Na comparação tártaro vs placa no cão, a resposta cabe numa frase: a placa bacteriana é a película mole, quase invisível, que volta a formar-se nos dentes do seu cão poucas horas depois de cada refeição; o tártaro é essa mesma placa depois de os minerais da saliva a terem endurecido num depósito rijo, a que o médico veterinário chama cálculo dentário. A placa ainda pode ser removida em casa; o tártaro já não. Tudo o resto que repara a seguir, da crosta amarelo-acastanhada junto à gengiva às gengivas vermelhas e ao mau hálito, depende de qual dos dois está a ver.
Qual é a diferença entre placa bacteriana e tártaro nos dentes do cão?
A sequência é sempre a mesma. Minutos depois de uma limpeza, as proteínas da saliva depositam no esmalte uma camada microscópica chamada película adquirida. As bactérias da boca prendem-se a ela, multiplicam-se e envolvem-se numa matriz protetora. O resultado é o biofilme de placa dentária: mole, pegajoso, geralmente incolor, e mais fácil de sentir com a unha ao longo da margem gengival dos dentes de trás da arcada superior.

As diretrizes dentárias globais da WSAVA (Associação Mundial de Veterinários de Pequenos Animais) descrevem a placa como um biofilme que se forma em cerca de 24 horas e sublinham que as bactérias dentro de um biofilme são muito mais resistentes aos antissépticos e aos antibióticos do que as mesmas bactérias soltas (Niemiec et al., 2020). É por isso que as abordagens apenas químicas raramente resolvem um problema de placa: a película tem de ser perturbada fisicamente, todos os dias.
Se ninguém a perturbar, o cálcio e o fosfato da saliva precipitam dentro do biofilme e ele endurece até se transformar em tártaro. As mesmas diretrizes fazem uma observação pouco conhecida: o cálculo, por si só, é relativamente pouco patogénico. Não é a crosta que inflama a gengiva, mas sim a superfície rugosa e porosa que ela oferece, onde a placa nova fica presa contra o dente, protegida da língua e da escova. A melhor forma de pensar no tártaro é como uma máquina de reter placa aparafusada ao dente.
| Placa bacteriana | Tártaro (cálculo dentário) | |
|---|---|---|
| Aspeto | Incolor a creme-claro, muitas vezes invisível | Crosta amarela, bege, castanha ou cinzento-esverdeada |
| Textura | Película mole, escorregadia e pegajosa | Dura, rugosa e granulosa; não sai ao raspar com a unha |
| Onde aparece primeiro | Junto à gengiva dos pré-molares e molares superiores | No mesmo sítio, alastrando pelo dente abaixo e por baixo da gengiva |
| Rapidez de formação | Biofilme em cerca de 24 horas | Mineraliza em poucos dias se a placa não for perturbada |
| Reversível em casa? | Sim: a remoção mecânica retira-a | Não |
| O que a/o remove | Escovagem, toalhitas dentárias, mastigação, cuidado oral diário | Destartarização profissional sob anestesia geral |
| Se for ignorada/o | Mineraliza em cálculo e irrita a gengiva | Retém ainda mais placa, alimentando a gengivite e a periodontite |
Quanto tempo demora a placa a transformar-se em tártaro no cão?
Menos do que a maioria dos tutores imagina, e é esse o ponto prático central da comparação entre tártaro e placa. A película forma-se em minutos, o biofilme de placa em cerca de um dia, e a mineralização pode começar poucos dias depois se a placa não for perturbada, porque a saliva do cão é relativamente rica no cálcio e no fosfato que alimentam o crescimento dos cristais. Este mecanismo de formação do cálculo supragengival foi revisto por Jin e Yip (2002) na revista Critical Reviews in Oral Biology & Medicine.
A evidência clínica vai no mesmo sentido. Num ensaio aleatorizado, controlado e com avaliação cega, realizado em cães da raça Beagle durante 28 dias, Harvey e colegas (2015) compararam a escovagem diária, em dias alternados, semanal e quinzenal com um grupo sem escovagem. Quanto mais frequente a escovagem, maior o efeito em travar a acumulação de placa e de cálculo e em reduzir a gengivite já existente; a escovagem diária ou em dias alternados deu resultados significativamente melhores do que a semanal ou a quinzenal, e os autores recomendam a escovagem diária. Um gesto pequeno feito quase todos os dias ganha a um esforço heroico ocasional, porque está a competir com um biofilme que se refaz a cada 24 horas.
Como se distingue a placa do tártaro à vista?
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A placa, muitas vezes, não se parece com nada: é quase transparente sobre o esmalte branco, e é por isso que tantos tutores acreditam que os dentes do cão estão limpos até à primeira consulta veterinária. O que consegue detetar é a textura: passe a ponta do dedo ou uma compressa pela face exterior dos grandes dentes de trás da arcada superior e a placa dá uma sensação ligeiramente escorregadia ou aveludada, em vez de lisa como vidro. O tártaro, pelo contrário, faz-se notar: surge como uma faixa baça, de amarelo a castanho, colada à linha da gengiva, mais espessa no quarto pré-molar superior (o grande dente de mastigar, mais ou menos por baixo do olho) e nos molares superiores, porque é perto desses dentes que desembocam os canais das glândulas salivares. E não sai com uma toalhita.
O teste de 10 segundos a levantar o lábio, que qualquer tutor pode fazer em casa
Não precisa de abrir a boca do cão, e é isso que torna o teste possível mesmo com um cão irrequieto.
- Com o cão calmo e de costas para si, apoie uma mão por baixo do queixo e levante suavemente o lábio superior de um dos lados com o polegar.
- Olhe para o ponto onde o dente encontra a gengiva, não para as pontas dos dentes. Uma gengiva saudável é cor-de-rosa coral ou pigmentada de preto, com uma margem limpa e fina como uma lâmina.
- Procure três coisas: uma faixa amarelo-acastanhada no dente, uma linha vermelha ou inchada ao longo da gengiva e qualquer ponto onde a gengiva tenha recuado e deixe a raiz à vista.
- Repita do outro lado. Um problema só de um lado aponta muitas vezes para um dente fraturado ou um hábito de mastigação, e justifica uma consulta.
- Faça o teste no mesmo dia de cada semana: a evolução ao longo do tempo diz muito mais do que qualquer observação isolada.
Duas ressalvas: sangrar quando levanta o lábio não é normal e deve ser comunicado ao médico veterinário; e um cão que se encolhe, vira a cara ou deixou de mastigar de um dos lados pode estar com dor. Os cães escondem muito bem o desconforto oral, por isso uma mudança de comportamento conta como sinal.
É possível remover o tártaro do cão em casa?
Não, e este é o ponto de segurança mais importante do artigo. Depois de mineralizada, a placa fica ligada ao esmalte, e nenhum pó, aditivo para a água, snack de mastigar, spray, óleo de coco ou raspador comprado na internet a dissolve. Retirar o cálculo exige uma profilaxia dentária sob anestesia: destartarização com ultrassons e instrumentos manuais acima e, sobretudo, abaixo da linha da gengiva, seguida de polimento. É o protocolo descrito nas diretrizes dentárias de 2019 da AAHA para cães e gatos (Bellows et al.) e o que as clínicas e hospitais veterinários fazem em Portugal quando marcam uma «destartarização» ou «limpeza dentária».
Dois atalhos populares merecem um aviso direto. Raspar o tártaro com uma cureta ou um palito dentário risca o esmalte, cria uma superfície mais rugosa que acumula placa ainda mais depressa e não faz nada contra as bactérias que causam realmente a doença. E a chamada limpeza dentária sem anestesia é formalmente desaconselhada pelo Colégio Americano de Odontologia Veterinária (AVDC) desde 2004: num animal acordado só se limpa a coroa visível, a doença subgengival fica intacta, há risco de ferimentos com qualquer movimento da cabeça e não existe via aérea protegida contra a inalação de detritos. Uma boca que parece melhor enquanto as bolsas periodontais continuam por tratar é, provavelmente, pior do que uma que ainda parece suja, porque apaga o sinal visual que leva o tutor a agir. O tema está desenvolvido no nosso artigo sobre limpeza dentária do cão sem anestesia.
Anestesia para tirar o tártaro: o risco real, em números
Quase todos os tutores que chegam a este ponto fazem a mesma pergunta: se tirar o tártaro obriga a anestesia, qual é o perigo? A maioria das páginas responde com palavras tranquilizadoras em vez de números. Aqui ficam os números.
Num grande estudo de casos e controlos baseado no programa VetCompass, que reúne os registos clínicos de mais de 300 clínicas de cuidados primários do Reino Unido, os investigadores analisaram 157 318 cães submetidos a anestesia geral ou sedação: houve 159 mortes relacionadas nas 48 horas seguintes (0,10 %) e 219 nas duas semanas seguintes (0,14 %), ou seja, cerca de 14 cães em cada 10 000 (Shoop-Worrall et al., Veterinary Anaesthesia and Analgesia, 2022). A idade mais avançada, um pior estado de saúde segundo a classificação ASA e os procedimentos mais urgentes associaram-se a maior probabilidade de morte. Esse último ponto é um argumento para marcar a limpeza dentária antes de a boca se tornar uma urgência, e não para a evitar.
Em 2025, o quadro ficou mais preciso para o trabalho dentário propriamente dito. Um estudo de coorte retrospetivo em quatro clínicas de especialidade em odontologia e cirurgia oral veterinária acompanhou 3210 cães anestesiados para imagiologia avançada e/ou cirurgia oral entre 2021 e 2023: a mortalidade nas duas semanas seguintes foi de 0,37 %, cerca de 1 cão em 270 (Spaar Weiss et al., Vet Anaesth Analg, 2025;52(4):396–402). Dois pormenores contam mais do que o número global. Depois da análise multivariada, só a idade mais avançada se manteve como fator de risco significativo (razão de probabilidades de 1,364; idade mediana de 12 anos nos cães que morreram contra 7 anos nos sobreviventes), enquanto o peso, o sexo e a classificação ASA não foram estatisticamente significativos neste grupo. O raciocínio habitual, «o meu cão tem um sopro, por isso a anestesia está fora de questão», não é o que estes dados sustentam: a decisão é individual e tem de ser tomada com o médico veterinário, depois de uma avaliação pré-anestésica.
A conclusão prática para a decisão entre tártaro e placa: o risco anestésico é pequeno, está quantificado, concentra-se nos cães idosos e aumenta quanto mais se espera. A fase da placa é a parte que controla em casa; a fase do tártaro é a parte que entrega à equipa veterinária.
Gengivite ou periodontite no cão: o que é reversível e o que não é
A gengivite é a inflamação da gengiva em resposta à placa que está na superfície do dente vizinho: margens vermelhas, ligeiramente inchadas, que podem sangrar. É reversível: se a placa for removida de forma consistente, o tecido pode voltar a ficar saudável. Para escolher uma pasta adequada nesta fase, veja o nosso artigo sobre a melhor pasta de dentes para cães com gengivite.
A periodontite instala-se quando a inflamação avança em profundidade e começa a destruir o ligamento periodontal, o cemento e o osso alveolar que seguram o dente no lugar, como descreve o Manual Veterinário MSD (conhecido como Merck fora da Europa). A perda de inserção e de osso não volta a crescer. O tratamento e um cuidado diário rigoroso em casa podem travar ou abrandar a periodontite, mas o tecido já perdido não se recupera. Cada dia de controlo da placa defende a fronteira entre a fase reversível e a fase permanente.
Porque é que o tártaro visível subestima o problema real
Os tutores avaliam a boca do cão pela quantidade de castanho que conseguem ver. Os médicos veterinários com prática em odontologia não, porque a doença que conta acontece abaixo da linha da gengiva. As radiografias dentárias de boca completa, feitas sob anestesia, revelam regularmente achados clinicamente importantes (perda óssea, lesões das raízes, raízes retidas) que não são visíveis no exame oral, uma lacuna diagnóstica documentada por Verstraete e colegas (1998) e uma das razões pelas quais as diretrizes da AAHA tratam a radiografia como parte de um procedimento dentário bem feito e não como um extra.
A consequência é desconfortável, mas útil: um cão com pouco tártaro visível pode ter bolsas periodontais avançadas, e um cão com um tártaro de aspeto impressionante pode ter uma inserção relativamente preservada. O tártaro visível é um sinal para pedir uma avaliação da boca, não uma medida da gravidade. A investigação sugere também uma associação entre a doença periodontal grave e alterações em órgãos distantes, incluindo achados cardiovasculares (Glickman et al., 2009); trata-se de uma associação observada em populações, não de uma prova de causa num cão em particular.
Como evitar a acumulação de placa e de tártaro no cão
A prevenção só atua sobre um dos dois. Não se impede o tártaro diretamente; impede-se removendo a placa antes de ela ter tempo de mineralizar.

- A escovagem continua a ser a referência. Diária ou em dias alternados, com uma pasta de dentes própria para cães, insistindo nas faces exteriores ao longo da gengiva. Nunca pasta de dentes humana: não foi formulada para ser engolida. O nosso comparativo pasta de dentes ou pó dentário para cães mostra onde encaixa cada formato e, se estiver a pensar numa solução caseira, leia primeiro a nossa análise da pasta de dentes caseira para cães. Em Portugal, encontra pastas enzimáticas como a Virbac C.E.T. em clínicas veterinárias e em lojas de animais.
- A mastigação diária ajuda, de forma seletiva. Os produtos testados para o controlo da placa ou do tártaro podem ostentar o selo do Veterinary Oral Health Council (VOHC), um filtro muito melhor do que as frases da embalagem. A nossa análise dos melhores snacks dentários para cães explica o que a mastigação consegue e não consegue fazer.
- O apoio diário sobre a comida é indicado para cães que não toleram a escova. Um pó atua na fase do biofilme, a montante, enquanto a placa ainda é mole, que é o alvo certo; e é também por isso que nenhum pó faz desaparecer o cálculo já existente. Em Portugal, o pó de algas ProDen PlaqueOff é a referência mais conhecida desta categoria; comparámo-lo na nossa análise do PlaqueOff para cães.
- Limpezas profissionais com a periodicidade definida pelo seu médico veterinário, e não pelo aspeto que os dentes têm aos seus olhos.
Alguns cães precisam de mais ajuda. As raças pequenas e toy estão sobrerrepresentadas na periodontite, e os cães braquicéfalos (Bulldog Francês, Pug, Shih Tzu) somam um problema de estrutura: o maxilar encurtado aperta e roda os dentes, criando contactos estreitos que retêm placa e que o cuidado em casa tem dificuldade em alcançar. Para estes cães, o cuidado diário não é opcional e os intervalos entre limpezas costumam ser mais curtos. Por contraste, raças portuguesas de porte grande como o Cão da Serra da Estrela ou o Rafeiro do Alentejo também acumulam tártaro, mas geralmente em dentes menos apinhados, onde a escovagem e a mastigação chegam com mais facilidade.
O nosso pó dentário para cães foi construído em torno desta lógica, e não de promessas sobre o tártaro. A fórmula publicada reúne 12 ingredientes ativos com percentagens declaradas, em vez da alga única em que assenta a maioria dos pós para polvilhar: hidroxiapatite (15 %), a alga Ascophyllum nodosum (8 %), hexametafosfato de sódio (SHMP, 1 %), um par enzimático glucose oxidase e lactoperoxidase (GOX/LPO, 0,6 %) que reproduz o próprio sistema antibacteriano da saliva, um lisado probiótico oral (0,3 %) como pós-biótico, citrato de zinco (0,6 %) e extrato de chá verde (0,5 %). É processado a frio, abaixo de 35 °C, para que as frações enzimática e pós-biótica cheguem intactas ao frasco, fabricado na América do Norte segundo as boas práticas de fabrico (GMP), com certificado de análise (COA) para cada lote, e enviado gratuitamente para Portugal. São factos de fabrico verificáveis, não alegações de saúde, e não alteram o limite que se aplica a todos os pós à venda: pode ajudar a reduzir a placa antes de endurecer, mas não remove o cálculo que já se formou. Em Portugal e na União Europeia, um produto deste tipo é um alimento complementar para animais, enquadrado pelo Regulamento (CE) n.º 767/2009 e sob controlo oficial da DGAV, que não admite alegações terapêuticas neste tipo de produto. O método completo está no nosso guia completo do pó dentário para cães, e a comparação de mercado no artigo sobre o melhor pó dentário para cães.
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Erros comuns dos tutores com o tártaro e a placa
- Raspar o tártaro em casa. Risca o esmalte, deixa de fora a doença subgengival e pode ferir a gengiva e o próprio cão.
- Marcar limpezas sem anestesia. São apenas cosméticas, desaconselhadas pelo AVDC, e escondem o sinal de alerta visual.
- Usar ossos, hastes de veado e brinquedos de nylon duro como cuidado dentário. Os objetos duros de mastigar são uma causa reconhecida de fraturas em lasca do quarto pré-molar superior. Regra prática: se não consegue marcá-lo com a unha do polegar, pode partir um dente.
- Esperar pelo mau hálito. A halitose é um sinal real, mas tardio, e pode apontar para outros problemas; o nosso guia sobre o mau hálito no cão: causas e sinais de alarme explica quais.
- Escovar só as faces interiores. A placa e o cálculo acumulam-se sobretudo nas faces voltadas para a bochecha.
- Começar de forma intensiva e depois desistir. Uma semana de escovagem diária seguida de um mês sem nada perde para uma rotina modesta mantida durante todo o ano.
Quando precisa o cão de uma destartarização profissional?
Peça uma avaliação oral em vez de esperar e marque consulta rapidamente se notar algum destes sinais:
- Tártaro visível ao longo da gengiva, ou gengivas vermelhas, inchadas ou que sangram ao toque.
- Mau hálito persistente sem relação com o que o cão comeu.
- Deixar cair comida, mastigar só de um lado, passar a pata pela boca ou não querer que lhe toquem na cabeça.
- Gengiva retraída, raiz à vista, dente descolorido, fraturado ou com mobilidade.
- Inchaço da face por baixo do olho ou corrimento nasal de um só lado: ambos podem indicar um abcesso da raiz de um dente e justificam consulta na mesma semana.
- Um cão de raça pequena, toy ou braquicéfala que nunca fez uma avaliação dentária.
Em Portugal, a destartarização é feita em clínicas e hospitais veterinários; se precisar de antibióticos ou analgésicos à volta do procedimento, são medicamentos veterinários sujeitos a receita, autorizados e controlados pela DGAV ao abrigo do Regulamento (UE) 2019/6: nunca dê ao seu cão medicamentos para pessoas nem sobras de tratamentos anteriores. Para confirmar que o profissional está inscrito, a Ordem dos Médicos Veterinários é a entidade de referência.
Mito ou facto: tártaro e placa no cão
| Mito | O que a evidência sustenta |
|---|---|
| A ração seca mantém os dentes limpos | A ração seca comum desfaz-se ao primeiro contacto com o dente; as dietas dentárias concebidas para o efeito são outra categoria. |
| O mau hálito é normal num cão | A halitose persistente está frequentemente associada à doença periodontal e merece um exame. |
| Um suplemento consegue dissolver o tártaro | Nenhum suplemento oral remove o cálculo mineralizado. Só a destartarização profissional o faz. |
| A limpeza sem anestesia é mais segura | O AVDC desaconselha-a; trata apenas a coroa visível. A mortalidade anestésica medida numa coorte dentária de 2025 foi de 0,37 % aos 14 dias. |
| Se os dentes parecem brancos, a boca está saudável | Os estudos radiográficos mostram doença clinicamente importante que não se vê no exame oral. |
Para comparar as opções de cuidado diário, leia o nosso guia sobre remover o tártaro do cão: o que funciona e o que não funciona, o artigo sobre o melhor produto para remover a placa bacteriana do cão e a nossa resposta honesta à pergunta o pó dentário substitui a escovagem?
Perguntas frequentes
Qual é a diferença entre placa e tártaro no cão?
A placa é um biofilme bacteriano mole que volta a formar-se em dentes limpos em cerca de 24 horas e pode ser removido mecanicamente em casa. O tártaro, ou cálculo dentário, é placa que mineralizou num depósito duro agarrado ao dente, e só sai com uma destartarização profissional.
Quanto tempo demora a placa a transformar-se em tártaro nos dentes do cão?
A película salivar forma-se em minutos e o biofilme de placa em cerca de um dia. A mineralização em cálculo pode começar poucos dias depois, se a placa não for perturbada, e é por isso que o cuidado diário ou em dias alternados funciona melhor do que limpezas intensivas ocasionais.
Como se tira o tártaro dos dentes do cão?
Não se tira em casa. O cálculo mineralizado exige destartarização com ultrassons e instrumentos manuais, acima e abaixo da gengiva, sob anestesia geral e feita por uma equipa veterinária. Os cuidados em casa devem concentrar-se em impedir que a placa nova endureça.
A anestesia para tirar o tártaro é perigosa?
Numa coorte retrospetiva de 2025 com 3210 cães anestesiados em quatro clínicas de especialidade dentária, a mortalidade nas duas semanas seguintes foi de 0,37 %. Em clínicas de cuidados primários, num total de 157 318 anestesias e sedações, a mortalidade relacionada foi de 0,10 % às 48 horas e de 0,14 % às duas semanas. A idade avançada foi o fator de risco mais consistente; na coorte dentária, a classificação ASA e o peso não foram significativos. Fale com o seu médico veterinário sobre o caso concreto do seu cão.
Posso raspar o tártaro do meu cão sozinho?
Não. Raspar danifica a superfície do esmalte, que passa a acumular placa mais depressa, deixa intactas as bactérias por baixo da gengiva e pode ferir a gengiva do cão ou a pessoa que o faz. Não substitui uma limpeza veterinária.
Um pó dentário ou um snack podem reverter a gengivite no cão?
Um controlo consistente da placa pode ajudar a gengivite a regredir, porque a gengivite é reversível quando se remove a placa que a provoca. A periodontite, que envolve perda de inserção e de osso, não é reversível. Qualquer cão com gengivas vermelhas ou a sangrar deve ser avaliado por um médico veterinário.
Os cães pequenos ganham tártaro mais depressa do que os grandes?
As raças pequenas e toy estão sobrerrepresentadas na doença periodontal, e as raças braquicéfalas têm dentes apinhados e rodados que retêm placa. Estes cães precisam, em geral, de cuidado diário em casa e de intervalos mais curtos entre limpezas profissionais.
Quanto custa uma destartarização em Portugal e onde se faz?
Faz-se em clínicas e hospitais veterinários, sempre sob anestesia geral. O preço varia muito consoante a clínica, o tamanho do cão, as análises pré-anestésicas, as radiografias e as eventuais extrações, por isso peça um orçamento detalhado ao seu médico veterinário depois da avaliação oral. A melhor forma de espaçar estas limpezas é controlar a placa todos os dias em casa.
Fontes
- Niemiec B, et al. World Small Animal Veterinary Association Global Dental Guidelines. J Small Anim Pract. 2020. PMID 32715500 — PubMed
- Bellows J, et al. 2019 AAHA Dental Care Guidelines for Dogs and Cats. J Am Anim Hosp Assoc. 2019;55(2):49-69. PMID 30776257 — PubMed
- Jin Y, Yip HK. Supragingival calculus: formation and control. Crit Rev Oral Biol Med. 2002;13(5):426-441. PMID 12393761 — PubMed
- Harvey C, Serfilippi L, Barnvos D. Effect of frequency of brushing teeth on plaque and calculus accumulation, and gingivitis in dogs. J Vet Dent. 2015;32(1):16-21. PMID 26197686 — PubMed
- Verstraete FJM, Kass PH, Terpak CH. Diagnostic value of full-mouth radiography in dogs. Am J Vet Res. 1998;59(6):686-691. PMID 9622735 — PubMed
- Glickman LT, et al. Evaluation of the risk of endocarditis and other cardiovascular events on the basis of the severity of periodontal disease in dogs. J Am Vet Med Assoc. 2009;234(4):486-494. PMID 19222358 — PubMed
- Spaar Weiss MR, et al. Risk factors associated with increased mortality within 14 days of general anesthesia in specialty veterinary dentistry and oral surgery practices. Vet Anaesth Analg. 2025;52(4):396-402. PMID 40350333 — doi:10.1016/j.vaa.2025.04.004
- Shoop-Worrall SJ, O'Neill DG, Viscasillas J, Brodbelt DC. Mortality related to general anaesthesia and sedation in dogs under UK primary veterinary care. Vet Anaesth Analg. 2022;49(5):433-442. PMID 35985925 — PubMed · texto completo
- American Veterinary Dental College (AVDC). Position statement on dental scaling without anesthesia.
- Manual Veterinário MSD (Merck Veterinary Manual). Periodontal disease in small animals.
- Veterinary Oral Health Council. VOHC accepted products for dogs — vohc.org
- Regulamento (CE) n.º 767/2009, colocação no mercado e utilização de alimentos para animais — EUR-Lex
- DGAV — Alimentos para animais — dgav.pt
- DGAV — Medicamentos veterinários — dgav.pt
- Ordem dos Médicos Veterinários — omv.pt
Conteúdo educativo, que não substitui o aconselhamento do seu médico veterinário. Os suplementos e os cuidados dentários em casa podem apoiar a higiene oral de rotina entre limpezas profissionais; não diagnosticam, tratam nem curam a doença periodontal. Se o seu cão tiver gengivas vermelhas ou a sangrar, tártaro visível, dor na boca, inchaço da face ou alterações na forma de comer, consulte o seu médico veterinário.