Sim, um cão pode receber melatonina a mais, mas na maioria dos casos descritos não é a melatonina em si que o põe doente. Uma overdose de melatonina no cão (em bom português, uma sobredosagem) provoca sobretudo sonolência e mal-estar digestivo. Os casos graves explicam-se quase sempre por outro ingrediente do mesmo frasco: o xilitol, um adoçante tóxico para cães, ou um indutor do sono combinado que contém 5-HTP. Essa diferença decide o grau de urgência, por isso o primeiro gesto é ler o rótulo, e não contar comprimidos.
Se o seu cão já comeu uma quantidade desconhecida, contacte de imediato o seu médico veterinário ou um hospital veterinário com urgência 24 horas, com a embalagem na mão. Se chegou aqui porque quer uma dose que se mede em vez de se adivinhar, um líquido com a concentração indicada por mililitro, como as gotas de melatonina para cães Pure Majesty Pets (29,95 €), dispensa a maior parte das contas que estão, à partida, na origem das doses duplicadas por engano.
Porque é que a melatonina tem uma margem de segurança ampla no cão (e onde essa margem acaba)
A melatonina é a mesma hormona que a glândula pineal do cão produz todas as noites, e a farmacologia canina dá-lhe um perfil invulgarmente tolerante. Num estudo de farmacocinética publicado no Journal of Pineal Research (Yeleswaram et al., 1997), uma dose oral de 1 mg/kg teve no cão uma biodisponibilidade absoluta de apenas 16,9 %, e a semivida de eliminação aparente, depois de uma dose intravenosa de 3 mg/kg, foi de cerca de 18,6 minutos.
Daqui resultam três consequências que raramente se leem nos artigos sobre este tema:
- Com as doses habituais, a maior parte da melatonina nunca chega ao sangue. Cerca de cinco sextos perdem-se no metabolismo de primeira passagem pelo fígado, antes de entrarem na circulação.
- O que entra sai depressa. Uma semivida medida em minutos, e não em horas, ajuda a perceber porque é que as ingestões só de melatonina tendem a resolver-se no próprio dia e porque é que a sonolência descrita pelos tutores costuma atenuar-se em vez de se agravar.
- Numa ingestão grande, o «filtro» do fígado deixa de funcionar da mesma maneira. É o pormenor que muitas fontes de divulgação invertem. No mesmo estudo, com 10 mg/kg por via oral, a biodisponibilidade normalizada para a dose ultrapassou os 100 %, e os autores concluem que, no cão, a biodisponibilidade depende da dose. Por outras palavras, um cão que engole dez vezes a dose prevista não fica protegido pela mesma perda de cinco sextos: pode ficar exposto a proporcionalmente mais melatonina, e não a menos.
Nada disto torna inofensiva uma ingestão grande. Explica, isso sim, porque é que o quadro descrito é habitualmente desconfortável e não crítico. Segundo a revisão do centro antivenenos para animais da ASPCA sobre indutores do sono, a melatonina sozinha causa muitas vezes vómitos, sedação e descoordenação (ataxia) e, raramente, uma agitação paradoxal; não se esperam sinais graves, e muitos animais recuperam com simples vigilância em casa ou com tratamento de suporte na clínica, consoante a indicação de quem os acompanha. E explica também porque é que um cão que fica fraco, a tremer ou que chega a colapsar está a dizer-lhe que há outra coisa em jogo além da melatonina.
Há ainda um dado clínico que ajuda a pôr esta margem em perspetiva. Num ensaio aleatorizado, cego e controlado com placebo em 50 cães adultos saudáveis, uma dose de investigação de 5 mg/kg de melatonina por via oral, dada duas horas antes de uma anestesia, acalmou os cães mais desconfiados e reduziu a dose de propofol necessária nos mais confiantes, e os parâmetros vitais (pulso, frequência respiratória, pressão arterial e temperatura) mantiveram-se dentro dos valores fisiológicos (Niggemann et al., 2019). Para um cão de 20 kg, isso corresponde a 100 mg. Atenção: foi uma dose dada num hospital veterinário, sob vigilância, e não uma referência para usar em casa.
Sinais de overdose de melatonina no cão
Os sinais descritos nas fontes veterinárias de divulgação organizam-se por gravidade. Use o quadro como guia para a conversa com o médico veterinário, e não como autodiagnóstico.
| Gravidade | Sinais descritos | Quando costumam surgir |
|---|---|---|
| Ligeira | Vómitos, diarreia, sonolência | Cerca de 20 a 30 minutos após a ingestão |
| Ingestão maior | Descoordenação, sonolência acentuada, comichão, pressão arterial elevada, coração acelerado | Na primeira ou nas duas primeiras horas |
| Grave (pouco comum só com melatonina) | Convulsões | Exige cuidados veterinários de urgência |
Dois pormenores ajudam a ler o quadro. Primeiro, a raridade das formas graves só vale para a melatonina simples: se o produto tinha xilitol ou 5-HTP, a evolução é outra, como se explica a seguir. Segundo, a agitação paradoxal (um cão que, em vez de adormecer, fica inquieto e ofegante) também está descrita, e não é razão para dar «mais um pouco» para o acalmar.
Os ingredientes que causam as verdadeiras urgências
Xilitol: açúcar de bétula ou E 967 no rótulo
O xilitol, que também aparece no rótulo como açúcar de bétula e, na União Europeia, com o código de aditivo E 967, está presente em muitas gomas de melatonina sem açúcar e em comprimidos mastigáveis ou orodispersíveis. No cão, provoca uma libertação rápida de insulina e uma descida acentuada da glicose no sangue. Segundo o Manual Veterinário MSD, doses acima de cerca de 100 mg/kg podem causar hipoglicemia, cujos sinais podem surgir em 30 minutos ou atrasar-se até 12 a 18 horas, e doses acima de cerca de 500 mg/kg podem levar a insuficiência hepática grave, com sinais que por vezes só aparecem 24 a 48 horas depois.
Os efeitos dependem da dose e incluem hipoglicemia grave com tremores ou convulsões, alterações dos eletrólitos, necrose do fígado e alterações da coagulação. Numa série de oito cães com insuficiência hepática aguda depois de ingerirem xilitol, cinco morreram ou foram eutanasiados (Dunayer e Gwaltney-Brant, 2006). O mesmo manual nota que o carvão ativado não se liga de forma apreciável ao xilitol, mais uma razão para o tratamento ser decidido pela equipa veterinária e não em casa. Os centros de informação toxicológica veterinária destacam-no repetidamente entre as substâncias domésticas mais perigosas para cães.
Os sinais do xilitol não se parecem com os da melatonina. Fraqueza, andar cambaleante que se agrava, colapso, tremores ou uma convulsão apontam para hipoglicemia e são uma urgência, não um caso de «vamos esperar para ver». Os pormenores dos rótulos europeus, incluindo a advertência sobre os polióis, estão no artigo posso dar 10 mg de melatonina ao meu cão?
Indutores do sono combinados com 5-HTP
Os produtos para dormir destinados a pessoas juntam muitas vezes a melatonina ao 5-HTP (5-hidroxitriptofano) e a outros ativos. Estas combinações têm riscos tóxicos próprios, que uma avaliação centrada só na melatonina não apanha. Num estudo retrospetivo de 21 cães que ingeriram 5-HTP, 19 desenvolveram sinais de toxicidade, entre eles convulsões, tremores, descoordenação, vómitos ou diarreia e hipertermia; os sinais começaram entre 10 minutos e 4 horas após a ingestão, duraram até 36 horas, e três cães morreram (Gwaltney-Brant et al., 2000). Um caso clínico publicado descreve um cão com intoxicação por xilitol e síndrome de tipo serotoninérgico ao mesmo tempo, depois de comer comprimidos orodispersíveis de 5-HTP: um só produto, dois mecanismos tóxicos (Ortolani et al., 2019). Quando telefonar a pedir conselho, leia em voz alta a lista completa de ativos, e não apenas o número de miligramas de melatonina.
A dose do rótulo pode não ser a dose do produto
É a parte que a maioria dos tutores nunca tem em conta. Quando 25 marcas de gomas de melatonina vendidas nos Estados Unidos foram analisadas em laboratório, 22 das 25 tinham a rotulagem incorreta e o teor real de melatonina variou entre 74 % e 347 % da quantidade declarada; uma não continha qualquer melatonina detetável (Cohen et al., JAMA, 2023). O estudo não analisou produtos vendidos em Portugal, mas a lição vale para qualquer frasco, sobretudo os importados ou comprados em sites de fora da União Europeia: se estimar a exposição multiplicando o número de gomas pela dosagem impressa, trate esse valor como um mínimo e não como um facto, e diga-o ao telefone.
O meu cão comeu melatonina: o que fazer, por ordem
- Procure xilitol nos ingredientes inativos ou excipientes, também com os nomes açúcar de bétula ou E 967. Esta única pergunta muda a urgência mais do que qualquer outra.
- Conte o que sobra. Contar as unidades que restam é muito mais fiável do que tentar lembrar-se de quão cheio estava o frasco.
- Anote a hora. A absorção e as janelas de tratamento dependem dela.
- Ligue. Contacte de imediato o seu médico veterinário ou, fora de horas, um hospital veterinário com urgência 24 horas, e indique o peso do cão, o produto, a dosagem e a hora da ingestão.
- Não provoque o vómito sem indicação. Se ajuda ou não depende do tempo decorrido, do cão e do produto, e fazê-lo mal causa danos próprios.
Em Portugal, vale a pena preparar isto antes de precisar. Guarde hoje no telemóvel o número da sua clínica e o do hospital veterinário com urgência 24 horas mais próximo, sobretudo se vive no interior ou longe de Lisboa, do Porto e das outras grandes cidades: aí, a viagem até uma urgência noturna pode ser longa, e cada minuto ganho ao telefone conta. Se tiver de sair de casa, leve a embalagem, porque é a forma mais rápida de a equipa veterinária confirmar a dosagem e a lista de ingredientes.
Como acontecem, na prática, as sobredosagens de melatonina
O padrão por trás da maioria dos telefonemas não é um erro de dose: é o acesso ao frasco.
- O frasco, não a dose. As gomas doces ensinam ao cão que aquela embalagem é comida. Uma mala pousada no chão, uma mesa de cabeceira ou uma bancada da cozinha ao alcance fazem o resto.
- Repetir a dose porque «não fez efeito». A melatonina apoia o adormecer; não desliga o cão. Uma segunda e uma terceira dose acumulam a quantidade sem acumular o benefício. Se o objetivo é a tensão durante o dia, e não o sono à noite, os suplementos para a ansiedade do cão construídos à volta de outros ativos costumam ser mais adequados.
- Duas pessoas, um cão. As duas dão a dose da noite. Em Portugal, isto acontece sobretudo nas noites de foguetes previsíveis, como a Passagem de Ano, os Santos Populares em Lisboa e no Porto ou as festas de verão das terras, quando toda a família quer ajudar. Escreva a hora da toma no frasco ou num quadro na cozinha.
- Confundir mL com mg. «Um conta-gotas» não quer dizer nada enquanto não souber a concentração. A 3 mg/mL, 1 mL corresponde a 3 mg.
- Dosagens humanas num cão pequeno. Um comprimido de 10 mg para pessoas não se divide com rigor numa dose de 1 mg para um Chihuahua ou para um Podengo Português pequeno.
Ficar dentro dos limites seguros: dose de melatonina por peso em kg
Eis as quantidades iniciais habitualmente usadas, com o volume equivalente de um líquido a 3 mg/mL. Refletem a prática veterinária corrente e não um ensaio publicado de determinação de dose em cães, uma ressalva que convém conhecer, porque esta tabela circula por toda a parte sem ela. Confirme a quantidade com o seu médico veterinário.
| Peso do cão | Quantidade típica de melatonina | Volume a 3 mg/mL |
|---|---|---|
| Menos de 4,5 kg | Cerca de 1 mg | Cerca de 0,33 mL |
| 4,5 a 11,3 kg | Cerca de 1,5 mg | Cerca de 0,5 mL |
| 11,8 a 45,4 kg | Cerca de 3 mg | Cerca de 1 mL |
| Mais de 45,4 kg | 3 a 6 mg | Cerca de 1 a 2 mL |
Os limites das faixas não são números redondos porque a tabela original foi construída noutro sistema de medida e está aqui convertida com exatidão para quilogramas. Se o seu cão pesar entre 11,3 e 11,8 kg, ou estiver no limite entre duas faixas, comece pela quantidade mais baixa e deixe o médico veterinário ajustar.
Para perceber a escala: o que representa um punhado de gomas
Faça as contas com um exemplo. Para um Podengo Português de 5 kg, a quantidade de partida é de cerca de 1,5 mg. Se ele comer dez gomas de 5 mg, ingere 50 mg, ou seja, 10 mg/kg: mais de trinta vezes a dose habitual. E foi precisamente com 10 mg/kg que, no estudo de farmacocinética citado acima, a biodisponibilidade oral no cão passou de 16,9 % para mais de 100 %. Um Cão de Água Português de 20 kg que coma o mesmo fica com 2,5 mg/kg, e um Cão da Serra da Estrela de 50 kg com 1 mg/kg. O tamanho reduz a dose por quilo, mas não muda a primeira pergunta: o que mais havia nessas gomas? Se houver xilitol, o que decide o risco é a quantidade de xilitol por quilo de peso, e só o médico veterinário a consegue estimar com o rótulo na mão.
Duas escolhas estruturais reduzem o risco de sobredosagem mais do que todo o cuidado no momento da toma: um produto que indica a quantidade de melatonina por unidade, em vez de a esconder numa mistura proprietária, e uma forma que permite dar uma dose pequena com exatidão. As gotas de melatonina para cães Pure Majesty Pets declaram os seis ativos por mililitro (melatonina 3 mg, L-teanina 50 mg, alfa-casozepina 25 mg, extrato de camomila hidrossolúvel 25 mg, magnésio elementar 5 mg e vitamina B6 na forma P5P 0,5 mg) e não contêm xilitol. Isto não é uma garantia de segurança: é a informação de que precisa para não ter de adivinhar, e a razão pela qual um conta-gotas com marcações é melhor do que uma goma para um cão de 5 kg. O envio é grátis para Portugal, com direitos e IVA já pagos.
A divisão completa por peso, com a origem real destes números e exemplos de raças portuguesas, está na nossa tabela de dose de melatonina para cães por peso.
Melatonina para cães em Portugal: suplemento, medicamento e produtos para pessoas
O enquadramento europeu ajuda a perceber o que tem em casa. Um suplemento de melatonina para cães é, em termos legais, um alimento complementar para animais: rege-se pelo Regulamento (CE) n.º 767/2009, e em Portugal o controlo oficial dos alimentos para animais cabe à DGAV (Direção-Geral de Alimentação e Veterinária). O artigo 13.º desse regulamento não permite que o rótulo atribua ao produto propriedades de prevenção ou de tratamento de doenças; é por isso que lê «apoio à calma» ou «apoio ao sono», e não «tratamento da ansiedade».
Já os fármacos que alguns cães tomam para a ansiedade ou para sedação, como a trazodona, a gabapentina ou as benzodiazepinas, são medicamentos sujeitos a receita: só o médico veterinário os pode prescrever ao seu cão, nas regras do Regulamento (UE) 2019/6 sobre medicamentos veterinários. Nunca os junte à melatonina, nem a outro calmante, por iniciativa própria.
Por fim, a melatonina para pessoas que se compra em farmácias, parafarmácias e supermercados foi pensada para adultos: a dosagem por unidade não tem em conta o peso de um cão, e algumas gomas e comprimidos orodispersíveis trazem xilitol. A pergunta merece um artigo próprio: posso dar melatonina humana ao meu cão?
Mito ou facto: overdose de melatonina no cão
| Crença comum | O que a evidência apoia |
|---|---|
| «A melatonina é uma hormona, por isso uma sobredosagem é perigosa por definição.» | Com as doses habituais, a biodisponibilidade oral no cão ronda os 17 % e a eliminação é rápida. As ingestões só de melatonina costumam ser autolimitadas, mas justificam na mesma um telefonema, até porque, nas ingestões muito grandes, a proporção absorvida aumenta. |
| «Se o cão parece bem ao fim de uma hora, está tudo bem.» | Não se houver xilitol: a hipoglicemia pode atrasar-se até 12 a 18 horas e a lesão do fígado pode só dar sinais 24 a 48 horas depois. |
| «Um cão grande aguenta um frasco inteiro.» | A toxicidade depende da dose em relação ao peso, e um frasco é uma exposição grande para qualquer tamanho. O peso não substitui a leitura do rótulo. |
| «Duplicar a dose é que vai resultar.» | A absorção não é proporcional à dose. Aumentar a quantidade alarga sobretudo a margem para efeitos secundários, sem garantir mais calma. |
Quando falar com o médico veterinário, mesmo sem sobredosagem
Antes de começar a dar melatonina, fale com o médico veterinário se o seu cão estiver gestante ou a amamentar, se for um cachorro, se tiver diabetes ou doença do fígado, ou se tomar sedativos, benzodiazepinas ou anticoagulantes. E se a agitação noturna apareceu de repente num cão idoso, peça um diagnóstico antes de pensar num suplemento: a dor, a disfunção cognitiva e as doenças endócrinas podem apresentar-se assim. Em Portugal, a profissão é regulada pela Ordem dos Médicos Veterinários (OMV), e é ao seu médico veterinário habitual que deve levar a lista de tudo o que o cão já toma, incluindo outros suplementos.
Para ir mais longe: os efeitos secundários e os riscos do rótulo estão no guia que melatonina é segura para cães, e os riscos próprios das gomas no artigo gomas de melatonina para cães: são seguras?
Pure Majesty Pets em Portugal
Melatonina que se mede ao mililitro, sem xilitol
- Melatonina para cães, 29,95 €: 3 mg de melatonina por mL com L-teanina, alfa-casozepina, camomila, magnésio e vitamina B6 (P5P), todos declarados por mililitro, sem misturas proprietárias, sem xilitol e sem corantes artificiais. O conta-gotas com marcações permite ajustar a quantidade ao peso, do cão miniatura ao Cão da Serra da Estrela: o formato mais simples para dar uma dose exata a um cão pequeno.
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Perguntas frequentes
O cão pode ter uma overdose de melatonina?
Pode receber mais do que o previsto, e os sinais descritos incluem vómitos, diarreia, sonolência, descoordenação, comichão, pressão arterial elevada e coração acelerado, com convulsões nos casos graves. A melatonina sozinha tem uma margem ampla no cão, mas outros ingredientes, sobretudo o xilitol, transformam uma ingestão numa urgência. Perante qualquer quantidade desconhecida, peça conselho ao seu médico veterinário.
Quanta melatonina é demais para um cão?
Não existe um limiar tóxico único publicado para o cão, e as dosagens dos rótulos nem sempre são exatas. Em vez de tentar estimar um teto seguro, mantenha-se nas quantidades iniciais por peso confirmadas pelo seu médico veterinário (cerca de 1 mg abaixo de 4,5 kg, 1,5 mg entre 4,5 e 11,3 kg, 3 mg entre 11,8 e 45,4 kg e 3 a 6 mg acima disso) e telefone-lhe se esse valor tiver sido ultrapassado.
Quanto tempo dura uma sobredosagem de melatonina no cão?
A melatonina é eliminada depressa no cão: a semivida medida após uma dose intravenosa foi de cerca de 18,6 minutos. Por isso, a sonolência de uma ingestão só de melatonina costuma atenuar-se em poucas horas. Sinais que pioram, ou que incluem fraqueza ou tremores, sugerem outro ingrediente e precisam de atenção imediata.
O meu cão comeu melatonina com xilitol. O que devo fazer?
Trate a situação como uma urgência. O xilitol pode provocar uma descida acentuada do açúcar no sangue a partir de cerca de 30 minutos, por vezes mais tarde, e pode afetar o fígado. Contacte de imediato o seu médico veterinário ou um hospital veterinário com urgência 24 horas, em vez de ficar a vigiar em casa, e leve a embalagem consigo.
A melatonina pode pôr o meu cão a dormir demasiado profundamente?
A melatonina apoia o ciclo sono-vigília em vez de atuar como um sedativo. Uma sedação acentuada, ou um cão que não se consegue acordar, não é a resposta esperada e justifica um telefonema ao médico veterinário.
É seguro dar melatonina ao cão todas as noites?
Em geral é bem tolerada, mas um plano noturno de longo prazo deve ser definido com o seu médico veterinário, sobretudo em cães idosos, nos quais a agitação pode ter uma causa médica. Se usar as gotas de melatonina para cães, registe a dose e a hora de cada toma, para que todos lá em casa saibam o que já foi dado.
Como reconheço o xilitol num rótulo de melatonina vendido em Portugal?
Procure a palavra xilitol, o nome açúcar de bétula e o código E 967, a designação do xilitol na lista europeia de aditivos alimentares. Leia a lista até ao fim, incluindo os excipientes, porque o adoçante aparece muitas vezes entre os ingredientes inativos. Na dúvida, ou se o produto foi comprado fora da União Europeia com o rótulo noutra língua, trate-o como se tivesse xilitol e contacte o seu médico veterinário.
Fontes
- Yeleswaram K, McLaughlin LG, Knipe JO, Schabdach D. "Pharmacokinetics and oral bioavailability of exogenous melatonin in preclinical animal models and clinical implications." J Pineal Res. 1997;22(1):45–51. DOI 10.1111/j.1600-079X.1997.tb00302.x, PMID 9062870 — Wiley · PubMed
- Niggemann JR, Tichy A, Eberspächer-Schweda MC, Eberspächer-Schweda E. "Preoperative calming effect of melatonin and its influence on propofol dose for anesthesia induction in healthy dogs." Vet Anaesth Analg. 2019;46(5):560–567. PMID 31351807 — PubMed
- ASPCA Animal Poison Control Center, "The Most Common Sleep Aid Toxicities in Cats and Dogs" — aspcapro.org
- MSD Veterinary Manual, "Xylitol Toxicosis in Dogs" — msdvetmanual.com
- Dunayer EK, Gwaltney-Brant SM. "Acute hepatic failure and coagulopathy associated with xylitol ingestion in eight dogs." J Am Vet Med Assoc. 2006;229(7):1113–1117. PMID 17014359 — PubMed
- Gwaltney-Brant SM, Albretsen JC, Khan SA. "5-Hydroxytryptophan toxicosis in dogs: 21 cases (1989–1999)." J Am Vet Med Assoc. 2000;216(12):1937–1940. PMID 10863592 — PubMed
- Ortolani JM, Bellis TJ, Griego MD. "Xylitol toxicosis and serotonin-like syndrome occurring simultaneously in a dog secondary to ingestion of Natrol 5-HTP Fast Dissolve Tablets." Clin Case Rep. 2019;7(1):5–10. PMID 30655997 — PMC6332764
- Cohen PA, Avula B, Wang YH, Katragunta K, Khan I. "Quantity of Melatonin and CBD in Melatonin Gummies Sold in the US." JAMA. 2023;329(16):1401–1402. PMID 37097362 — PubMed
- Regulamento (CE) n.º 767/2009, colocação no mercado e utilização de alimentos para animais (artigo 13.º, rotulagem) — EUR-Lex
- Regulamento (UE) 2019/6, medicamentos veterinários — EUR-Lex
- Regulamento (CE) n.º 1333/2008, aditivos alimentares (xilitol, E 967) — EUR-Lex
- DGAV, alimentos para animais — dgav.pt
- DGAV, medicamentos veterinários — dgav.pt
- Ordem dos Médicos Veterinários — omv.pt
Este artigo destina-se a informação geral e não substitui o aconselhamento do seu médico veterinário, nem o contacto com um serviço de urgência veterinária. A melatonina é um suplemento, e não um medicamento para diagnosticar ou tratar doenças. Perante uma suspeita de intoxicação, contacte sem demora o seu médico veterinário ou um hospital veterinário com urgência 24 horas.