Caniche (Poodle): tamanhos, temperamento, tosquia e saúde

Well-groomed adult apricot Standard Poodle standing outdoors in warm light — poodle dog breed guide

O Caniche (Poodle, em inglês) é um cão de cobro aquático com um corte de cão de exposição: uma raça atlética, extremamente fácil de treinar e com uma pelagem que exige mais manutenção do que quase qualquer outro cão de companhia. Em Portugal, a raça Caniche segue o padrão n.º 172 da FCI, aplicado pelo Clube Português de Canicultura (CPC), que reconhece quatro tamanhos: toy, anão, médio e grande. Se está a decidir se um Caniche encaixa na sua vida, as duas perguntas que mais pesam são estas: consegue manter um plano de tosquia durante os próximos 12 a 18 anos? E tem trabalho mental suficiente para ocupar um cão muito inteligente? Tudo o resto, incluindo os rótulos «francês» e «hipoalergénico», é sobretudo marketing.

Os quatro tamanhos do Caniche: toy, anão, médio e grande

O padrão da FCI em vigor (versão de 2024, aplicável desde 1 de agosto de 2024) indica a França como país de origem e classifica o Caniche no Grupo 9 (cães de companhia), Secção 2, sem prova de trabalho. Divide a raça em quatro variedades, separadas apenas pela altura ao garrote:

  • Caniche grande (o «Standard» dos países de língua inglesa, a que muitos chamam caniche gigante): mais de 45 cm e até 60 cm, com uma tolerância de +2 cm.
  • Caniche médio («Moyen», em francês): mais de 35 cm e até 45 cm.
  • Caniche anão (o «Miniature»): mais de 28 cm e até 35 cm, sem qualquer sinal de nanismo.
  • Caniche toy: mais de 24 cm (com uma tolerância de −1 cm) e até 28 cm, sendo 25 cm o ideal procurado.

O American Kennel Club (AKC), o clube canino norte-americano de onde vem grande parte da informação sobre a raça que circula na internet, reconhece apenas três variedades: Standard, acima de 38 cm; Miniature, até 38 cm e com um mínimo superior a 25 cm; e Toy, até 25 cm. Não existe Médio. Por isso, um «Moyen Poodle» anunciado nos Estados Unidos não é uma variedade AKC: ou é um cão importado com registo FCI ou, mais vezes, um Poodle que simplesmente ficou a meio da escala. O inverso também conta para quem compra em Portugal: um cão registado na AKC como «Miniature» pode medir até 38 cm, ou seja, ser um anão ou já um médio pela régua da FCI. Peça sempre a altura em centímetros e o registo FCI.

Comparação dos tamanhos do Caniche

A tabela reúne a altura FCI e os dados publicados pela AKC e pelo Poodle Club of America, que só tratam as três variedades americanas; por isso, o médio não tem coluna própria.

Toy Anão (Miniature) Grande (Standard)
Altura FCI (padrão que vale em Portugal) Mais de 24 cm até 28 cm Mais de 28 cm até 35 cm Mais de 45 cm até 60 cm
Altura AKC Até 25 cm Mais de 25 cm até 38 cm Acima de 38 cm
Peso (AKC) 1,8–2,7 kg 4,5–6,8 kg 18–32 kg
Esperança de vida (AKC) 10 a 18 anos nas três variedades
Painel de saúde CHIC Teste de ADN prcd-PRA, exame ocular anual por oftalmologista ACVO, avaliação das rótulas pela OFA Todo o painel do Toy mais avaliação das ancas pela OFA ou PennHIP Ancas pela OFA ou PennHIP, exame ocular ACVO anual e pelo menos um exame opcional: tiroide, biópsia para adenite sebácea ou exame cardíaco
Riscos ligados ao tamanho Luxação da rótula, Legg-Calvé-Perthes, prcd-PRA Luxação da rótula, prcd-PRA, displasia da anca Displasia da anca, dilatação-torção gástrica, doença de Addison, adenite sebácea
Energia Elevada nas três. A AKC descreve todas as variedades como «cães muito ativos que precisam de muita estimulação».

Repare no que os painéis CHIC (o registo de saúde gerido pela OFA, a fundação ortopédica que centraliza os resultados de saúde das raças nos Estados Unidos) lhe dizem: os exames exigidos mudam de variedade para variedade porque as doenças também mudam. Um criador que lhe apresenta um cachorro «com testes de saúde» sem dizer que exames foram feitos, e com que resultado, não respondeu à pergunta.

Os exames que deve pedir a um criador em Portugal

Em Portugal e no resto da Europa, os resultados raramente vêm em formato OFA. O equivalente prático é este:

  • Ancas: radiografia classificada na escala da FCI, de A (sem sinais de displasia) a E (displasia grave). Peça-a para o anão, o médio e o grande.
  • Olhos: exame oftalmológico anual feito por um especialista reconhecido pelo Colégio Europeu de Oftalmologistas Veterinários (ECVO), além do teste de ADN prcd-PRA, disponível em laboratórios europeus de genética canina.
  • Rótulas: grau de luxação da rótula (de 0, normal, a 4), indispensável no toy e no anão.
  • No grande: pergunte também por casos de doença de Addison, adenite sebácea e torção gástrica nos pais e nos irmãos de ninhadas anteriores.

Temperamento do Caniche: cabeça de cão de cobro num cão de companhia

O padrão da FCI descreve o Caniche como um cão «conhecido pela sua lealdade, capaz de aprender e de ser treinado», o que faz dele um companheiro particularmente agradável. No dia a dia, os Caniches são muito ligados às pessoas, dóceis e rápidos a aprender, e isso tem dois lados. Um Caniche aborrecido aprende coisas que ninguém lhe ensinou, incluindo abrir portas e ladrar a cada ruído que passa. A AKC nota que os Poodles ladram mais do que muitas raças, um ponto a pesar se vive num apartamento em Lisboa, no Porto ou em qualquer prédio de paredes finas.

O historial de trabalho não é decorativo. O Poodle Club of America, o clube da raça nos Estados Unidos, explicou à AKC que os Caniches competem em praticamente todos os desportos caninos e que um Caniche grande já conquistou o título de caça Master National Hunter, a fazer exatamente o trabalho para o qual a raça foi criada: cobrar aves na água. Há donos que os treinaram também como cães de terapia, cães de assistência e cães de deteção de restos humanos.

Em termos práticos: reserve 45 a 60 minutos de exercício a sério por dia para um Caniche grande, mais jogos de treino ou trabalho de faro. O toy e o anão precisam de menos distância, mas da mesma carga mental. Em Portugal, ajuste a rotina ao clima: no verão, sobretudo no Alentejo e no interior, os passeios longos fazem-se cedo ou ao fim do dia. Nos pinhais, entre o fim do inverno e a primavera, mantenha o cão afastado dos ninhos e das lagartas da processionária do pinheiro, que são perigosas para um cão curioso que fareja tudo.

O primo português: o Cão de Água Português

Para quem vive em Portugal, há uma comparação natural. O Cão de Água Português (padrão FCI n.º 37) é também um cão de água de pelo encaracolado ou ondulado, sem subpelo, criado para nadar e cobrar: o padrão descreve-o como o companheiro inseparável do pescador, capaz de se atirar ao mar para recuperar o peixe que escapou, e aponta o Algarve como o seu berço. A diferença está no tipo de cão. O Cão de Água pertence ao Grupo 8 da FCI (cães de água), é mais robusto e tem um temperamento descrito como impetuoso e voluntarioso; o Caniche está hoje classificado como cão de companhia. Se procura a inteligência e a pelagem do Caniche num cão de trabalho mais rústico, de porte médio, vale a pena conhecer a raça portuguesa. A exigência de tosquia é parecida.

Tosquia do Caniche: a parte que quase todos os compradores subestimam

A pelagem do Caniche não larga pelo como a da maioria dos cães. O padrão da FCI descreve-a como abundante, de textura fina e lanosa, muito frisada e elástica (existe ainda a variedade em cordões, hoje rara). O pelo que se solta fica preso nos caracóis e, se não for escovado, aperta-se em nós junto à pele, onde retém humidade e provoca irritação. É a principal razão pela qual tantos Caniches e cruzamentos de Caniche chegam ao salão de tosquia para serem rapados por completo.

O que isto significa, semana a semana:

  • Escovagem: a AKC diz claramente que quem quer manter a pelagem comprida «terá de aprender a escová-la corretamente todos os dias para evitar nós». Um corte curto reduz o trabalho a algumas sessões por semana, mas não o dispensa.
  • Tosquia profissional: a maioria dos tosquiadores e dos clubes da raça trabalha com uma tosquia completa a cada quatro a seis semanas, aproximadamente. Passar das oito semanas com um corte mais comprido dá quase sempre nós.
  • Custo: os preços de banho e tosquia variam demasiado com a região e com o comprimento do pelo para se indicar um valor nacional. Peça orçamento a dois salões de tosquia perto de casa antes de comprar o cachorro, não depois.
  • Escovagem por camadas: escove por secções, até à pele. Escovar só a superfície deixa por baixo uma camada de nós que parece bem à vista e tem a textura de feltro.

O próprio padrão da FCI lembra que julgar um Caniche numa exposição não é julgá-lo num concurso de tosquia, e que não se deve incentivar o excesso de arranjo. Os cortes de exposição admitidos (leão, inglês, moderno, «puppy» e escandinavo) são opcionais; para um cão de família, um corte curto e prático, feito com regularidade, é o que mantém a pele saudável.

A textura do pelo e a sensibilidade da pele mudam muitas vezes com a idade, e a rotina que funcionava aos três anos pode ter de ser repensada aos onze. O nosso guia de higiene e tosquia do cão idoso explica como adaptar o manuseamento e a duração das sessões a um cão mais velho.

Ouvidos, olhos e banhos de mar: cuidados extra do Caniche em Portugal

O Caniche foi criado para a água e muitos adoram um mergulho, o que no verão português significa praia, rio ou piscina. Os caracóis retêm sal, areia e cloro: no fim do dia, passe o cão por água doce e seque-o bem, até à pele, porque um pelo húmido e emaranhado é o ambiente ideal para irritações e para fungos como a Malassezia. O mesmo vale para os invernos húmidos do litoral, em que um Caniche mal seco depois de um passeio à chuva pode passar horas com a pele molhada debaixo dos caracóis.

Ouvidos. O padrão descreve orelhas compridas, caídas e cobertas de pelo muito comprido e ondulado, e muitos Caniches têm também pelo dentro do canal auditivo. Uma orelha tapada, pouco arejada e molhada depois do banho é a receita clássica para a otite. Verifique os ouvidos todas as semanas e depois de cada banho ou mergulho. Para a limpeza de rotina, o limpador de ouvidos Pure Majesty Pets (26,95 €) dissolve a cera com ácido salicílico a 0,2 %, tem pH 5,0–5,5, 10 % de aloé e pró-vitamina B5, não leva clorexidina e não arde. Dor, cheiro forte, secreção escura abundante ou um cão que inclina a cabeça são caso para o médico veterinário, não para limpeza em casa.

Olhos. Nos Caniches toy e anões de pelagem branca ou damasco, as manchas de lágrimas acastanhadas no canto interno dos olhos são uma queixa frequente. Uma lavagem diária com gotas para os olhos estéreis (18,95 €), de pH neutro 7,0–7,2, com ácido hialurónico, camomila e fitato de sódio, ajuda a remover o pó, o pólen e os restos de champô depois do banho e da tosquia, e a atenuar as manchas. Lacrimejo abundante, um olho vermelho ou semicerrado justificam consulta.

Doenças do Caniche: o que rastrear em cada tamanho

Atrofia progressiva da retina (PRA). Nos Caniches toy e anões, a forma hereditária predominante é a degeneração progressiva de bastonetes e cones (prcd-PRA), de transmissão autossómica recessiva simples. A visão noturna é a primeira a perder-se, depois a diurna; o diagnóstico faz-se normalmente por volta dos três anos de idade e não há tratamento capaz de travar ou reverter a doença. Um teste de ADN distingue cães livres, portadores e afetados. Mas atenção: o Poodle Club of America avisa que um cão pode dar «livre» no teste prcd e, mesmo assim, sofrer de outra forma de PRA. É por isso que o exame oftalmológico anual continua no painel.

Displasia da anca. Rastreada por radiografia (OFA ou PennHIP no sistema americano, escala A–E da FCI na Europa) e exigida no painel CHIC para o grande e o anão. Explicamos sinais, fases e opções no nosso guia sobre a displasia da anca no cão.

Doença de Addison (hipoadrenocorticismo). O Caniche grande tem uma predisposição marcada. Um estudo de Famula e colegas no Journal of Small Animal Practice estimou a heritabilidade em 0,75, com um padrão compatível com um locus autossómico recessivo, e 8,6 % dos Caniches incluídos foram classificados como addisonianos. Os primeiros sinais são vagos (vómitos, prostração, falta de apetite) e um cão em crise addisoniana pode piorar muito depressa. Se um Caniche grande tiver episódios repetidos e inexplicados de problemas digestivos e cansaço, pergunte especificamente ao seu médico veterinário por um teste de estimulação com ACTH.

Adenite sebácea. Uma doença inflamatória das glândulas sebáceas da pele, descrita pelo Poodle Club of America como frequente no Caniche grande. Os sinais incluem descamação, pele espessada e perda de pelo em manchas, com um aspeto «roído pela traça». O diagnóstico exige uma biópsia de pele avaliada por um dermatopatologista. É uma doença para toda a vida, mas os banhos de óleo e outros tratamentos controlam muitas vezes os sintomas. Em Portugal há um cuidado extra: as diretrizes europeias LeishVet incluem a dermatite esfoliativa, com ou sem perda de pelo, entre os sinais cutâneos da leishmaniose. Num Caniche com descamação, sobretudo se vive ou passa férias numa zona endémica, o veterinário pode querer excluir também a leishmaniose.

Dilatação-torção gástrica. O estômago dilata e roda sobre si próprio, cortando a sua própria irrigação sanguínea; sem cirurgia de urgência, é rapidamente fatal. O Caniche grande foi uma das onze raças incluídas no estudo prospetivo de coorte de Glickman sobre raças grandes e gigantes, publicado no JAVMA; a idade mais avançada e ter um familiar de primeiro grau com torção gástrica estiveram entre os fatores associados a um risco significativamente maior. Conheça os sinais: tentativas de vomitar sem conseguir, abdómen duro e inchado, inquietação. Não é situação para esperar para ver: contacte de imediato o seu médico veterinário ou um hospital veterinário com urgência 24 horas.

Luxação da rótula e doença de Legg-Calvé-Perthes. Ambas se concentram nas variedades pequenas. A Legg-Calvé-Perthes interrompe a irrigação sanguínea da cabeça do fémur e surge normalmente em raças toy e miniatura entre os quatro meses e um ano de idade; a OFA refere um modo de transmissão que se julga genético e desaconselha a reprodução dos cães afetados. Sobre a rótula, os graus de luxação e o que se pode fazer, veja o nosso artigo sobre a luxação da rótula no cão.

Epilepsia idiopática. O Poodle Club of America aponta a epilepsia idiopática hereditária como uma causa comum de convulsões nas três variedades, sublinhando que as convulsões têm muitas outras causas e que qualquer primeira convulsão justifica uma investigação diagnóstica completa.

Dentes: o ponto fraco do Caniche toy

Há um risco que os guias da raça quase nunca referem. Num estudo epidemiológico do Royal Veterinary College com 22 333 cães seguidos em clínicas veterinárias do Reino Unido, o Caniche toy surgiu à cabeça das raças com maior probabilidade de doença periodontal: quase quatro vezes mais do que os cães sem raça definida (razão de probabilidades de 3,97). O mesmo estudo mostra que o risco desce à medida que o peso adulto aumenta, o que coloca o toy e o anão na linha da frente. A escovagem diária continua a ser a referência. Se não é realista lá em casa, o pó dentário Pure Majesty Pets (44,95 €) polvilha-se sobre a comida uma vez por dia e junta 12 ingredientes identificados, entre eles a alga Ascophyllum nodosum, hidroxiapatite e o sistema enzimático GOX/LPO, para apoiar o controlo da placa, do tártaro e do mau hálito sem escova. Quando o tártaro já está instalado, a destartarização é feita pelo médico veterinário.

Em Portugal, a leishmaniose também entra no plano de saúde

Nenhum painel americano a refere, mas em Portugal é indispensável pensar nela. A leishmaniose canina, transmitida pela picada de flebótomos, é endémica em grande parte do país, do Douro e de Trás-os-Montes ao Algarve, passando por Lisboa e Vale do Tejo e pelo Alentejo; um estudo de vinte anos em Évora documenta a sua presença persistente no sul. Atinge qualquer raça, Caniches incluídos. Fale com o seu médico veterinário sobre a prevenção indicada para a sua região (repelentes de uso veterinário e, se for o caso, vacinação), sobre o rastreio e sobre as outras doenças transmitidas por carraças e mosquitos, como a erliquiose, a babesiose e a dirofilariose.

Mitos e factos sobre a raça Caniche

Mito: o Caniche é uma raça francesa. A questão é genuinamente discutida e as fontes sérias não concordam. O padrão FCI n.º 172 indica a França como país de origem e faz descender o Caniche do Barbet: a palavra francesa caniche vem de cane, a fêmea do pato, e em 1743 «caniche» designava a fêmea do barbet. A AKC afirma que a raça «terá provavelmente origem na Alemanha, em França e na Rússia», lembra que o nome inglês vem do alemão pudeln («chapinhar na água») e descreve uma origem alemã como cobrador de aves aquáticas, com a popularidade da raça a florescer mais tarde em França. A afirmação defensável é que o Caniche é um cão de água europeu cuja nacionalidade continua em disputa: não é simplesmente francês, nem simplesmente alemão.

Mito: os Caniches são hipoalergénicos. Nenhum cão é. Os alergénios relevantes são as proteínas Can f transportadas na descamação da pele, na saliva e na urina, e não no pelo que cai. Vredegoor e colegas mediram o Can f 1 em amostras de pelo, de pelagem e de casas, em raças supostamente hipoalergénicas (Caniches e Labradoodles incluídos) e em raças de controlo, e publicaram o resultado no Journal of Allergy and Clinical Immunology com um título que diz tudo: falta de evidência para descrever qualquer raça de cão como hipoalergénica. Os cães com o rótulo de hipoalergénicos tinham níveis de Can f 1 mais altos nas amostras de pelo e de pelagem do que as outras raças, e essas diferenças não se traduziram em menos exposição a alergénios em casa. Largar menos pelo pode significar menos alergénio espalhado pela casa, mas não faz do Caniche um cão sem alergénios. Quem tem alergia a cães diagnosticada deve falar com um imunoalergologista antes de comprar.

Mito: o corte de exposição é pura vaidade. Segundo a AKC, os caçadores aparavam as patas, o pescoço e a cauda para que o cão se movesse com mais facilidade na água fria, deixando pelo sobre o peito, as ancas e as articulações das patas para as proteger; as rosetas e os pompons vieram depois, como moda do século XVIII. Primeiro a função, depois o enfeite. O Cão de Água Português confirma a lógica: o seu padrão FCI considera típica a tosquia parcial quando o pelo está demasiado comprido, com os quartos traseiros, o focinho e parte da cauda tosquiados e um penacho de pelo inteiro na ponta da cauda, o chamado corte à leão dos cães dos pescadores.

Mito: um «doodle» é um Caniche hipoalergénico sem trabalho de tosquia. Nenhuma das duas promessas se confirma. Os cruzamentos do tipo doodle, como o Labradoodle, não são raças reconhecidas pela FCI nem pela AKC, pelo que não têm registo no CPC; o tipo de pelagem numa primeira geração de cruzamento não é previsível; e um pelo ondulado ou lanoso pode criar nós tão maus como os de um Caniche, sendo mais difícil de desembaraçar. Os dados sobre alergénios acima incluíam Labradoodles e não confirmaram a promessa comercial. Os cruzamentos de Caniche podem ser excelentes cães: compre-os pelos seus próprios méritos e faça ao criador as mesmas perguntas sobre testes de saúde que faria a um criador de Caniches.

Um Caniche é a raça certa para si?

Boa escolha se: quer um cão que aprende com facilidade e gosta de desportos caninos como o agility ou a obediência, aceita a tosquia como uma despesa permanente no orçamento da casa e prefere uma raça com exames de rastreio bem definidos a uma lotaria genética.

Má escolha se: passa 10 horas por dia fora de casa, quer uma pelagem de pouca manutenção, tem vizinhos sensíveis ao barulho ou o seu plano de compra é «cachorro barato, sem papéis».

Escolha o tamanho pelo espaço e pelo exercício que pode oferecer, sabendo que a exigência de tosquia e a necessidade de estímulo mental são as mesmas nos quatro.

Comprar um Caniche em Portugal: pedigree, microchip e importação

Antes de reservar um cachorro, confirme três pontos, além dos exames de saúde dos pais descritos acima:

  • Pedigree FCI. Em Portugal, o registo genealógico das raças reconhecidas pela FCI, incluindo o Caniche, é feito pelo Clube Português de Canicultura no Livro de Origens Português (LOP). Um cachorro vendido como Caniche sem pedigree não traz qualquer garantia de raça, de tamanho adulto nem de testes de saúde dos pais.
  • Microchip, registo no SIAC e vacinação. Todos os cães em Portugal têm de estar identificados com microchip e registados no Sistema de Informação de Animais de Companhia (SIAC), nos termos do Decreto-Lei n.º 82/2019; a DGAV explica as regras de identificação. A vacina antirrábica é também obrigatória.
  • Importação. Trazer um Caniche de fora da União Europeia obedece ao Regulamento (UE) n.º 576/2013: microchip, vacina antirrábica válida e, consoante o país de origem, uma titulação de anticorpos antirrábicos feita com antecedência. Confirme os requisitos atuais na página de transporte de animais de companhia da DGAV antes de pagar seja o que for.

Pure Majesty Pets em Portugal

O kit do Caniche: ouvidos limpos, olhos claros, dentes cuidados

  • Limpador de ouvidos para cães, 26,95 €: ácido salicílico a 0,2 %, aloé e pró-vitamina B5, pH 5,0–5,5 e sem clorexidina, para dissolver a cera e controlar o odor depois dos banhos e dos mergulhos.
  • Gotas para os olhos do cão, 18,95 €: estéreis, de pH 7,0–7,2, com ácido hialurónico e fitato de sódio, para a limpeza diária e as manchas de lágrimas.
  • Pó dentário para cães, 44,95 €: 12 ingredientes identificados, polvilha-se sobre a comida e dispensa a escova; uma ajuda prática nas variedades pequenas, as mais expostas à doença periodontal.
  • Colagénio líquido para cães, 29,95 €: o nosso produto mais popular, com péptidos de colagénio dos tipos I e III, colagénio do tipo II não desnaturado, óleo de salmão e ácido hialurónico para apoiar as articulações, a pele e o pelo.

Envio grátis para Portugal (e para todo o mundo). Envio DDP: direitos e IVA já pagos, nada a pagar na entrega. Fabrico na América do Norte segundo as boas práticas de fabrico (GMP), com certificado de análise (COA) para cada lote.

Perguntas frequentes

O Caniche é hipoalergénico?

Não. A investigação publicada no Journal of Allergy and Clinical Immunology não encontrou evidência para classificar qualquer raça como hipoalergénica, e os Caniches estavam entre os cães com níveis mais altos do alergénio Can f 1 nas amostras de pelagem. Largar pouco pelo não é o mesmo que não ter alergénios.

Quantos tamanhos de Caniche existem?

Em Portugal, que segue a FCI, são quatro: toy (mais de 24 cm até 28 cm), anão (mais de 28 cm até 35 cm), médio (mais de 35 cm até 45 cm) e grande (mais de 45 cm até 60 cm). A AKC reconhece apenas três: Toy (até 25 cm), Miniature (mais de 25 cm até 38 cm) e Standard (acima de 38 cm).

Quantos anos vive um Caniche?

A AKC indica uma esperança de vida de 10 a 18 anos nas três variedades que reconhece, com os cães mais pequenos, em geral, mais perto do limite superior desse intervalo.

De quanto em quanto tempo se faz a tosquia a um Caniche?

A maioria dos donos marca uma tosquia profissional a cada quatro a seis semanas, e a AKC recomenda escovagem diária para qualquer Caniche de pelo comprido, para evitar nós. Um corte curto reduz a escovagem, mas não a dispensa.

Que testes de saúde deve ter um Caniche de criador?

Depende do tamanho. Toy: teste de ADN prcd-PRA, exame oftalmológico anual e avaliação das rótulas. Anão: o mesmo, mais as ancas. Grande: ancas, exame oftalmológico anual e pelo menos um exame de tiroide, biópsia para adenite sebácea ou avaliação cardíaca. Em Portugal, peça os resultados por escrito (escala FCI das ancas, exame ocular ECVO), e não apenas uma garantia verbal.

Qual é a diferença entre o Caniche e o Cão de Água Português?

São dois cães de água de pelo encaracolado e sem subpelo, mas o Caniche está classificado pela FCI como cão de companhia (Grupo 9) e existe em quatro tamanhos, enquanto o Cão de Água Português é uma raça portuguesa de trabalho do Grupo 8, de porte médio, criada para ajudar os pescadores e com berço no Algarve.

Como comprar um Caniche com pedigree em Portugal?

Escolha um criador que registe as ninhadas no Clube Português de Canicultura (pedigree LOP), mostre os testes de saúde dos pais e entregue o cachorro com microchip registado no SIAC e vacinação em dia. Desconfie de anúncios sem pedigree nem documentação.

Fontes

  • AKC, Poodle History: From Water Retriever to Versatile Companion — akc.org
  • AKC, Is the Poodle a Good Fit for You? — akc.org
  • FCI-Standard N° 172, Caniche (Poodle), versão de 05.04.2024 — fci.be
  • FCI-Standard N° 37, Cão de Água Português — fci.be
  • Poodle Club of America, Health Concerns — poodleclubofamerica.org
  • Poodle Club of America, Health Testing in Poodles (CHIC panels) — poodleclubofamerica.org
  • Vredegoor DW et al., "Can f 1 levels in hair and homes of different dog breeds: lack of evidence to describe any dog breed as hypoallergenic," J Allergy Clin Immunol 2012;130(4):904–909 — jacionline.org
  • Famula TR et al., "Heritability and complex segregation analysis of hypoadrenocorticism in the standard poodle," J Small Anim Pract 2003 — PubMed
  • Glickman LT et al., "Incidence of and breed-related risk factors for gastric dilatation-volvulus in dogs," JAVMA 2000 — PubMed
  • O'Neill DG et al., "Epidemiology of periodontal disease in dogs in the UK primary-care veterinary setting," J Small Anim Pract 2021, PMID 34374104 — PubMed
  • OFA, Sebaceous Adenitis — ofa.org
  • OFA, Legg-Calvé-Perthes — ofa.org
  • UC Davis VGL, PRA-prcd — ucdavis.edu
  • Solano-Gallego L et al., "LeishVet guidelines for the practical management of canine leishmaniosis," Parasites & Vectors 2011, PMID 21599936 — PubMed
  • Schallig HD, Cardoso L, Semião-Santos SJ, "Seroepidemiology of canine leishmaniosis in Évora (southern Portugal): 20-year trends," Parasites & Vectors 2013, PMID 23587181 — PMC
  • ECVO, Colégio Europeu de Oftalmologistas Veterinários — ecvo.eu
  • Clube Português de Canicultura (CPC), registo genealógico (LOP) — cpc.pt
  • DGAV, identificação de cães, gatos e furões — dgav.pt
  • DGAV, transporte de animais de companhia — dgav.pt
  • Regulamento (UE) n.º 576/2013, circulação sem caráter comercial de animais de companhia — EUR-Lex
  • ICNF, processionária do pinheiro — icnf.pt

Este artigo é informação educativa geral e não substitui o aconselhamento do seu médico veterinário; não serve para diagnosticar nem tratar qualquer doença. Fale com ele sobre o seu cão em particular e procure ajuda veterinária de urgência de imediato se suspeitar de uma torção gástrica ou de uma crise addisoniana.