As melhores estirpes probióticas para cães são as que têm investigação canina por trás: Saccharomyces boulardii, Bacillus coagulans, Bacillus subtilis, Bifidobacterium animalis, Enterococcus faecium e algumas espécies de Lactobacillus. A evidência é mais sólida para perturbações digestivas de curta duração e é específica de cada estirpe, por isso um rótulo que identifica os microrganismos pelo nome vale mais do que um número grande na frente do frasco. Neste guia explicamos o que os estudos testaram de facto, onde a evidência ainda é fraca e como ler o rótulo de um probiótico para cão à venda em Portugal.
Estirpes probióticas no cão: porque a estirpe conta mais do que a espécie
«Lactobacillus» é um género, não um produto. Duas estirpes da mesma espécie podem comportar-se de forma diferente, e é por isso que um estudo feito com uma estirpe não pode ser usado para descrever outra. Uma revisão sobre a microbiota intestinal de cães e gatos sublinha que a disbiose é difícil de definir e de diagnosticar, e que a resposta varia de animal para animal (Suchodolski, Vet J 2016). Na prática, procure no rótulo o género, a espécie e, quando existir, a designação da estirpe; tudo o que for mais vago deve ser lido como uma alegação mais fraca.
Este princípio explica também porque não faz sentido comparar probióticos apenas pela «quantidade de bactérias». Um produto com muitas culturas mal identificadas não é necessariamente melhor do que um produto com poucas culturas bem descritas. Se quiser uma visão geral sobre o que a ciência diz dos probióticos em geral, leia o nosso artigo Probióticos para cães: o que mostra realmente a investigação; aqui concentramo-nos nas estirpes.
Que estirpes probióticas foram testadas em cães: os estudos caninos
| Estirpe ou produto testado | Cães estudados | O que foi observado | Nível de evidência |
|---|---|---|---|
| Saccharomyces boulardii (levedura probiótica) | 20 cães com enteropatia crónica e 4 cães saudáveis (D'Angelo, Vet Rec 2018) | O índice de atividade clínica, a frequência e a consistência das fezes e a condição corporal melhoraram face ao placebo quando a levedura foi juntada ao tratamento habitual; sem efeitos secundários a curto prazo nos cães saudáveis | Pequeno, não aleatorizado; promissor |
| Bifidobacterium animalis AHC7 | 31 cães com diarreia aguda idiopática (Kelley, Vet Ther 2009) | Resolução em 3,9 dias contra 6,6 dias com placebo; menos cães precisaram de metronidazol | Aleatorizado; uma só estirpe, um só produto |
| Mistura de várias estirpes com Bacillus subtilis | 36 cães com gastroenterite aguda autolimitada (Herstad, J Small Anim Pract 2010) | Últimas fezes anormais ao fim de 1,3 dias contra 2,2 dias com placebo; o tempo até ao último vómito foi praticamente igual nos dois grupos | Aleatorizado, em dupla ocultação; pequeno |
| Mistura multiestirpe VSL#3 | 20 cães com doença inflamatória intestinal (Rossi, PLoS ONE 2014) | As pontuações clínicas e histológicas baixaram; os autores pedem ensaios maiores | Aberto; preliminar |
| Lactobacillus rhamnosus GG | Modelo de dermatite atópica precoce em cães (Marsella, Am J Vet Res 2009) | Estudado para prevenção numa colónia de investigação, não como tratamento de cães de família | Apenas modelo de investigação |
Há dois pontos que se destacam. Primeiro, todos os resultados positivos são modestos e vêm de ensaios pequenos. Segundo, vários dos sinais mais fortes envolvem produtos com várias estirpes, o que torna difícil atribuir o efeito a um único microrganismo. No ensaio de Herstad, por exemplo, a mistura combinava Lactobacillus acidophilus termoestabilizado com Pediococcus acidilactici, Bacillus subtilis, Bacillus licheniformis e Lactobacillus farciminis vivos. Para os lactobacilos em particular, veja o nosso guia Lactobacillus para cães.
Em Portugal, o probiótico canino mais conhecido nas clínicas é o Purina Pro Plan FortiFlora, à base de Enterococcus faecium; também se encontra o Vetobiol nas farmácias e lojas de animais. São bons exemplos de produtos que indicam a estirpe ou a espécie no rótulo. Compare sempre a composição declarada, independentemente da marca.
Bacillus formadores de esporos e levedura S. boulardii: porque combinam com um probiótico líquido
Bacillus coagulans e Bacillus subtilis formam esporos, uma estrutura dormente que tolera o calor e a acidez melhor do que a maioria das bactérias que não esporulam. S. boulardii é uma levedura; os antibióticos dirigidos às bactérias não atuam diretamente sobre ela, e é por isso que é muitas vezes referida para cães que estão a fazer um tratamento antibiótico (prescrito pelo médico veterinário, sujeito a receita veterinária em Portugal). Se é o caso do seu cão, leia também probióticos para cães depois de antibióticos.
Saber se as culturas de um produto se mantêm viáveis até à última dose é uma questão de estabilidade, e aí o formato conta. O nosso guia probiótico líquido para cães compara gotas, pós e mastigáveis; os mastigáveis podem ser uma escolha perfeitamente boa para cães que os aceitam com gosto. Com o verão quente português, vale a pena guardar qualquer probiótico longe do calor do carro ou de uma janela ao sol e respeitar as condições de conservação do rótulo.
Como ler o rótulo de um probiótico para cães
A análise de Weese e Martin a 25 probióticos veterinários comerciais (Can Vet J 2011) concluiu que apenas 4 dos 15 produtos com alegações de viabilidade específicas atingiam ou ultrapassavam o valor do rótulo, e que só 2 destes tinham um rótulo aceitável. O estudo é antigo e os fabricantes melhoraram, mas explica a lista de verificação:
- Microrganismos identificados pelo nome. Género e espécie (e a estirpe, quando o fabricante a indica), não «mistura probiótica exclusiva».
- Quantidade declarada e o seu significado. Um valor de UFC «no fabrico» diz pouco sobre o oitavo mês; leia se se trata de uma garantia, de uma meta ou de um valor no momento da produção.
- Um parceiro prebiótico. Os mananoligossacáridos (MOS) ou ingredientes semelhantes dão às culturas algo com que trabalhar.
- Uma lista curta de ingredientes inativos. Menos ingredientes desconhecidos significam menos variáveis se o seu cão for sensível.
- Análise por lote. Um certificado de análise (COA) permite verificar o que o fabricante declara.
Na União Europeia, os alimentos para animais e os suplementos complementares seguem o Regulamento (CE) n.º 767/2009, que define a rotulagem e proíbe alegações de tratamento de doenças; os aditivos, incluindo os microrganismos usados como estabilizadores da flora intestinal, são enquadrados pelo Regulamento (CE) n.º 1831/2003, com avaliação científica da EFSA. Em Portugal, a fiscalização da alimentação animal cabe à DGAV. Para o dono, a mensagem prática é simples: um rótulo sério identifica cada ingrediente e não promete curar doenças.
O que contém o nosso probiótico líquido para cães
O probiótico líquido 3 em 1 da Pure Majesty Pets contém três culturas vivas identificadas pelo nome: Saccharomyces boulardii, Bacillus coagulans e Bacillus subtilis. Cada uma delas é uma espécie com literatura canina própria, resumida nos guias por estirpe referidos acima. A acompanhá-las, tem MOS e beta-glucanos provenientes de uma preparação de paredes celulares de levedura inativada, e tributirina como fonte de butirato, numa suspensão em óleo MCT sem água. É fabricado na América do Norte segundo as boas práticas de fabrico (GMP), com certificado de análise para cada lote, e tem envio grátis para Portugal. Não publicamos nesta página um número de dose inventado: siga a porção indicada no rótulo atual do frasco e meça-a com a pipeta graduada antes de a juntar à comida.
Um limite honesto: os estudos acima testaram outras estirpes e outros produtos, por isso apoiam as categorias, não o nosso frasco em particular. Olhe primeiro para a evidência por estirpe, depois para o rótulo e só depois para o formato.
Pure Majesty Pets em Portugal
Três estirpes probióticas com nome, num só líquido
- Probiótico líquido 3 em 1 para cães, 31,95 €: S. boulardii, B. coagulans e B. subtilis vivos, prebiótico MOS e tributirina; ajuda a manter fezes firmes durante desconfortos digestivos ocasionais e apoia o equilíbrio da flora intestinal. Frasco de 60 mL com pipeta graduada, fácil de juntar à comida.
Envio grátis para Portugal (e para todo o mundo). Envio DDP: direitos e IVA já pagos, nada a pagar na entrega. Fabrico na América do Norte segundo as boas práticas de fabrico (GMP), com certificado de análise (COA) para cada lote.
Quanto tempo demora um probiótico a fazer efeito no cão
Nos ensaios de diarreia aguda acima, as diferenças apareceram em dias, não em semanas. Para o apoio intestinal do dia a dia, dê duas a quatro semanas de utilização regular antes de avaliar um probiótico, e mantenha ao mínimo as outras mudanças (ração nova, guloseimas novas) para perceber o que está realmente a funcionar. Gases ligeiros e passageiros ou fezes mais moles nos primeiros dias são frequentemente relatados quando se começa qualquer probiótico. Para uma cronologia mais detalhada, veja quanto tempo demoram os probióticos a fazer efeito.
Quando um probiótico não é a resposta
Fezes com sangue, vómitos repetidos, apatia, um cachorro ou um cão idoso com diarreia há mais de um dia, ou qualquer cão com uma doença diagnosticada precisam primeiro de um médico veterinário. Em Portugal, lembre-se também de que diarreia, vómitos e perda de peso podem acompanhar doenças comuns no país, como a leishmaniose (endémica no Alentejo, no Algarve e na região de Lisboa e Vale do Tejo) ou parasitoses transmitidas por carraças; só o veterinário pode fazer esse diagnóstico, seja num Podengo Português, num Rafeiro do Alentejo ou num cão sem raça definida. A investigação atual não prova de forma sólida que os probióticos tratem alergias, doenças de pele ou doença intestinal crónica, e o trabalho de Marsella referido acima era um modelo de prevenção em cães de investigação (ver também Craig, Vet Med Sci 2016, sobre a ligação entre intestino e pele). Em caso de urgência, contacte de imediato o seu médico veterinário ou um hospital veterinário com urgência 24 horas.
Perguntas frequentes
Qual é a melhor estirpe probiótica para cães?
Nenhuma estirpe ganha sozinha. S. boulardii, B. animalis AHC7 e vários produtos multiestirpe têm pequenos ensaios caninos por trás; escolha um produto que identifique os seus microrganismos pelo nome.
Os probióticos formadores de esporos são bons para cães?
Bacillus coagulans e Bacillus subtilis são muito usados em produtos para animais e valorizados pela estabilidade. Os dados caninos publicados ainda são limitados.
Um probiótico com várias estirpes é melhor do que um com uma só?
Não necessariamente. Os produtos multiestirpe aparecem em vários ensaios, mas a evidência não mostra que mais estirpes signifiquem sempre melhores resultados.
Quantas UFC deve ter um probiótico para cães?
Os ensaios usaram quantidades muito variáveis (por exemplo, 2 × 1010 UFC por dia para a AHC7). Siga o rótulo e o conselho do seu médico veterinário, em vez de procurar o número mais alto.
Posso dar um probiótico ao meu cão todos os dias?
Os probióticos são habitualmente dados todos os dias. Pergunte primeiro ao seu médico veterinário se a cadela estiver gestante ou a amamentar, se o cão for imunodeprimido ou estiver a tomar medicação.
Onde comprar um probiótico para cães em Portugal?
Encontra probióticos caninos nas clínicas veterinárias, em lojas de animais como Zu ou Kiwoko e em lojas online como zooplus.pt. O probiótico líquido da Pure Majesty Pets é enviado diretamente para Portugal com envio grátis e em regime DDP, sem nada a pagar na entrega.
Para uma comparação de produtos, veja o nosso guia os 5 melhores probióticos para cães, ou conheça diretamente o probiótico líquido Pure Majesty Pets.
Fontes
- Suchodolski JS. Diagnosis and interpretation of intestinal dysbiosis in dogs and cats. Vet J. 2016;215:30-37. PMID 27160005
- D'Angelo S, et al. Effect of Saccharomyces boulardii in dog with chronic enteropathies: double-blinded, placebo-controlled study. Vet Rec. 2018. PMID 29212912
- Kelley RL, et al. Clinical benefits of probiotic canine-derived Bifidobacterium animalis strain AHC7 in dogs with acute idiopathic diarrhea. Vet Ther. 2009. PMID 20037966
- Herstad HK, et al. Effects of a probiotic intervention in acute canine gastroenteritis: a controlled clinical trial. J Small Anim Pract. 2010. PMID 20137007
- Rossi G, et al. Comparison of microbiological, histological, and immunomodulatory parameters in response to treatment with either combination therapy with prednisone and metronidazole or probiotic VSL#3 strains in dogs with idiopathic inflammatory bowel disease. PLoS ONE. 2014. PMID 24722235
- Marsella R. Evaluation of Lactobacillus rhamnosus strain GG for the prevention of atopic dermatitis in dogs. Am J Vet Res. 2009. PMID 19496662
- Craig JM. Atopic dermatitis and the intestinal microbiota in humans and dogs. Vet Med Sci. 2016. PMID 29067183
- Weese JS, Martin H. Assessment of commercial probiotic bacterial contents and label accuracy. Can Vet J. 2011. PMID 21461205
- Regulamento (CE) n.º 767/2009, colocação no mercado e utilização de alimentos para animais — EUR-Lex
- Regulamento (CE) n.º 1831/2003, aditivos destinados à alimentação animal — EUR-Lex
- DGAV, alimentos para animais — dgav.pt
Este artigo destina-se a informação geral e não substitui o aconselhamento do seu médico veterinário. Fale com ele antes de iniciar qualquer suplemento, sobretudo se a sua cadela estiver gestante ou a amamentar, se o cão estiver a tomar medicação ou tiver uma doença diagnosticada.