Galliprant para cães: dose, efeitos secundários e resultados do ensaio

Calm adult dog standing indoors, illustrating a guide to Galliprant for dogs dosage and side effects

O Galliprant (grapiprant) é um comprimido sujeito a receita médico-veterinária, indicado para a dor e a inflamação da osteoartrite no cão, administrado uma vez por dia na dose de 2 mg/kg a cães com pelo menos 9 meses e 3,6 kg. Pertence a uma classe que nenhum outro medicamento para a artrose canina utiliza: bloqueia um único recetor das prostaglandinas (o EP4), em vez de inibir as enzimas ciclo-oxigenase (COX), como fazem o carprofeno e o meloxicam. No ensaio principal de 28 dias, 48,1 % dos cães tratados cumpriram a definição de sucesso do tratamento, contra 31,3 % dos cães que receberam placebo.

Este último número é o que quase todos os artigos sobre o Galliprant para cães deixam de fora, e muda a forma como se deve ler o primeiro. A seguir explicamos o que diz realmente o folheto do medicamento, o que os ensaios mediram de facto, o pormenor da dose que muitos tutores fazem mal e onde encaixa a nutrição articular diária à volta de um medicamento que é o seu médico veterinário quem controla. Em Portugal, o Galliprant está autorizado em toda a União Europeia desde 2018, por procedimento centralizado da Agência Europeia de Medicamentos (EMA), e só é dispensado com receita veterinária.

O que é o Galliprant (grapiprant) e porque é que a sua classe importa

Galliprant é a marca comercial do grapiprant, comercializado pela Elanco. Está classificado como um anti-inflamatório não esteroide (AINE) que não inibe a ciclo-oxigenase, da família dos piprantes. Os AINE tradicionais bloqueiam as enzimas COX, o que reduz a produção de prostaglandinas em todo o organismo, incluindo as prostaglandinas que protegem a mucosa do estômago e mantêm o fluxo sanguíneo nos rins. O grapiprant deixa intacta a produção de prostaglandinas e bloqueia antes o recetor EP4, um dos quatro recetores sobre os quais atua a PGE2, e aquele que está mais associado à dor e à inflamação da artrose. Se o acompanhamento inclui alterações nos hábitos urinários, guia do apoio nutricional à bexiga esclarece a questão distinta do apoio nutricional à bexiga.

A narrativa comercial construída sobre este mecanismo é a de que o grapiprant seria mais suave para o estômago, o fígado e os rins. O próprio folheto é mais prudente. Lembra que o EP4 também tem funções de manutenção no organismo (secreção de muco no estômago e no cólon, motilidade do intestino delgado, cicatrização de úlceras gástricas e gestão do sódio no rim) e mantém o grapiprant dentro do quadro completo de advertências da classe dos AINE, com as mesmas análises de base e a mesma vigilância periódica que qualquer outro AINE.

Em resumo: um mecanismo genuinamente diferente, uma autorização regulamentar real e uma alegação de marketing que vai mais longe do que as provas. Não existe nenhum ensaio comparativo direto entre o grapiprant e o carprofeno ou o meloxicam na osteoartrite crónica do cão. A investigação atual não demonstra de forma sólida que seja mais seguro para os rins, o fígado ou o tubo digestivo num uso prolongado contra a artrose.

O enquadramento em Portugal: receita, DGAV e EMA

Na União Europeia, os medicamentos veterinários regem-se pelo Regulamento (UE) 2019/6. Em Portugal, a DGAV (Direção-Geral de Alimentação e Veterinária) é a autoridade que controla a autorização, a distribuição e a dispensa destes medicamentos. Na prática, isto significa três coisas para o tutor:

  • O Galliprant só se obtém com receita médico-veterinária, passada depois de o seu médico veterinário examinar o cão. Não existe versão de venda livre, nem em farmácia, nem numa loja de animais.
  • Desconfie de qualquer site que o venda sem receita. Um comprimido de origem desconhecida não oferece garantias de dose nem de conservação.
  • O documento de referência na UE é o resumo das características do medicamento (RCM), disponível em português no site da EMA. Os dados de dose, farmacocinética e farmacovigilância citados neste artigo vêm do folheto aprovado pela FDA e dos ensaios publicados, que são a base científica da autorização. Se algum pormenor do RCM europeu diferir, prevalece o RCM e a indicação do seu médico veterinário.

Dose de Galliprant para cães

Ponto do folheto O que está especificado
Dose 2 mg/kg por via oral, uma vez a cada 24 horas
Princípio geral A dose eficaz mais baixa, durante o período mais curto possível
Dosagens dos comprimidos 20 mg, 60 mg e 100 mg (com sabor a fígado de porco)
Divisão Só os comprimidos de 20 mg e 60 mg são ranhurados. O de 100 mg não deve ser partido.
Peso mínimo Cães com menos de 3,6 kg não podem ser doseados com precisão
Idade mínima Não avaliado abaixo dos 9 meses
Não avaliado em Cães reprodutores, fêmeas gestantes ou em lactação, cães com doença cardíaca
Regra absoluta Nunca em simultâneo com outro AINE oral ou injetável, nem com um corticosteroide. Ao trocar de medicamento, é obrigatório um período de eliminação (washout).

Um exemplo concreto ajuda a perceber a lógica: um Podengo Português médio de 20 kg precisa de cerca de 40 mg por dia, enquanto um Cão da Serra da Estrela de 50 kg precisa de cerca de 100 mg. É precisamente por isso que a combinação de comprimidos e a forma de os partir devem ser definidas pelo médico veterinário, e não improvisadas em casa.

Galliprant em jejum: o pormenor que muitos tutores não conhecem

Muitos resultados de pesquisa dizem que o Galliprant pode ser dado «com ou sem comida». Os dados de farmacocinética do folheto dizem algo mais preciso: dar o comprimido com comida reduz a concentração máxima no sangue cerca de quatro vezes e a exposição total ao medicamento cerca de duas vezes (razão da AUC com comida/em jejum de 0,37). Um cão alimentado à hora da toma pode estar a absorver cerca de um terço da exposição que tiveram os cães do ensaio.

A leitura prática: dê-o em jejum, salvo indicação contrária do seu médico veterinário. A alternativa prevista no próprio folheto é que, se o cão vomitar quando recebe a dose em jejum, a dose seguinte pode ser dada com comida ou com um pequeno petisco, aceitando a perda de absorção de forma consciente e não por acaso. Se o seu cão «não está a responder», este é o primeiro ponto a falar com o veterinário antes de alguém concluir que o medicamento falhou.

Galliprant funciona? O que mostrou o ensaio clínico

A autorização assenta num estudo prospetivo, aleatorizado, com ocultação e controlado por placebo, realizado em vários centros por Rausch-Derra e colegas (J Vet Intern Med 2016;30(3):756-763, PMID 27075237). Foram incluídos 285 cães com osteoartrite, pertencentes a tutores; 262 puderam ser avaliados quanto à eficácia, divididos em partes iguais entre grapiprant e placebo. Os cães receberam 2 mg/kg uma vez por dia durante 28 dias, depois de um período de eliminação das terapêuticas anteriores para a artrose. O critério principal foi a avaliação dos tutores com o Canine Brief Pain Inventory (CBPI), um questionário validado de dor crónica. Se a higiene também inclui o contorno dos olhos, comparação de produtos de limpeza ocular ajuda a escolher um produto destinado a essa zona; não presuma que um produto para a pele ou os ouvidos é adequado.

Resultado (28 dias, sucesso no CBPI) Grapiprant Placebo
Cães com sucesso do tratamento 63 de 131 (48,1 %) 41 de 131 (31,3 %)
Diferença absoluta Cerca de 17 pontos percentuais, estatisticamente significativa (P = 0,0315)

Lido com honestidade, é um efeito real mas moderado, e note que cerca de um terço dos cães sob placebo também tiveram «sucesso». Os ensaios de artrose canina avaliados pelos tutores têm um grande efeito placebo do lado de quem cuida do cão. É uma das razões pelas quais dois tutores podem dar o mesmo medicamento e ficar com impressões completamente diferentes. O mesmo estudo registou também melhorias nas pontuações de interferência da dor e de intensidade da dor, e avaliações veterinárias significativamente melhores no grupo tratado. Se considera o CBD para uma conversa com o veterinário sobre o conforto, comparação de óleos de CBD para cães ajuda a comparar concentrações e informações do fabricante.

Estudos cirúrgicos de curta duração compararam o grapiprant com AINE mais antigos. Um ensaio aleatorizado de não inferioridade, com ocultação, em 42 cadelas submetidas a ovariohisterectomia apoiou o grapiprant como alternativa analgésica ao carprofeno (JAVMA 2022;261(1):118-125, PMID 36374577), e um estudo preliminar em 12 Beagles apontou no mesmo sentido, com os autores a sublinharem que são necessários estudos maiores e mais diversos (Am J Vet Res 2022, PMID 35930789). Trata-se de contextos pós-cirúrgicos agudos, de poucos dias, e não da gestão da artrose ao longo de anos. Os resultados não se transpõem. O guia guia dos suplementos oculares explica esta questão e os pontos a verificar.

Efeitos secundários do Galliprant no cão

No estudo de campo de 28 dias, os efeitos adversos no grupo grapiprant (n = 141) face ao grupo placebo (n = 144) foram: vómitos 24 contra 9, diarreia ou fezes moles 17 contra 13, falta de apetite 9 contra 7, letargia 6 contra 2, úlcera na boca 1 contra 0, anemia hemolítica imunomediada 1 contra 0. Em percentagem, 17 % dos cães tratados tiveram vómitos ocasionais, contra cerca de 6 % no grupo placebo.

A secção de experiência pós-comercialização do folheto atual é mais ampla e merece ser lida antes de concluir que este medicamento pertence a uma categoria mais suave do que os outros AINE. Os efeitos notificados incluem diarreia e vómitos com ou sem sangue, melena (fezes negras), úlcera gastrointestinal, pancreatite e enzimas pancreáticas elevadas, hipoalbuminemia, enzimas hepáticas elevadas, aumento da ureia e da creatinina, insuficiência renal, ataxia, convulsões, anemia, trombocitopenia, edema facial e urticária. O folheto refere claramente que, em alguns casos, foi notificada a morte, incluindo por eutanásia.

Em Portugal, qualquer suspeita de reação adversa a um medicamento veterinário deve ser comunicada ao seu médico veterinário, que a pode notificar no sistema nacional de farmacovigilância veterinária gerido pela DGAV.

Ligue ao veterinário no próprio dia se notar

  • Vómitos ou diarreia com sangue, ou fezes negras e pastosas
  • Recusa de comida durante mais de uma refeição, ou letargia súbita
  • Aumento repentino da sede ou da urina, ou incontinência nova
  • Gengivas ou olhos amarelados, ou gengivas pálidas
  • Andar cambaleante, desorientação ou qualquer convulsão
  • Inchaço da cara, urticária ou comichão intensa

Fora de horas, contacte de imediato o seu médico veterinário ou um hospital veterinário com urgência 24 horas.

Cães de maior risco segundo o folheto: os desidratados ou com tendência para a desidratação, os que tomam diuréticos e os que já têm doença renal, cardiovascular ou hepática. O grapiprant é uma metilbenzenossulfonamida e desconhece-se se existe reatividade cruzada em cães sensíveis às sulfonamidas. No verão português, com dias acima dos 35 °C no Alentejo, no Algarve e no vale do Tejo, a desidratação é um risco concreto para um cão idoso com artrose: garanta água fresca e sombra e evite passeios nas horas de maior calor. Se também observa tosse, deve abordá-la separadamente; comparação de suplementos respiratórios apresenta os critérios e os limites dos suplementos respiratórios. O guia guia do apoio imunitário do cão idoso explica esta questão e os pontos a verificar.

Mitos sobre o Galliprant e o que diz realmente o folheto

O que se repete muitas vezes O que as provas apoiam
«Não é bem um AINE» É um AINE, embora não iniba a COX. Tem todas as advertências da classe dos AINE e as mesmas recomendações de vigilância.
«É mais seguro para os rins e o fígado do que o carprofeno» Uma dedução a partir do mecanismo, não um resultado demonstrado. Não existe ensaio comparativo na osteoartrite crónica; a insuficiência renal e a elevação das enzimas hepáticas aparecem nas notificações pós-comercialização.
«Não são precisas análises porque é suave» O folheto exige hemograma e bioquímica sérica de base e vigilância periódica durante o tratamento.
«Repara a articulação» A indicação é apenas o controlo da dor e da inflamação. Não há qualquer alegação aprovada de modificação da doença ou de proteção da cartilagem.
«Os estudos de 9 meses provam a segurança a longo prazo em cães com artrose» O estudo de 9 meses usou 36 Beagles saudáveis de laboratório, não doentes com artrose (Am J Vet Res 2015;76(10):853-859, PMID 26413822). Vómitos e fezes moles ou mucosas, por vezes com sangue, surgiram em todos os grupos, incluindo o de controlo, embora com mais frequência nos cães que receberam grapiprant. Os próprios autores escrevem que a eficácia na osteoartrite tinha de ser avaliada noutros estudos.
«Dê-o ao jantar, tanto faz» A comida reduz a exposição cerca de duas vezes. Faz diferença.

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Galliprant e condroprotetores: onde encaixa a nutrição articular

Um AINE receitado e a nutrição articular diária fazem trabalhos diferentes. O medicamento é doseado pelo seu médico veterinário para controlar a dor agora. A nutrição é o trabalho de fundo à sua volta. Nada do que compra sem receita substitui o grapiprant, e nenhum suplemento deve servir de razão para alterar, saltar ou suspender uma dose receitada: essa decisão pertence apenas ao seu médico veterinário.

Em Portugal, os suplementos articulares para cães (os chamados condroprotetores, como Flexadin, Seraquin, Synoquin ou Cosequin, que se encontram em clínicas, na zooplus.pt ou na Kiwoko) são alimentos complementares para animais, regidos pelo Regulamento (CE) n.º 767/2009, e não medicamentos: apoiam a nutrição articular e não se apresentam como resposta à doença. É uma categoria diferente, com outro papel.

A referência mais útil para escolher entre ingredientes é uma revisão sistemática com meta-análise de 2022 que reuniu 72 ensaios em cães e gatos com osteoartrite (Int J Mol Sci 2022;23(18):10384, PMID 36142319). As conclusões não são as que as prateleiras de suplementos escolheriam:

Classe de ingrediente Veredicto da meta-análise de 2022
Dietas enriquecidas em ómega-3 de óleo de peixe e suplementos de ómega-3 Eficácia analgésica clínica evidente, o sinal mais forte entre os nutracêuticos analisados
Canabidiol (CBD) Eficácia analgésica, em menor grau
Colagénio Eficácia fraca
Glucosamina + condroitina «Ausência de efeito muito marcada»; os autores recomendam que deixem de ser recomendadas para o controlo da dor da osteoartrite

Preferimos publicar esta tabela a escondê-la. Ela mostra que a dor da artrose é assunto do médico veterinário e que nenhum condroprotetor deve ser vendido como analgésico. O mexilhão de lábio verde, por exemplo, não recebe veredicto no resumo da meta-análise; explicamos o que se sabe sobre ele no nosso guia do mexilhão de lábio verde para cães.

É também por isso que a nossa fórmula não se fica pelo par glucosamina e condroitina. Muitos mastigáveis articulares param em dois ou três ativos. Os mastigáveis articulares Pure Majesty Pets reúnem 17 ingredientes ativos num mastigável macio extrudido a frio: além da glucosamina, da condroitina e do MSM, incluem mexilhão-verde, colagénio tipo II não desnaturado (UC-II), membrana da casca do ovo, ácido hialurónico, extrato de curcuma com pimenta-preta, Boswellia serrata, extrato de gengibre, quercetina, extratos de mirtilo e de grainhas de uva, gluconato de manganês, abóbora em pó e probióticos. Não contêm ómega-3: se o seu cão tem artrose, pergunte ao veterinário se uma dieta enriquecida em ómega-3 faz sentido no caso dele. Cada lote é fabricado na América do Norte segundo as boas práticas de fabrico (GMP), com certificado de análise, e o envio para Portugal é grátis. Para avaliar os critérios desta escolha, consulte comparação de colagénio para cães.

Sobre a pergunta que os tutores fazem sempre, a de poder baixar o anti-inflamatório: existe um ensaio controlado relevante, e foi feito com outro medicamento. Em 131 cães com osteoartrite crónica estável, seguidos em 33 clínicas, uma ração suplementada com ómega-3 de óleo de peixe permitiu reduzir mais depressa a dose de carprofeno ao longo de 12 semanas (JAVMA 2010;236(5):535-539, PMID 20187817). Era uma ração terapêutica, não um mastigável, e o AINE era o carprofeno. Não foi feito nenhum estudo equivalente com o grapiprant. A investigação atual não demonstra de forma sólida que os ómega-3 permitam reduzir a dose de grapiprant, e não deve tentá-lo por sua conta.

Para cães que cospem os mastigáveis ou que precisam de uma dose ao pormenor, a glucosamina líquida para cães é o formato mais fácil: já dissolvida, com glucosamina, condroitina e MSM, mistura-se diretamente na comida e doseia-se ao peso com o conta-gotas. Se ainda está a decidir o que pôr na taça, comece pelo nosso guia dos melhores suplementos articulares para cães em Portugal.

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Envio grátis para Portugal (e para todo o mundo). Envio DDP: direitos e IVA já pagos, nada a pagar na entrega. Fabrico na América do Norte segundo as boas práticas de fabrico (GMP), com certificado de análise (COA) para cada lote.

O que não afirmamos

Os nossos suplementos não são um tratamento da osteoartrite, não são uma alternativa ao Galliprant nem a qualquer medicamento receitado e não foram estudados em associação com o grapiprant. Informe o seu médico veterinário de todos os suplementos que o seu cão recebe, para que a compatibilidade com os medicamentos possa ser avaliada.

Galliprant no dia a dia: um calendário realista

Período O que os tutores costumam relatar
1 a 2 horas após a toma O grapiprant atinge a concentração máxima no sangue; alguns tutores notam movimentos mais fáceis logo no primeiro dia
Semana 1 É aqui que surgem a maioria dos efeitos digestivos, se aparecerem. Vigie as fezes.
Semana 4 O momento em que o ensaio principal mediu o resultado. Uma boa altura para rever com o veterinário.
Semanas 4 a 8 (nutrição) A nutrição articular atua devagar; os tutores costumam relatar mudanças na rigidez ao longo deste período, não em dias
Sempre Análises periódicas segundo o seu veterinário, mais as coisas pouco vistosas que superam qualquer produto: controlo do peso, exercício moderado e de baixo impacto, e tapetes antiderrapantes em chãos escorregadios (os pavimentos cerâmicos e de mosaico, tão comuns nas casas portuguesas, são um problema real para um cão com artrose)

As raças grandes mais populares em Portugal, como o Cão da Serra da Estrela, o Rafeiro do Alentejo, o Labrador ou o Pastor Alemão, são as que mais vezes chegam à consulta com displasia da anca e artrose. Nelas, o controlo do peso e a regularidade do exercício contam tanto quanto qualquer comprimido.

Perguntas a fazer ao veterinário antes de começar o Galliprant

  • Devemos fazer análises de base antes de começar, e de quanto em quanto tempo as repetimos?
  • Em jejum ou com comida? E se o meu cão vomitar com o estômago vazio, qual é o plano?
  • Que período de eliminação se aplica se trocarmos de outro AINE ou de um corticosteroide?
  • Como vamos avaliar se está a funcionar, e quando voltamos a reavaliar?
  • Que suplementos pode o meu cão continuar a tomar ao mesmo tempo?
  • É a melhor escolha face ao carprofeno, ao meloxicam ou ao Librela, tendo em conta os valores renais e a idade do meu cão?

Perguntas frequentes

Quanto tempo demora o Galliprant a fazer efeito no cão?

A concentração máxima no sangue é atingida cerca de 1 a 2 horas após a toma, e alguns tutores notam movimentos mais fáceis no próprio dia. O ensaio principal mediu o resultado aos 28 dias, por isso uma avaliação justa de se está a ajudar exige normalmente cerca de quatro semanas de tomas diárias regulares.

O Galliprant pode ser dado com comida?

Pode, mas os dados de farmacocinética do folheto mostram que a comida reduz a concentração máxima cerca de quatro vezes e a exposição total cerca de duas vezes. Em geral, prefere-se a toma em jejum. Se o seu cão vomitar quando toma o comprimido com o estômago vazio, pergunte ao veterinário se pode dar a dose seguinte com um pouco de comida.

O meu cão pode tomar Galliprant e um condroprotetor ao mesmo tempo?

Esta associação não foi estudada formalmente, por isso a resposta honesta é que essa decisão cabe ao seu médico veterinário, para o seu cão em concreto. Leve o rótulo do produto à consulta e pergunte. Nunca altere uma dose receitada por ter acrescentado um suplemento.

O Galliprant é mais seguro do que o carprofeno ou o meloxicam?

Não foi publicado nenhum ensaio comparativo direto na osteoartrite crónica do cão, por isso essa afirmação não está demonstrada. O mecanismo do grapiprant evita a inibição da COX, mas o folheto mantém-no sob todas as advertências da classe dos AINE, e as notificações pós-comercialização incluem úlcera gastrointestinal, elevação das enzimas hepáticas e insuficiência renal. O seu veterinário pesa isto à luz das análises e do historial do seu cão.

O cão precisa de análises enquanto toma Galliprant?

Sim. O folheto pede historial e exame físico antes de começar, hemograma e bioquímica sérica de base e vigilância periódica durante a administração, com vigilância especialmente recomendada no uso prolongado.

Posso comprar Galliprant sem receita em Portugal?

Não. Em Portugal e em toda a União Europeia, o Galliprant é um medicamento veterinário sujeito a receita médico-veterinária, controlado pela DGAV ao abrigo do Regulamento (UE) 2019/6. Os suplementos articulares são uma categoria totalmente diferente: apoiam a nutrição articular diária e não substituem um medicamento receitado.

Quanto custa o Galliprant em Portugal?

O preço depende da dosagem do comprimido, do tamanho da embalagem e da clínica ou farmácia que o dispensa, por isso não indicamos um valor. Peça ao seu médico veterinário o custo mensal estimado para o peso do seu cão, incluindo as análises de controlo, antes de começar.

Fontes

  • Rausch-Derra L, Huebner M, Wofford J, Rhodes L, "A Prospective, Randomized, Masked, Placebo-Controlled Multisite Clinical Study of Grapiprant, an EP4 Prostaglandin Receptor Antagonist (PRA), in Dogs with Osteoarthritis," J Vet Intern Med 2016;30(3):756-763, PMID 27075237 — PubMed
  • Ross JM et al., "Evaluation of the perioperative analgesic effects of grapiprant compared with carprofen in dogs undergoing elective ovariohysterectomy," JAVMA 2022;261(1):118-125, PMID 36374577 — PubMed
  • Southern BL et al., "Preliminary evaluation of the effects of grapiprant compared with carprofen on acute pain and inflammation following ovariohysterectomy in dogs," Am J Vet Res 2022, PMID 35930789 — PubMed
  • Rausch-Derra LC, Huebner M, Rhodes L, "Evaluation of the safety of long-term, daily oral administration of grapiprant… in healthy dogs," Am J Vet Res 2015;76(10):853-859, PMID 26413822 — PubMed
  • Barbeau-Grégoire M et al., "A 2022 Systematic Review and Meta-Analysis of Enriched Therapeutic Diets and Nutraceuticals in Canine and Feline Osteoarthritis," Int J Mol Sci 2022;23(18):10384, PMID 36142319 — PubMed
  • Fritsch DA et al., "A multicenter study of the effect of dietary supplementation with fish oil omega-3 fatty acids on carprofen dosage in dogs with osteoarthritis," JAVMA 2010;236(5):535-539, PMID 20187817 — PubMed
  • Folheto do Galliprant (grapiprant), DailyMed — dailymed.nlm.nih.gov
  • EMA, Galliprant: EPAR e resumo das características do medicamento — ema.europa.eu
  • DGAV, Medicamentos veterinários — dgav.pt
  • Regulamento (UE) 2019/6, relativo aos medicamentos veterinários — EUR-Lex
  • Regulamento (CE) n.º 767/2009, colocação no mercado e utilização de alimentos para animais — EUR-Lex

Informação educativa, não aconselhamento veterinário. Galliprant® e Elanco® são marcas registadas dos respetivos titulares; a Pure Majesty Pets não tem qualquer ligação à Elanco, nem é apoiada ou patrocinada por ela. O grapiprant é um medicamento sujeito a receita médico-veterinária e as decisões de o iniciar, alterar ou suspender cabem ao seu médico veterinário. Os suplementos Pure Majesty Pets são alimentos complementares para animais, nos termos do Regulamento (CE) n.º 767/2009, e não se destinam a diagnosticar, tratar, curar ou prevenir qualquer doença. Este artigo não substitui a consulta do seu médico veterinário.