se basear apenas no aspeto. Não aplique medicamentos humanos nem produtos que tenham sobrado sem indicação veterinária.
Perguntas frequentes
Estas respostas dão algumas pistas, mas não substituem uma avaliação quando a pele mudou.
A pele saudável do cão é sempre cor-de-rosa?
Não. A pigmentação varia naturalmente e alguns cães têm pele escura ou manchada por baixo do pelo. Compare a zona com o que é habitual no seu cão e peça aconselhamento se uma alteração recente da cor vier acompanhada de textura diferente, desconforto, feridas ou perda de pelo.
Posso usar o meu champô no cão?
É mais seguro escolher um produto formulado para cães e seguir o rótulo. A pele canina é diferente da pele humana e a necessidade de banho varia de cão para cão. Se o cão tiver uma doença de pele diagnosticada, fale com o veterinário antes de usar um champô medicamentoso ou dar banhos frequentes.
Em poucas palavras
A pele é um órgão sensorial com várias camadas que trabalha em conjunto com a pelagem e as glândulas. A observação delicada, os cuidados adequados ao tipo de pelo e uma alimentação equilibrada fazem parte da rotina. A melhor comparação é com o estado habitual do seu próprio cão; se uma alteração persistir, se alargar ou causar desconforto, o veterinário pode investigar a causa.
Fontes
Merck Veterinary Manual: Estrutura da pele do cão; Merck Veterinary Manual: Sistema tegumentar dos animais; VCA: Aspeto da pele e da pelagem no cão saudável; WSAVA: Diretrizes globais de nutrição; Merck Veterinary Manual: Diagnóstico de doenças da pele em pequenos animais; Cornell Riney Canine Health Center: Higiene e cuidados cooperativos.