Osteocondrite dissecante no cão: sinais, cirurgia e cuidados

Yellow Labrador standing on grass beside a park path

A osteocondrite dissecante (OCD) no cão é uma doença articular do crescimento: uma zona de cartilagem em desenvolvimento não chega a transformar-se em osso, fissura e levanta-se da superfície da articulação, quase sempre no ombro de um cachorro de raça grande entre os quatro e os doze meses de idade. O primeiro sinal costuma ser uma claudicação de um membro anterior que vai e vem, piora depois do exercício e não passa com o repouso. O diagnóstico faz-se por imagem, o tratamento é habitualmente cirúrgico, feito por um médico veterinário cirurgião, e a articulação afetada vai precisar de cuidados para o resto da vida do cão.

Este guia explica o que é exatamente a lesão de osteocondrite dissecante, os números de incidência de um estudo com mais de 600 000 cães, porque é que um raio-X normal não exclui o problema, como funciona o encaminhamento para um centro de referência em Portugal e o que perguntar sobre custos, o que a cirurgia resolve e o que não resolve, e o único erro alimentar que se demonstrou experimentalmente agravar a osteocondrose.

Resposta rápida: a OCD no cão é um retalho de cartilagem ou um fragmento solto numa articulação em crescimento, sobretudo no ombro, em cachorros de raças grandes. Exige exames de imagem feitos pelo médico veterinário e, na maioria dos casos, cirurgia artroscópica. Nenhum suplemento trata a lesão. Depois da cirurgia, manter o cão magro e dar-lhe apoio articular a longo prazo ajuda a gerir a artrose que se instala em quase todas as articulações operadas.

O que é a osteocondrite dissecante no cão

O osso em crescimento alonga-se através da ossificação endocondral: um molde de cartilagem que vai sendo convertido progressivamente em osso. A osteocondrose é uma falha localizada dessa conversão. Uma pequena área de cartilagem de crescimento perde a irrigação sanguínea, as células morrem e, em vez de se tornar osso, a cartilagem fica espessa e frágil (Olstad, Veterinary Pathology, 2015, PMID 26080832).

Os patologistas veterinários descrevem três fases, e a distinção é mais importante do que parece:

Fase O que está a acontecer É visível nos exames de imagem?
Osteocondrose latente (latens) Cartilagem morta no interior da cartilagem de crescimento, sem alteração à superfície Não. Invisível nos exames de imagem clínicos habituais
Osteocondrose manifesta (manifesta) A zona morta atinge a frente de ossificação e deixa um defeito no osso Visível como um defeito radiotransparente, melhor na TAC
Osteocondrite dissecante (OCD) A cartilagem por cima do defeito fratura e levanta-se: forma-se um retalho ou um fragmento livre Sim; o retalho ou o fragmento é o próprio diagnóstico

Só a terceira fase se chama OCD. Um fragmento solto a flutuar dentro da articulação é o que muitos tutores ouvem chamar «rato articular», e pode deslocar-se: há fragmentos de uma lesão do ombro documentados a migrar para a bainha do tendão do bíceps (PMID 36994481).

Há duas nuances que a maior parte dos artigos para o público erra. Primeiro, o mecanismo isquémico (falta de irrigação sanguínea) foi confirmado em porcos e cavalos; no cão é o modelo de trabalho aceite, mas não está demonstrado com o mesmo rigor. Segundo, nem todas as lesões de osteocondrose evoluem para OCD. A revisão de Olstad confirma que algumas lesões precoces cicatrizam sozinhas, preenchendo-se com osso. É uma das razões pelas quais a decisão de operar pertence a um cirurgião que está a olhar para as imagens, e não a uma lista de verificação encontrada na internet.

Cão de raça grande a caminhar confortavelmente ao ar livre, o objetivo de mobilidade a longo prazo depois do tratamento da osteocondrite dissecante

Que articulações e que cães: os números reais da osteocondrose

A maioria dos artigos diz «raças grandes, normalmente o ombro» e fica por aí. Um estudo sueco de 2024, baseado nos dados de uma seguradora com pouco mais de 600 000 cães, pôs números concretos nessa ideia (Engdahl et al., Preventive Veterinary Medicine, PMID 38795580):

  • Ordem das articulações: o ombro é a mais frequente, seguido do cotovelo, do tarso (curvilhão) e do joelho.
  • Incidência: 3,77 casos por 10 000 cães-ano em risco (IC 95 %: 3,49–4,07), com 685 cães afetados na coorte.
  • Sexo: os machos tiveram um risco 76 % superior ao das fêmeas (RR 1,76; IC 95 %: 1,50–2,07).
  • Raça: todas as raças com risco aumentado eram grandes ou gigantes. Nenhuma raça pequena entrou na lista.
  • Idade: idade mediana no primeiro diagnóstico de 0,74 anos, cerca de nove meses.

Nas consultas, as raças mais citadas são o Dogue Alemão, o Labrador Retriever e o Golden Retriever, o Terra-Nova, o Rottweiler, o Boieiro de Berna, o Pastor Alemão e o São Bernardo. O Manual Veterinário Merck aponta o crescimento rápido, a nutrição excessiva, os traumatismos e uma componente hereditária como fatores suspeitos (Merck Veterinary Manual). Em Portugal, quem tem um cachorro de uma raça grande nacional, como o Cão da Serra da Estrela, o Rafeiro do Alentejo ou o Cão de Castro Laboreiro, encaixa no mesmo perfil de risco geral (raça grande, crescimento rápido no primeiro ano), mesmo que estas raças não tenham sido analisadas individualmente no estudo sueco.

A OCD do joelho comporta-se de outra forma. A idade mediana no diagnóstico foi de 2,62 anos, e não de nove meses, e 13,8 % dos cães com OCD do joelho romperam mais tarde um ligamento cruzado. Um joelho operado em cachorro que fica subitamente coxo aos quatro anos não é «só artrose».

O atraso no diagnóstico é frequente e tem custos. 30,2 % dos cães com OCD do joelho e 15,0 % dos cães com OCD do tarso já tinham registado um diagnóstico de dor articular ou de sinais vagos antes de a OCD ser identificada. Na mesma coorte, 77 cães foram eutanasiados por causa da osteocondrose, que foi o motivo de eutanásia mais comum entre os cães afetados. Se um cachorro de raça grande coxeia e lhe dizem que são «dores de crescimento», é uma primeira resposta razoável, não uma resposta definitiva.

Sinais de osteocondrite dissecante no cão, articulação a articulação

Articulação O que costuma ver Idade típica
Ombro (cabeça do úmero) Claudicação de um membro anterior, passada mais curta, relutância em estender o ombro e, com o tempo, perda de músculo sobre a omoplata 4–12 meses
Cotovelo Claudicação anterior, cotovelo ligeiramente virado para fora; confunde-se muitas vezes com a displasia do cotovelo no cão, e surge frequentemente associada a ela 4–12 meses
Curvilhão / tarso Claudicação posterior, curvilhão inchado, menor flexão do tarso, membro posterior com aspeto mais «direito» Mediana de cerca de 9 meses
Joelho Claudicação posterior, forma estranha de se sentar e, mais tarde, lesão do ligamento cruzado Muitas vezes mais tarde, mediana de 2,6 anos

O padrão que deve levá-lo ao médico veterinário: uma claudicação que piora depois do repouso e depois do exercício intenso, que alterna entre membros (os dois lados são afetados com frequência) e que dura há mais de alguns dias num cão com menos de um ano. Se ainda não tem a certeza de que aquilo que vê é mesmo claudicação, o nosso guia sobre o cão a coxear explica como avaliar a gravidade em casa. Se também observa tosse, deve abordá-la separadamente; comparação de suplementos respiratórios apresenta os critérios e os limites dos suplementos respiratórios.

Diagnóstico da OCD em Portugal: raio-X, TAC e encaminhamento

O seu médico veterinário assistente começa normalmente por radiografias da articulação afetada, com o cão sedado. Peça que sejam radiografados os dois membros: o colégio americano de cirurgiões veterinários (ACVS) recomenda radiografar os dois ombros mesmo quando só uma pata coxeia, porque a doença é muitas vezes bilateral (ACVS). Num seguimento de longo prazo, 20 cães tinham 26 ombros afetados (PMID 36086929).

Porque é que um raio-X normal não exclui a doença. A osteocondrose latente, a fase mais precoce, não se vê de todo nos exames de imagem clínicos habituais (Olstad, 2015). Um estudo da Universidade da Florida com 32 cães jovens com claudicação anterior encontrou lesões na TAC em 13 cães (19 articulações do ombro), das quais 10 cães (16 articulações) tinham lesões do osso subcondral, e concluiu que a tomografia computorizada (TAC) é um complemento útil às radiografias para as identificar (Lande et al., Veterinary Radiology & Ultrasound, 2014, PMID 24033788). Por isso, «as radiografias estavam limpas» significa que a lesão não era visível nesse dia. Se a claudicação persistir, pergunte pela TAC ou pela artroscopia. Se considera o CBD para uma conversa com o veterinário sobre o conforto, comparação de óleos de CBD para cães ajuda a comparar concentrações e informações do fabricante.

A quem recorrer. Em Portugal, o percurso habitual é o médico veterinário assistente referenciar o cão para um centro com TAC e um serviço de ortopedia, quer seja um hospital veterinário de referência privado, quer um hospital veterinário universitário (como os das faculdades de medicina veterinária de Lisboa, do Porto ou de Vila Real). Na Europa, os especialistas com título reconhecido são os diplomados do Colégio Europeu de Cirurgiões Veterinários (ECVS) e, para a leitura de imagem, do Colégio Europeu de Diagnóstico Veterinário por Imagem (ECVDI). Todos os médicos veterinários que exercem em Portugal estão inscritos na Ordem dos Médicos Veterinários (OMV). O seu veterinário escreve a referência e envia as imagens. Se a melatonina está entre as opções a discutir sobre o sono ou a rotina, guia dos produtos com melatonina explica os pontos a verificar antes da escolha.

Quanto custa. Não existe uma tabela pública de preços para a cirurgia de OCD em Portugal, e os valores variam muito consoante a articulação, a técnica (artroscopia ou cirurgia aberta), o número de articulações tratadas e o centro. Por isso não lhe damos um número inventado. O que convém fazer: pedir um orçamento por escrito que separe os exames (radiografias com sedação, TAC, análises) da cirurgia e da reabilitação, perguntar se o preço é por articulação ou por cirurgia e confirmar o que acontece se o cirurgião decidir tratar os dois ombros. A artroscopia tende a ser a opção mais cara, pelo equipamento e pela formação que exige. Se tem seguro de saúde animal, verifique a data de início da apólice: uma claudicação registada na ficha clínica antes da adesão é normalmente considerada uma doença preexistente.

Tratamento da osteocondrite dissecante: o que a cirurgia resolve e o que não resolve

Quando o retalho já se levantou, a abordagem padrão é a remoção artroscópica do retalho e o desbridamento (limpeza) do defeito. Melhora o conforto de forma fiável. Não devolve uma articulação normal.

A prova mais clara disso é um seguimento da Universidade Estadual do Ohio a cães operados ao ombro por osteocondrose há mais de um ano (Zann et al., Veterinary Surgery, 2023, PMID 36086929). Nos 26 ombros tratados:

  • Havia artrose em todas as articulações tratadas, e nos cães afetados de um só lado era significativamente pior do que no membro oposto, tanto na TAC (P = 0,005) como nas radiografias (P = 0,0001).
  • Todas as articulações operadas apresentavam sinovite moderada a grave.
  • A artroscopia de controlo mostrou apenas um preenchimento cartilagíneo irregular e incompleto: o defeito não volta a formar cartilagem normal.
  • O membro operado tinha menos massa muscular no braço, menor extensão do ombro e recebia em média 4,4 % menos carga.
  • Ainda assim, o pico de força vertical e o impulso vertical não diferiam de forma significativa entre membros, e a mobilidade avaliada pelos tutores foi satisfatória, embora a maioria dos cães mostrasse uma claudicação subtil no exame da marcha.

Lido com honestidade, o estudo diz isto: o seu cão vai muito provavelmente sentir-se bem e mexer-se bem, e a articulação vai continuar a mostrar artrose nas imagens, de forma permanente. A conclusão dos próprios autores é que se deve contar com a progressão da doença articular ao longo do tempo. Planear uma vida inteira de cuidados articulares não é pessimismo; é o que os dados de seguimento mostram.

Esquema que compara uma articulação canina saudável com uma articulação desgastada pela artrose secundária à osteocondrite dissecante

Outras opções que o cirurgião pode propor, com o respetivo nível de evidência:

Procedimento O que faz Nível de evidência
Desbridamento artroscópico Remove o retalho e limpa o defeito Os dados de resultados a longo prazo mais bem documentados (PMID 36086929)
Transferência de autoenxerto osteocondral (OATS) Tapa o defeito com um cilindro de cartilagem e osso retirado do próprio cão Série de casos de 14 cães / 16 ombros: 13 membros sem claudicação às 12–18 semanas; nenhum dos 12 membros reavaliados entre os 12 e os 46 meses estava coxo, mas sem grupo de controlo (PMID 21133954)
Recobrimento osteocondral sintético Preenche defeitos grandes com um implante Séries de casos no ombro (PMID 31115058) e no joelho (PMID 29534283)
Matriz de colagénio (polilactida-colagénio) Matriz biológica colocada no defeito Um dos raros ensaios aleatorizados, cegos e controlados da área, feito na Finlândia: menos artrose na TAC aos 6 meses do que só com desbridamento, mas sem diferença clínica nem na artrose aos 18 meses (PMID 39048025)
Tratamento conservador Repouso, controlo do peso, alívio da dor Não há nenhum ensaio publicado que o compare diretamente com a cirurgia. Escolhe-se caso a caso, normalmente para lesões pequenas sem retalho solto

O ensaio finlandês acrescenta um dado importante: aos 18 meses, todos os cães estavam sem claudicação e sem dor à palpação, mas a TAC mostrou artrose em 13 de 18 cães (18 de 25 ombros), qualquer que fosse a técnica. É a mesma mensagem do estudo do Ohio: a recuperação clínica costuma ser boa, a artrose instala-se na maioria dos casos.

O alívio da dor durante e depois de tudo isto é uma decisão que exige receita. Em Portugal, os anti-inflamatórios não esteroides para cães (carprofeno, meloxicam e outros) são medicamentos veterinários sujeitos a receita médico-veterinária, ao abrigo do Regulamento (UE) 2019/6, e a sua autorização e controlo cabem à DGAV. Nunca dê ao cão um anti-inflamatório da farmácia lá de casa. Se o seu veterinário receitou um AINE, o nosso artigo sobre o carprofeno para cães explica a lógica da dose e a monitorização, e o guia sobre injeções nas articulações do cão esclarece o que é, e o que não é, realmente injetado numa articulação.

Crescimento, cálcio e o erro alimentar que agrava a osteocondrose

É aqui que os tutores de cachorros de raças grandes fazem estragos reais com as melhores intenções.

Cachorros de Dogue Alemão alimentados com excesso de cálcio desde o desmame tiveram perturbações graves do desenvolvimento esquelético, típicas de raquitismo. Quando o cálcio voltou a valores normais, o raquitismo resolveu-se e as lesões de osteocondrose tornaram-se então visíveis. No grupo com cálcio e fósforo elevados, as alterações esqueléticas semelhantes à osteocondrose só se tinham resolvido parcialmente ao fim de dez semanas de dieta normal (Schoenmakers, Hazewinkel et al., Veterinary Record, 2000, PMID 11131552).

O excesso de cálcio é, tanto quanto a literatura verificada permite dizer, a única intervenção nutricional que se demonstrou experimentalmente influenciar as lesões de osteocondrose no cão, e influencia-as no sentido errado. Assim:

  • Nunca junte cálcio, farinha de osso, casca de ovo em pó ou um «fortificante dos ossos» a um alimento completo para cachorros de raças grandes.
  • Escolha um alimento cujo rótulo indique que é um alimento completo para cachorros (crescimento) de raças grandes. Na União Europeia, a rotulagem dos alimentos para animais segue o Regulamento (CE) n.º 767/2009, sob controlo oficial da DGAV, e os fabricantes formulam-nos segundo as diretrizes nutricionais da FEDIAF, que fixam teores mínimos e máximos de cálcio para a fase de crescimento. Escolher esse rótulo vale mais do que qualquer coisa que possa comprar num frasco.
  • As dietas caseiras e cruas são o caminho mais comum para um desequilíbrio acidental: está documentado um cachorro de Pastor Inglês alimentado com uma dieta caseira crua desequilibrada (deficiente em cálcio, fósforo e vitamina D) que desenvolveu osteopenia grave, com uma densidade mineral óssea 66 % abaixo do esperado (Dodd et al., PMID 31144390). Se quer dar uma dieta caseira, peça que seja formulada por um médico veterinário com formação em nutrição clínica.
  • A proteína não é a culpada. Cachorros de Dogue Alemão alimentados com diferentes níveis de proteína não desenvolveram as lesões esqueléticas que o excesso de cálcio provocou (Nap et al., Journal of Nutrition, 1991, PMID 1941203).
  • Abrandar a curva de crescimento, não travá-la. Os alimentos de crescimento para raças grandes são formulados para atingir o mesmo tamanho adulto, mas mais devagar; alimentar o cachorro para uma condição corporal magra, e não segundo a dose máxima indicada no saco, é a forma prática de o conseguir.

Controlo do peso: a alavanca com mais provas para as articulações

A variável que o tutor controla e que tem as provas mais sólidas para as articulações é a condição corporal. Em 48 Labradores, dar menos 25 % da mesma ração resultou em 7 de 24 cães com displasia da anca aos dois anos, contra 16 de 24 alimentados à vontade (Kealy et al., JAVMA, 1992, PMID 1399793). Mantida durante toda a vida, a restrição deu menos artrose radiográfica da anca, numa coorte em que a prevalência subiu de 15 % aos dois anos para 67 % aos catorze (Smith et al., JAVMA, 2006, PMID 16948575).

Estes estudos mediram ancas, não OCD, e não vamos fingir o contrário. Mas como todas as articulações operadas no seguimento do Ohio evoluíram para artrose, manter o cão magro é a medida mais defensável que um tutor pode tomar por essa articulação durante a década seguinte. O objetivo é uma condição corporal de 4 a 5 na escala de 9 pontos: costelas fáceis de sentir sob uma camada fina de gordura e cintura visível quando se olha de cima. A mesma lógica atravessa o nosso guia sobre os sintomas da displasia da anca em cães, a outra doença ortopédica do desenvolvimento que atinge as mesmas raças.

Rastreio ortopédico: o que criadores e compradores em Portugal devem saber

Na Europa, o rastreio oficial mais divulgado é o da displasia da anca e do cotovelo, feito por radiografia segundo os protocolos da FCI e registado no pedigree; em Portugal, o registo genealógico das raças reconhecidas pela FCI é feito pelo Clube Português de Canicultura (CPC). Para o ombro há menos esquemas oficiais. A referência mais conhecida é a americana Orthopedic Foundation for Animals (OFA), que tem uma avaliação específica da osteocondrose do ombro: considera a OCD uma doença hereditária de modo de transmissão desconhecido, exige uma incidência radiográfica lateral própria do ombro e só atribui número de registo a cães avaliados como normais a partir dos 12 meses de idade (OFA).

Para quem compra, isto significa duas coisas. Se está a escolher um cachorro de raça grande, pergunte ao criador pelos resultados de rastreio da anca e do cotovelo dos pais e se alguma vez tiveram os ombros radiografados ou problemas de OCD na linhagem; é uma pergunta simples que muitos criadores não ouvem. Confirme também o pedigree FCI e o microchip registado no SIAC, obrigatório para todos os cães em Portugal. Se o seu cão foi diagnosticado com OCD, não deve ser usado para reprodução, e o criador deve ser informado para que a informação chegue à linhagem.

Mitos e factos sobre a osteocondrite dissecante

O que vai ler por aí O que dizem as provas
«Exercício a mais causa OCD.» Nenhum estudo canino verificado demonstra que o nível de exercício ou os traumatismos sejam a causa. A carga repetitiva é um fator agravante plausível, não uma causa provada.
«A ração rica em proteína para cachorros provoca-a.» Não tem fundamento. O problema alimentar documentado é o excesso de cálcio (PMID 1941203 vs PMID 11131552).
«Um suplemento de cálcio fortalece as articulações.» É o contrário. Ver acima.
«Se o raio-X está limpo, não é OCD.» A fase mais precoce é invisível nos exames de imagem clínicos (PMID 26080832).
«A cirurgia cura.» A cirurgia alivia a dor. Havia artrose em 100 % dos ombros tratados no seguimento a longo prazo (PMID 36086929).
«Um suplemento articular consegue sarar o retalho de cartilagem.» Nenhum estudo, de qualquer tipo, mostra que um suplemento previna, trate ou reverta a OCD. Quem lhe vende essa ideia está a adivinhar.

Onde entra, com honestidade, um suplemento para as articulações do cão

Vendemos suplementos articulares, por isso dizemos sem rodeios quais são os limites antes de falar do produto: nada do que nos comprar a nós, ou a qualquer outra marca, vai fechar um defeito de cartilagem, dissolver um rato articular ou substituir a cirurgia. Se uma marca sugere o contrário, é uma alegação sem provas, e na União Europeia um alimento complementar para animais não pode alegar que previne, trata ou cura uma doença (Regulamento (CE) n.º 767/2009, art. 13.º).

Aquilo para que os suplementos são estudados é a artrose, o desgaste articular que, segundo Zann 2023, se segue à OCD em praticamente todas as articulações operadas. Essa fase é real, dura a vida toda e é onde o apoio nutricional tem dados concretos. A hierarquia, a partir da fonte mais rigorosa disponível:

Ingrediente Evidência na artrose canina Força
Ómega-3 de cadeia longa (óleo de peixe) A meta-análise de 2022 encontrou uma eficácia analgésica clínica evidente; melhor apoio de peso na plataforma de força (Roush et al., PMID 20043801); menor dose de carprofeno necessária num estudo multicêntrico (Fritsch et al., PMID 20187817) A mais forte
Colagénio tipo II não desnaturado (UC-II) Vários ensaios pequenos; a meta-análise de 2022 classificou o efeito do colagénio como «fraco» Fraca a moderada
Mexilhão de lábio verde (Perna canaliculus) Ensaios pequenos, com critérios de inclusão variáveis (PMID 15136981, PMID 16751841) Fraca a moderada
Glucosamina + condroitina sozinhas A revisão sistemática e meta-análise de 2022, com 72 ensaios, descreveu «um não-efeito muito marcado» sobre a dor e recomendou que esta dupla deixe de ser recomendada, por si só, para a dor da artrose (Barbeau-Grégoire et al., PMID 36142319) Sem apoio para a dor como produto de dois ingredientes

Essa última linha explica a forma como a nossa fórmula foi construída; analisamos essa literatura no guia sobre a condroitina para cães e no nosso guia completo da glucosamina para cães. Nas lojas de animais e nas clínicas em Portugal, os condroprotetores mais conhecidos (Flexadin da Vetoquinol, Seraquin da Boehringer Ingelheim, Synoquin, Cosequin) assentam sobretudo na glucosamina e na condroitina, com fórmulas que variam de marca para marca; vale a pena ler o rótulo de cada um. Os mastigáveis articulares para cães Pure Majesty Pets são a fórmula articular mais completa que fazemos: 17 ingredientes ativos num mastigável macio extrudido a frio, que juntam à glucosamina e à condroitina o colagénio tipo II não desnaturado (UC-II), a membrana da casca do ovo, o MSM, o ácido hialurónico, o mexilhão-verde, a curcuma com pimenta-preta, a Boswellia serrata, o gengibre, a quercetina e os extratos de mirtilo e de grainhas de uva, em vez de apostar a fórmula inteira na classe de ingredientes que a meta-análise rejeitou. Para os cães que cospem os mastigáveis, a alternativa é a nossa glucosamina líquida para cães, com glucosamina, condroitina e MSM em gotas que se doseiam ao peso e se misturam na comida. Como nenhum dos dois contém ómega-3, e o ómega-3 é o ingrediente com melhores provas na artrose, fale com o seu veterinário sobre uma fonte de óleo de peixe; o nosso colagénio líquido para cães inclui óleo de salmão, além de colagénio tipo II não desnaturado e ácido hialurónico. Todos são fabricados na América do Norte segundo as boas práticas de fabrico (GMP), com certificado de análise para cada lote, e o envio para Portugal é grátis. Para aprofundar a questão abordada aqui, leia comparação de colagénio para cães.

As comparações mais amplas sobre o que deve ter uma fórmula estão no guia do melhor suplemento articular para cães, e a análise do ingrediente está no artigo sobre o mexilhão de lábio verde para cães.

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Apoio articular para a vida depois da OCD

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Calendário realista depois do diagnóstico de OCD

Período O que esperar
Semanas 0–2 após a cirurgia Repouso estrito segundo as indicações do cirurgião. A claudicação pode parecer pior antes de melhorar. Ainda não tire conclusões.
Semanas 5–6 Na série de casos OATS, a claudicação tinha desaparecido subjetivamente em 9 de 16 membros nesta altura (PMID 21133954). Apenas passeios controlados à trela.
Semanas 12–18 13 de 16 membros sem claudicação na mesma série. A reabilitação e a recuperação muscular são o mais importante nesta fase; os membros operados perdem massa muscular de forma mensurável.
Meses 12–46 Na série OATS, nenhum dos 12 membros reavaliados neste período estava coxo (PMID 21133954). No seguimento do Ohio, porém, todas as articulações desbridadas mostravam artrose nas imagens (PMID 36086929).
Para a vida Condição corporal magra, exercício regular de baixo impacto e apoio articular a longo prazo. Conte voltar a rever o controlo da dor à medida que o cão envelhece.

Os suplementos são uma rotina de fundo, não um interruptor. Dê-os de forma consistente durante seis a oito semanas antes de decidir se estão a ajudar, e acompanhe um comportamento concreto, como o tempo que o cão demora a levantar-se depois de estar deitado, a vontade de subir escadas ou a passada no fim do passeio, em vez de uma impressão geral. No verão português, prefira os passeios de manhã cedo e ao fim do dia, em terreno macio: o calor e o piso duro não ajudam uma articulação com artrose.

Quando ligar de imediato ao médico veterinário

  • Qualquer claudicação que dure mais de alguns dias num cão de raça grande ou gigante com cerca de 4 a 12 meses.
  • Claudicação súbita em que o cão deixa de apoiar a pata, compatível com um fragmento que se soltou dentro da articulação.
  • Dor quando se estende o ombro, ou perda de músculo visível sobre uma das omoplatas.
  • Um cão com OCD do joelho conhecida que fica subitamente coxo de trás: 13,8 % acabaram por romper o ligamento cruzado.
  • Qualquer cachorro de raça grande em crescimento alimentado com uma dieta caseira, crua ou suplementada com cálcio.
  • Antes de começar qualquer suplemento num cachorro em crescimento, ou em conjunto com um AINE: o óleo de peixe alterou a dose de carprofeno de que os cães precisavam (PMID 20187817), e isso é uma conversa a ter com o veterinário, não uma alteração a fazer em casa.

Se o seu cão é mais velho e o quadro é crónico e não de desenvolvimento, comece antes pelo nosso artigo sobre os sintomas de artrite em cães.

Osteocondrite dissecante no cão: o essencial

A osteocondrite dissecante no cão é uma doença cirúrgica das articulações em crescimento, não um problema que se resolva com suplementos. Faça exames de imagem cedo a um cachorro de raça grande que coxeia, peça que sejam radiografados os dois membros e insista numa TAC ou numa referência cirúrgica se um raio-X limpo não bater certo com uma claudicação que não passa. Conte que a cirurgia alivie a dor e conte que a articulação continue a mostrar artrose nas imagens para o resto da vida. A partir desse dia, as duas alavancas com provas reais são uma condição corporal magra e um apoio articular a longo prazo que vá além dos dois ingredientes que a meta-análise de 2022 rejeitou. É exatamente por isso que os nossos mastigáveis para a anca e as articulações reúnem 17 ativos, e por isso existe a versão líquida para os cães que recusam um mastigável. É a nossa fórmula articular mais completa; não é, nem nunca será, um tratamento para a OCD.

Perguntas frequentes

A osteocondrite dissecante no cão é grave?

É grave o suficiente para exigir tratamento veterinário, mas raramente põe a vida em risco por si só. Numa coorte sueca de mais de 600 000 cães, 685 foram diagnosticados com osteocondrose dos membros e 77 foram eutanasiados por esse motivo, o que fez dela a causa de eutanásia mais frequente entre os cães afetados (PMID 38795580). A maioria dos cães operados recupera uma boa função, mas praticamente todas as articulações tratadas desenvolvem artrose com o tempo (PMID 36086929).

Quais são os primeiros sinais de OCD no cão?

Uma claudicação de uma pata num cão de raça grande com cerca de quatro a doze meses, normalmente pior depois do exercício e depois do repouso, por vezes a alternar entre membros porque os dois lados são muitas vezes afetados. Nos casos do ombro pode notar relutância em estender a pata e, mais tarde, perda de músculo sobre a omoplata.

Quanto custa a cirurgia de OCD a um cão em Portugal?

Não há uma tabela pública de preços em Portugal; o valor depende da articulação, da técnica (artroscopia ou cirurgia aberta), de serem tratados um ou dois lados e do centro de referência. Peça um orçamento por escrito que separe os exames de imagem (radiografias com sedação, TAC) da cirurgia e da reabilitação, e confirme com a seguradora, se tiver, o que está coberto.

A OCD no cão pode curar sem cirurgia?

As lesões precoces de osteocondrose podem resolver-se sozinhas, à medida que o osso preenche o defeito (PMID 26080832). Quando a cartilagem já fraturou e formou um retalho ou um fragmento livre, não se espera uma cicatrização espontânea, e não existe nenhum ensaio publicado que compare diretamente o tratamento conservador com a cirurgia. Essa decisão cabe ao cirurgião, com base na articulação, no tamanho da lesão e em o retalho estar ou não solto.

Que ração dar a um cachorro com risco de OCD?

Um alimento completo de crescimento para cachorros de raças grandes, formulado segundo as diretrizes nutricionais europeias da FEDIAF e rotulado de acordo com o Regulamento (CE) n.º 767/2009, dado em quantidade suficiente para manter o cachorro magro e sem qualquer cálcio adicional. O excesso de cálcio é o único fator alimentar que produziu experimentalmente lesões de osteocondrose em Dogues Alemães em crescimento, e as alterações não reverteram por completo quando a dieta foi corrigida (PMID 11131552).

Os suplementos articulares ajudam um cão com OCD?

Não para a lesão em si: nenhum estudo mostra que um suplemento previna, trate ou reverta a OCD. São estudados para a artrose que se lhe segue, em que os ácidos gordos ómega-3 têm as provas mais fortes e a glucosamina com condroitina, sozinhas, as mais fracas (PMID 36142319). Uma fórmula ampla, usada a longo prazo, a par do controlo do peso e do plano do seu veterinário, é uma rotina de apoio razoável; não é um tratamento.

As raças grandes portuguesas também têm osteocondrite dissecante?

O estudo sueco mostrou que todas as raças com risco aumentado eram grandes ou gigantes, e o Cão da Serra da Estrela, o Rafeiro do Alentejo ou o Cão de Castro Laboreiro partilham esse perfil de crescimento rápido no primeiro ano. Não há dados publicados raça a raça para estas raças portuguesas, mas um cachorro destas raças que coxeia merece a mesma atenção: exame veterinário, radiografias dos dois membros e uma alimentação de crescimento sem cálcio a mais.

Fontes

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  24. Ordem dos Médicos Veterinários — omv.pt; Clube Português de Canicultura — cpc.pt; SIAC — siac.pt; ECVS — ecvs.org; ECVDI — ecvdi.org

Aviso veterinário. Este artigo tem fins informativos e não substitui o aconselhamento do seu médico veterinário. A osteocondrite dissecante é diagnosticada por exames de imagem e tratada por um médico veterinário ou por um cirurgião veterinário especialista; não adie a consulta de um cachorro que coxeia por confiar num suplemento. Fale com o seu veterinário antes de começar qualquer suplemento, sobretudo num cachorro em crescimento ou num cão a tomar anti-inflamatórios. Os suplementos Pure Majesty Pets são alimentos complementares e não se destinam a diagnosticar, tratar, curar ou prevenir qualquer doença.