A displasia do cotovelo em cães é uma malformação do desenvolvimento da articulação do cotovelo que se manifesta como claudicação de um membro anterior em cães jovens de raças grandes e que evolui, para toda a vida, para artrose (osteoartrite). Não se trata de um único defeito, mas de um conjunto de lesões — fragmentação do processo coronoide medial, osteocondrose, processo ancóneo não unido, ou simplesmente os três ossos do cotovelo que não encaixam bem entre si. Não tem cura, mas pode ser bem gerida, e quanto mais cedo o cão for diagnosticado, mais cotovelo se consegue preservar.
Resposta rápida: se o seu cão de raça grande, com menos de dois anos, coxeia de uma pata da frente de forma persistente, pense em displasia do cotovelo e peça ao médico veterinário uma avaliação ortopédica — uma radiografia «limpa» não exclui a doença, e a TAC ou a artroscopia são muitas vezes necessárias. A cirurgia melhora o conforto na maioria dos casos, mas a artrose continua a progredir; por isso, o controlo do peso, o exercício controlado, a reabilitação, a analgesia prescrita e um bom suplemento articular com ómega-3 fazem parte de um plano para toda a vida.
Este guia explica o que está realmente a falhar dentro da articulação, como o médico veterinário confirma o diagnóstico (e porque é que uma radiografia «normal» não chega), o que a cirurgia consegue e não consegue resolver, e o que a evidência realmente apoia na gestão de longo prazo que se segue. Se o seu cão já mostra rigidez, o nosso guia sobre a artrite em cães é uma leitura complementar útil.
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O que é, de facto, a displasia do cotovelo no cão
O cotovelo do cão é uma articulação de três ossos: o úmero em cima e, em baixo, o rádio e o cúbito (ulna). Estes três ossos têm de crescer a ritmos coordenados e encontrar-se com uma congruência quase perfeita. Quando isso não acontece, a carga concentra-se numa pequena área de cartilagem em vez de se distribuir por toda a articulação — e a cartilagem sujeita a carga concentrada acaba por ceder.
O American College of Veterinary Surgeons (ACVS) agrupa as lesões resultantes em doença do compartimento medial (fragmentação do processo coronoide, osteocondrose, incongruência articular e anomalia da cartilagem) e processo ancóneo não unido. A fragmentação do processo coronoide medial é a forma mais frequente. A causa é considerada multifatorial: a genética e os defeitos de crescimento da cartilagem — a mesma falha de maturação da cartilagem em osso que produz a osteocondrite dissecante no cão —, os traumatismos e a alimentação aparecem todos na literatura, e nenhum fator desencadeante isolado foi identificado.
Há uma consequência que importa mais do que a anatomia: uma vez lesada a cartilagem, a artrose secundária instala-se e progride, faça-se o que se fizer depois. Todas as decisões de gestão descritas abaixo servem para abrandar essa curva, não para a inverter.
Que cães são afetados — e quanto é hereditário
A displasia do cotovelo é uma doença hereditária observada sobretudo em raças grandes e gigantes. O Rottweiler, o Labrador Retriever, o Pastor Alemão, o Golden Retriever e o Chow Chow estão no topo da lista de prevalência, embora o Riney Canine Health Center da Universidade de Cornell refira que o Pug aparece em segundo lugar na lista da Orthopedic Foundation for Animals (OFA) — não é, portanto, uma doença exclusiva dos cães grandes.
Em Portugal, as raças nacionais de grande porte merecem a mesma atenção: o Cão da Serra da Estrela, o Rafeiro do Alentejo e o Cão de Castro Laboreiro crescem depressa e pesam muito, o que põe à prova cotovelos e ancas durante o crescimento. Quem procura um cachorro destas raças, ou de um Labrador ou Pastor Alemão, deve perguntar ao criador pelos resultados oficiais de rastreio dos cotovelos dos progenitores — os clubes de raça e o Clube Português de Canicultura (CPC), membro da FCI, seguem o sistema de classificação internacional dos cotovelos.
«Hereditário» é muitas vezes dito de forma vaga, mas foi efetivamente medido. Um estudo de 4070 registos de cotovelos do programa de rastreio da Associação Veterinária da Nova Zelândia estimou a heritabilidade da pontuação do pior cotovelo em quatro raças:
| Raça | Heritabilidade da pontuação do pior cotovelo (h²) | Leitura prática |
|---|---|---|
| Labrador Retriever | 0,46 (EP 0,06) | Quase metade da variação é genética — o rastreio dos progenitores conta muito |
| Rottweiler | 0,29 (EP 0,11) | Fortemente genética, mas o ambiente e o crescimento continuam a influenciar o resultado |
| Pastor Alemão | 0,25 (EP 0,06) | Componente genética clara; o programa neozelandês mostrou uma tendência genética favorável |
| Golden Retriever | 0,18 (EP 0,07) | A mais baixa das quatro — progenitores normais não são garantia |
Fonte: Soo, Lopez-Villalobos e Worth, New Zealand Veterinary Journal, 2018 (PMID 29457536).
Daqui resultam duas coisas. O rastreio dos cães reprodutores é a alavanca mais eficaz que existe contra esta doença. E, para os tutores, vale a pena planear cedo os cuidados articulares específicos da raça, em vez de reagir só quando surgem os sinais — sobretudo no Labrador, no Pastor Alemão, no Rottweiler, no Golden Retriever e nas raças portuguesas de grande porte.
Sinais de displasia do cotovelo no cão
Os sinais começam normalmente por volta dos cinco meses de idade, embora os casos ligeiros possam passar despercebidos até a artrose se manifestar, aos sete ou oito anos. O que os tutores costumam ver:
- Claudicação de um membro anterior que piora ao longo de semanas ou meses, é pior depois do exercício e nunca desaparece completamente com o repouso.
- Uma pata virada para dentro, com o cotovelo afastado do corpo — o cão a tirar peso do compartimento medial dorido.
- Um movimento de cabeça: a cabeça sobe quando a pata dolorosa toca no chão e desce quando apoia a pata sã.
- Passada mais curta e menor amplitude de movimento, por vezes com inchaço ou calor sobre o cotovelo.
- Recusa em terminar o passeio ou uma diminuição geral da atividade.
Eis a armadilha: o ACVS indica que ambos os cotovelos estão afetados em até 80% dos doentes. Quando os dois doem por igual, não há claudicação visível — a marcha mantém-se simétrica e o cão parece apenas «preguiçoso» ou «mais lento». A doença bilateral é a razão pela qual tantos destes cães são diagnosticados tarde.
Como se faz o diagnóstico — e porque uma radiografia limpa não é prova
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Apoio complementar; não substitui o diagnóstico veterinário nem o tratamento prescrito.
O diagnóstico começa com um exame de claudicação e a deteção de dor na flexão ou extensão completa do cotovelo, seguido de radiografias. A OFA classifica os cotovelos de 0 a 3 com base na proliferação óssea no processo ancóneo: o grau 1 corresponde a menos de 3 mm, o grau 2 a 3–5 mm com alterações subcondrais e o grau 3 a doença articular degenerativa bem desenvolvida. Na Europa, os rastreios oficiais seguem a escala do International Elbow Working Group, adotada pela FCI, com uma lógica semelhante.
Essa classificação de rastreio é muito menos definitiva do que a maioria dos tutores pensa. Num estudo que reexaminou por TAC (o método de referência) 46 cotovelos já rastreados, havia displasia em 62% dos cotovelos classificados como grau 0 e em 75% dos classificados como grau 1 — todos com doença do coronoide medial. Em comparação com a TAC, a classificação OFA teve uma sensibilidade de 75%, mas uma especificidade de apenas 38% (Vet Radiol Ultrasound, 2014, PMID 24833331).

Na prática: uma radiografia de rastreio normal não iliba um cão jovem que coxeia. Se um cão de raça grande com menos de dois anos coxeia de forma persistente de um membro anterior e as radiografias parecem normais, são a TAC e a artroscopia que esclarecem a dúvida. Os cirurgiões de Cornell recomendam exatamente isso para cães com sintomas. Em Portugal, estes exames estão disponíveis em hospitais veterinários de referência e centros de imagiologia em Lisboa, no Porto, em Coimbra e noutras cidades, normalmente por referência do seu médico veterinário assistente.
Tratamento da displasia do cotovelo: o que a cirurgia consegue e não consegue fazer
Na maioria dos casos confirmados recomenda-se cirurgia — habitualmente a remoção artroscópica dos fragmentos do coronoide e da cartilagem solta, a refixação ou remoção de um processo ancóneo não unido, uma osteotomia do cúbito para restabelecer a congruência ou deslocar a carga e, em articulações muito afetadas, a prótese do cotovelo. A recuperação implica normalmente duas a seis semanas, ou mais, de confinamento.
O ACVS refere que, em média, cerca de 85% dos casos mostram algum grau de melhoria da claudicação e do conforto após o tratamento cirúrgico — enquanto a artrose continua a progredir nas radiografias. É este o enquadramento honesto: a cirurgia compra conforto e função, não uma articulação curada. Kei Hayashi, de Cornell, que estuda o cotovelo do cão há quase trinta anos, é direto: são propostas muitas opções de tratamento, muitas vezes com fins comerciais, mas «nada foi cientificamente provado como eficaz».
Quando a cirurgia não é possível, a gestão médica — controlo do peso, exercício controlado, reabilitação e analgesia prescrita — passa a ser o plano principal, e não um mero complemento. Em Portugal e na restante União Europeia, os anti-inflamatórios e analgésicos para cães (carprofeno, meloxicam, grapiprant, gabapentina, anticorpos monoclonais como o Librela) são medicamentos veterinários sujeitos a receita, regulados pelo Regulamento (UE) 2019/6 e autorizados ou supervisionados pela DGAV — só o médico veterinário os pode prescrever.
A gestão para toda a vida, ordenada pela evidência
| Alavanca | O que faz | Força da evidência |
|---|---|---|
| Manter o cão magro | Retira carga a uma articulação que não consegue distribuí-la corretamente | Forte para a doença articular e para a esperança de vida em geral; ver a ressalva sobre o cotovelo mais abaixo |
| Exercício regular e controlado | Mantém o apoio muscular e a amplitude de movimento; evita saltos e derrapagens | Recomendado de forma consistente por faculdades de veterinária e especialistas |
| Reabilitação (hidroterapia, passadeira subaquática, fisioterapia) | Fortalece a musculatura com carga articular mínima | Cuidado pós-operatório padrão; também usada quando a cirurgia é recusada |
| Controlo da dor prescrito pelo veterinário (AINE e outros) | Controla diretamente a dor e a inflamação | Forte — e sujeito a receita médico-veterinária por boas razões |
| Ómega-3 (EPA/DHA) em dose de suplemento | Melhora o apoio do peso medido em cães com artrose | A evidência nutracêutica mais sólida disponível |
| Glucosamina + condroitina isoladas | Substrato para a cartilagem; uso tradicional de longa data | Fraca — ver abaixo, dito com clareza |
A reabilitação está cada vez mais acessível em Portugal, com centros de fisioterapia e hidroterapia veterinária nas principais cidades. Para saber o que esperar de uma sessão, veja o nosso guia sobre hidroterapia para cães.
O que diz realmente a evidência sobre os suplementos articulares
Nenhum suplemento volta a fixar um fragmento do coronoide nem corrige uma articulação incongruente. Os suplementos pertencem à camada de gestão da artrose que se segue, e a versão honesta dessa evidência é mista.
A revisão sistemática e meta-análise de 2022 sobre dietas terapêuticas e nutracêuticos na osteoartrite canina e felina encontrou uma eficácia analgésica clara para as dietas enriquecidas em ómega-3 e os suplementos de ómega-3, uma eficácia mais fraca para o colagénio e aquilo que os autores descreveram como «um não-efeito muito marcado» dos nutracêuticos de condroitina e glucosamina na dor — concluindo que estes não deveriam continuar a ser recomendados para o controlo da dor (Int J Mol Sci, 2022, PMID 36142319). Vendemos produtos que contêm glucosamina e condroitina, e essa conclusão mantém-se; é precisamente por isso que uma fórmula não deve assentar apenas nestes dois ingredientes.
A evidência a favor do ómega-3 é concreta. Num ensaio aleatorizado e em dupla ocultação com 38 cães com artrose, um alimento suplementado com 3,5% de ómega-3 de óleo de peixe melhorou a força vertical máxima média em 5,6% ao dia 90, medida em plataforma de forças, com 82% dos cães do grupo de teste a melhorar contra 38% dos controlos (J Am Vet Med Assoc, 2010, PMID 20043801). O colagénio tipo II não desnaturado (UC-II) também superou a combinação glucosamina + condroitina em medições com plataforma de forças em cães com artrite (J Anim Physiol Anim Nutr, 2012, PMID 21623931).
É este o argumento factual a favor de uma fórmula mais ampla. Os mastigáveis para ancas e articulações da Pure Majesty Pets reúnem, entre os seus ingredientes ativos, precisamente aqueles que a investigação acima apoia para um cotovelo que já caminha para a artrose: ómega-3, mexilhão de lábio verde e colagénio tipo II não desnaturado (UC-II) — a par de glucosamina, condroitina, MSM, ácido hialurónico, membrana de casca de ovo e o grupo curcuma/boswellia/gengibre. Um mastigável típico só com glucosamina e condroitina pertence exatamente à categoria que a meta-análise de 2022 considerou ineficaz para a dor. A dose segue o peso corporal: um mastigável até cerca de 11 kg, dois mastigáveis entre 12 e 34 kg e três acima de 34 kg. Para cães que recusam mastigáveis ou que precisam de um ajuste mais fino, a glucosamina líquida para cães (29,95 €) cumpre a mesma função em gotas. Nenhum dos dois é um medicamento e nenhum substitui o plano cirúrgico ou analgésico definido pelo seu médico veterinário.
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Suplementos articulares à venda em Portugal: como comparar
Nas farmácias, clínicas e lojas online portuguesas (como a zooplus.pt ou a Kiwoko) encontram-se condroprotetores conhecidos como o Flexadin (Vetoquinol), o Seraquin (Boehringer Ingelheim) ou o Synoquin. Ao comparar, olhe para três coisas: se a fórmula inclui ómega-3 ou mexilhão de lábio verde (e não apenas glucosamina e condroitina), se as quantidades por dose estão declaradas e se o formato é fácil de dar todos os dias durante anos. Na UE, estes produtos são alimentos complementares para animais, sujeitos ao Regulamento (CE) n.º 767/2009 — o rótulo não pode alegar que previnem, tratam ou curam uma doença.
O cotovelo não é a anca — o que mostrou o estudo de toda a vida
«Mantenha-o magro» é repetido por todo o lado, normalmente citando o estudo de toda a vida da Purina. Esse estudo é real e importante: 48 Labradores foram emparelhados, e um cão de cada par recebeu menos 25% de comida desde as oito semanas de idade até à morte; os cães com restrição viveram significativamente mais tempo, com um início mais tardio das doenças crónicas (J Am Vet Med Assoc, 2002, PMID 11991408).
O que quase nunca se menciona é o que aconteceu especificamente no cotovelo. Quando os cotovelos do mesmo grupo foram examinados radiograficamente aos seis e aos oito anos e no fim da vida, além de macroscópica e histologicamente, não houve diferença estatística na frequência de artrose entre o grupo com restrição e o grupo de controlo em nenhum momento — só a gravidade diferiu, e apenas aos seis anos. A restrição alimentar aumentou a esperança de vida mediana em 1,8 anos sem agravar a doença do cotovelo, e os autores apoiaram a restrição calórica como ferramenta para abrandar a progressão da artrose do cotovelo, notando que momentos de avaliação mais precoces poderiam ter mostrado diferenças maiores (Vet Surg, 2009, PMID 19236677).
Portanto: mantenha o cão magro, sem dúvida — pelo cão no seu todo e pelo conforto diário da articulação. Mas não espere que a magreza, por si só, evite a artrose do cotovelo da forma como comprovadamente ajuda a anca. É uma alavanca entre várias, não a resposta. Para o lado da anca, veja o nosso guia sobre a displasia da anca no cão. Para calcular as porções, as orientações nutricionais da FEDIAF e o seu médico veterinário são o ponto de partida.
Um primeiro mês realista após o diagnóstico
Defina expectativas em semanas, não em dias, e tome notas — a memória do tutor é um mau instrumento para medir mudanças lentas.
- Semana 1: confirme o plano com o seu médico veterinário (cirurgia ou gestão médica), comece a avaliar a condição corporal e acabe com os saltos da cama, do sofá e da bagageira do carro. Defina uma rotina fixa de passeios curtos à trela.
- Semanas 2–3: se um suplemento faz parte do plano, dê-o todos os dias e na dose correta para o peso. Registe três coisas concretas: o tempo que o cão demora a levantar-se de manhã, a vontade de subir escadas e se termina o passeio habitual.
- Semanas 4–8: é a janela em que os tutores costumam notar mais facilidade de movimento, se ela vier. Nenhuma mudança ao fim de oito semanas de uso diário consistente é uma informação útil — leve-a ao seu médico veterinário em vez de duplicar a dose em silêncio.
Uma nota para o clima português: no verão, passeie de manhã cedo ou ao fim do dia, quando o piso está fresco, e prefira terra batida ou relva a calçada e alcatrão; no inverno húmido do litoral, a rigidez matinal tende a notar-se mais, por isso um aquecimento de cinco minutos a passo antes de brincadeiras mais intensas faz diferença.
Erros comuns na displasia do cotovelo
- Interpretar «não coxeia» como «não tem nada». A doença bilateral esconde-se. Esteja atento a uma passada mais curta e a um cão que deixa de terminar os passeios.
- Gestão só com repouso. Um confinamento prolongado sem exercício controlado nem reabilitação custa músculo, e é desse músculo que a articulação depende.
- Recorrer a anti-inflamatórios humanos. O ibuprofeno, o naproxeno e o paracetamol são tóxicos para os cães. O controlo da dor vem do seu médico veterinário.
- Comprar pelos nomes dos ingredientes e não pelas quantidades. Um rótulo que lista quinze ativos em quantidades vestigiais é marketing, não uma fórmula.
- Tratar um suplemento como alternativa ao diagnóstico. Um cão jovem de raça grande com claudicação persistente de um membro anterior precisa de imagiologia, não de um frasco.
Quando contactar o médico veterinário
Marque uma consulta para qualquer cão jovem de raça grande com claudicação de um membro anterior que dure mais de alguns dias, qualquer claudicação que piore depois do exercício e não passe com repouso, inchaço ou calor no cotovelo, dor evidente ao fletir a articulação, uma pata que de repente deixa de apoiar, ou um cão cuja atividade diminuiu sem razão aparente. Se o diagnóstico já está feito e o conforto se degrada apesar do plano atual, isso também justifica uma consulta — existem opções como a reabilitação, as terapias articulares injetáveis e a referência a um cirurgião, e é o seu médico veterinário que decide quais se adequam. A Ordem dos Médicos Veterinários (OMV) disponibiliza informação sobre os profissionais inscritos em Portugal.
Perguntas frequentes sobre a displasia do cotovelo em cães
Um cão com displasia do cotovelo pode ter uma vida normal?
Muitos têm. A doença não tem cura, mas com cirurgia quando indicada, mais controlo do peso, exercício controlado, reabilitação e controlo da dor, o ACVS refere um bom prognóstico a longo prazo para a maioria dos doentes — cerca de 85% dos casos operados melhoram na claudicação e no conforto. O que não muda é que a artrose continua a progredir, por isso os cuidados são para toda a vida e não uma solução pontual.
Em que idade aparece a displasia do cotovelo no cão?
Os sinais clínicos começam normalmente por volta dos cinco meses de idade, e a maioria dos cães é diagnosticada entre os quatro e os doze meses, com exame de claudicação e radiografias. Um diagnóstico verdadeiro não é feito antes dos quatro a seis meses, enquanto as placas de crescimento ainda estão a fechar. Os casos ligeiros podem manter-se silenciosos até a artrose se tornar evidente, aos sete ou oito anos.
Os suplementos articulares ajudam na displasia do cotovelo?
Não conseguem corrigir o problema estrutural — nenhum suplemento volta a fixar um processo coronoide fragmentado. Na camada de gestão da artrose, a meta-análise de 2022 concluiu que os suplementos de ómega-3 tinham o efeito analgésico mais claro, enquanto os produtos de glucosamina e condroitina mostraram um não-efeito marcado na dor. Um suplemento é, portanto, uma medida de apoio ao lado dos cuidados veterinários, e não um tratamento da displasia.
A displasia do cotovelo é hereditária?
Sim. A heritabilidade da pontuação do pior cotovelo foi estimada em 0,46 no Labrador Retriever, 0,29 no Rottweiler, 0,25 no Pastor Alemão e 0,18 no Golden Retriever. Progenitores normais podem ainda assim ter cachorros afetados, mas a incidência é muito menor do que quando um ou ambos os progenitores têm maus cotovelos — é por isso que existem programas de rastreio.
A displasia do cotovelo é o mesmo que a displasia da anca?
Não. Ambas são doenças articulares do desenvolvimento dos cães de raças grandes que terminam em artrose, mas envolvem articulações, lesões e cirurgias diferentes — e a evidência não se transfere diretamente de uma para a outra, como mostram os dados de restrição calórica ao longo da vida apresentados acima.
Quanto custam os mastigáveis articulares da Pure Majesty Pets em Portugal?
Os mastigáveis para ancas e articulações custam 49,95 € e a glucosamina líquida 29,95 €, com envio grátis para Portugal e envio DDP, ou seja, direitos e IVA já incluídos e nada a pagar na entrega.
Leituras adicionais e fontes
Para uma visão mais ampla das articulações do cão, consulte também os nossos guias sobre a displasia da anca, a artrite em cães e a hidroterapia, referidos ao longo deste artigo. A displasia do cotovelo é o problema de desenvolvimento do membro anterior; nas patas traseiras, o problema que os tutores mais encontram é a rótula que sai do sulco (luxação da rótula), que deve ser avaliada pelo médico veterinário da mesma forma.
- American College of Veterinary Surgeons. Canine Elbow Dysplasia (tema de saúde para tutores).
- Cornell University College of Veterinary Medicine, Riney Canine Health Center. Elbow dysplasia.
- Soo M, Lopez-Villalobos N, Worth AJ. Heritabilities and genetic trends for elbow score as recorded by the New Zealand Veterinary Association Elbow Dysplasia Scheme (1992–2013) in four breeds of dog. N Z Vet J. 2018;66(3):154–161. PMID 29457536. doi:10.1080/00480169.2018.1440652
- Kunst CM, Pease AP, Nelson NC, Habing G, Ballegeer EA. Computed tomographic identification of dysplasia and progression of osteoarthritis in dog elbows previously assigned OFA grades 0 and 1. Vet Radiol Ultrasound. 2014;55(5):511–520. PMID 24833331. doi:10.1111/vru.12171
- Barbeau-Grégoire M, et al. A 2022 systematic review and meta-analysis of enriched therapeutic diets and nutraceuticals in canine and feline osteoarthritis. Int J Mol Sci. 2022;23(18):10384. PMID 36142319. doi:10.3390/ijms231810384
- Roush JK, et al. Evaluation of the effects of dietary supplementation with fish oil omega-3 fatty acids on weight bearing in dogs with osteoarthritis. J Am Vet Med Assoc. 2010;236(1):67–73. PMID 20043801. doi:10.2460/javma.236.1.67
- Gupta RC, et al. Comparative therapeutic efficacy and safety of type-II collagen (UC-II), glucosamine and chondroitin in arthritic dogs: pain evaluation by ground force plate. J Anim Physiol Anim Nutr (Berl). 2012;96(5):770–777. PMID 21623931. doi:10.1111/j.1439-0396.2011.01166.x
- Kealy RD, et al. Effects of diet restriction on life span and age-related changes in dogs. J Am Vet Med Assoc. 2002;220(9):1315–1320. PMID 11991408. doi:10.2460/javma.2002.220.1315
- Huck JL, Biery DN, Lawler DF, Gregor TP, et al. A longitudinal study of the influence of lifetime food restriction on development of osteoarthritis in the canine elbow. Vet Surg. 2009;38(2):192–198. PMID 19236677. doi:10.1111/j.1532-950X.2008.00487.x
- Regulamento (CE) n.º 767/2009 relativo à colocação no mercado e à utilização de alimentos para animais; Regulamento (UE) 2019/6 relativo aos medicamentos veterinários; Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV).
Aviso veterinário: este artigo é informativo e não constitui aconselhamento veterinário, diagnóstico nem plano de tratamento. A displasia do cotovelo é uma doença ortopédica estrutural que exige diagnóstico e acompanhamento veterinários. Os suplementos para animais são alimentos complementares, não medicamentos; não se destinam a diagnosticar, tratar, curar ou prevenir qualquer doença (Regulamento (CE) n.º 767/2009). Fale sempre com o seu médico veterinário antes de iniciar um suplemento, sobretudo se o cão toma medicação prescrita ou aguarda cirurgia. As marcas mencionadas pertencem aos respetivos proprietários; a Pure Majesty Pets não tem qualquer ligação a elas.